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"Dever cumprido", diz desembargador Luiz Gonzaga Brandão que se aposenta do TJ

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Fotos: Roberta Aline

 

Após quase 30 anos de magistratura, o desembargador Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho deixa nesta sexta feira (15) o Tribunal de Justiça do Piauí, data em que completa 75 anos. 

O decano do TJPI recebeu a equipe do Cidadeverde.com para falar sobre sua trajetória no judiciário e planos para o futuro.  Ele também avaliou o papel do poder judiciário em meios às tensões entre poderes e questionamento da sociedade. 

Ao falar sobre o legado que deixa para o judiciário piauiense, Brandão de Carvalho destacou avanços conquistados durante suas gestões à frente do TJ e do TRE-PI. O magistrado avalia ter contribuído para a modernização dos serviços ofertados aos cidadãos piauienses na capital e no interior do estado. 

“Estou saindo com o dever cumprido. Foram quase 30 anos de magistratura. Me preparei para ser um bom magistrado. Durante todo esse período, eu perfilei essa minha vontade de fazer justiça de acordo com a minha consciência”, destacou o desembargador ao fazer uma comparação entre o período que ingressou no TJ e os tempos atuais. 

“É muito diferente. Naquele tempo a cidade era pequena, os problemas menores, a população menor.  O tribunal era composto por apenas 13 desembargadores. Não existia internet, meios digitais, como acontece hoje. Naquela época, tudo era presencial, vagaroso, porque não existia tecnologia. Há uma grande diferença da prestação jurisdicional daquela época para a atual”, avaliou. 

Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho já se despediu informalmente de colegas e servidores do Tribunal de Justiça do Piauí, mas a presidência da corte ainda deve marcar uma sessão especial para oficializar a aposentadoria do decano. 

Atuação do judiciário

Ao Cidadeverde.com, o agora desembargador aposentado avaliou o atual momento do judiciário brasileiro e os questionamentos que são feitos por parte da sociedade sobre a atuação de magistrados das mais diversas instâncias. Ele avalia que a justiça acaba ganhando protagonismo com os problemas existentes nas relações entre os demais poderes. 

“Eu acho que o judiciário brasileiro é uma caixa de ressonância dos desejos da população. Nós vemos uma desarticulação entre os poderes, mas propriamente entre o congresso nacional, até mesmo a presidência da República. Tudo isso deságua dentro do Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Federais, ou nos Tribunais de Justiça. O Judiciário é chamado para decidir determinadas coisas em razão da omissão de outros poderes”, destacou. 

Escolha do novo desembargador

Luiz Gonzaga Brandão também comentou o processo de escolha para o seu substituto como desembargador, que já foi deflagrado pela OAB Piauí. Ele avalia que, para ter sucesso, o futuro membro do Tribunal de Justiça deve ter algumas caraterísticas importantes. 

“Deve ser uma pessoa muito consciente das suas responsabilidades, vestir a toga com respeitabilidade, assumir a postura da lei, dar valor às minorias, aos negros, mulheres, aos LGBTs, às pessoas que ficam à margem da lei, que não tem o respaldo da lei, e, principalmente os hipossuficientes”, enumerou. 


Planos para o futuro

Após deixar o Tribunal de Justiça, Luiz Gonzaga Brandão diz que pretende se dedicar à cultura do Piauí. Atualmente ele preside a Academia de Letras da Magistratura e está à frente do projeto de criação do museu do judiciário do Piauí. “A ideia é alavancar esse processo e prestar ainda muito serviço à comunidade”, disse. 

O magistrado também pretende se dedicar mais à família e aos três netos.

 

Flash Natanael Sousa
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