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Ex-ministros usam evento conservador para testar candidaturas em 2022

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Foto: Alan Santos/PR

Ernesto Araújo (Foto - 2019)

A segunda edição da Cpac, conferência conservadora que se encerra neste sábado (4), em Brasília, tem sido uma passarela para pré-candidatos da direita na eleição do ano que vem testarem sua popularidade com a militância.

A performance mais inusitada foi a do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que hoje tem um cargo no Banco Mundial, em Washington (EUA), mas sonha disputar o governo de São Paulo.

Ao lado do irmão, Arthur, que trabalha na Organização dos Estados Americanos (OEA), também na capital americana, ele enviou um vídeo em que imagina um mundo nas próximas décadas com predomínio de ideias de esquerda.

Nesta distopia, não haveria internet, teríamos um partido único e uma legião de refugiados da direita. Ambos fecharam o esquete com as bocas amordaçadas, para delírio da plateia do evento.
Ernesto Araújo, outro ex-ministro das Relações Exteriores que planeja ser candidato no ano que vem, foi mais convencional. Nos corredores do evento, deu entrevistas para militantes e posou para selfies, além de palestrar sobre os malefícios da globalização.

Sobre a candidatura, desconversou: "Neste momento, estou apenas feliz de estar aqui", disse. Ernesto acaba de tirar uma licença da carreira por um ano, supostamente para preparar uma candidatura ao Senado por Brasília. À reportagem, no entanto, ele declarou apenas que o período sabático é por "questões acadêmicas".

Candidato preferido de Jair Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo, o ministro Tarcísio Gomes da Freitas, da Infraestrutura, foi convidado a dar uma palestra. Ele é considerado no governo um técnico competente, mas que precisa ainda burilar suas credenciais políticas junto à militância.

Tarcísio poderá também disputar um cargo no Legislativo -cogita-se disputar uma cadeira pelo Senado por Goiás.

Já o ex-ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) foi um dos mais tietados pela plateia do Cpac. Em uma fala inflamada nesta sexta-feira (3), ele atacou duramente as ONGs e uma suposta ingerência de países estrangeiros sobre a Amazônia.

"O Brasil não tem que se curvar para esse pessoal que vem aqui apontar o dedo. Pessoal que destruiu floresta, sujou água, vem aqui dar lição de moral para o brasileiro?", perguntou, para aplausos da audiência. Salles poderá disputar um cargo de deputado federal por São Paulo em 2022.

 

 

FÁBIO ZANINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) 

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