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Número de terreiros pode chegar a 800 em Teresina; app vai mapear comunidades

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Foto: Cidadeverde.com

O Governo do Piauí lançou nesta sexta-feira (21), dia nacional de combate à intolerância religiosa, o aplicativo para dispositivos móveis “Eu Creio”, plataforma criada para identificar e registrar informações sobre as comunidades tradicionais de terreiros de religiões de matriz africana em todo o estado. A iniciativa deve auxiliar a gestão estadual na elaboração de ações voltadas para este segmento. 

A solenidade de lançamento, realizada no Salão Azul do Palácio de Karn, reuniu diversas lideranças religiosas e gestores públicos, que enfatizaram a importância desse novo instrumento para a identificação e quantificação das comunidades tradicionais de terreiros de matriz africana em todos os municípios piauienses.

“A informação é tudo hoje em dia. Quem trabalha sem ela fica no escuro, então esse aplicativo vai dar uma clareada para termos uma estimativa de quantos são, o que fazem e o que querem fazer, para elaborarmos políticas públicas a partir desses dados”, disse à vice-governadora Regina Sousa.

O aplicativo “Eu Creio” foi criado pela Agência de Tecnologia da Informação do Piauí (ATI), em parceria com a Superintendência de Direitos Humanos da Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos (Sasc), também contou com a colaboração de movimentos sociais e representantes deste segmento.

Presidente do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileira (Cenarab), pai Rondinele Santos que a ferramenta era uma antiga demanda já apresentada às autoridades estaduais, que deve revelar de forma oficial o cenário dos terreiros tradicionais, na capital e no interior, e também combater o preconceito sofrido pelos praticantes de religiões de matriz africana.

“Em Teresina temos mapeados 420 terreiros, mas sabemos que esse número pode chegar a quase 800. Em todo o estado com certeza devemos chegar a quase sete mil terreiros. Quando dialogamos, era no sentido de pensarmos ações que atendessem essas comunidades, ações que de fato nos permitam combater o preconceito religioso. O Piauí é o quarto estado do país que mais violenta as comunidades tradicionais de matriz africana. Sabemos o quanto é difícil acessar recursos ou até mesmo fazer com que algumas ações voltadas para essas comunidades sejam realmente efetivadas”, afirmou o sacerdote.

Ao término da cerimônia, os participantes realizaram um ato simbólico com a soltura de balões brancos em frente ao Palácio de Karnak, em alusão ao dia nacional de combate a intolerância religiosa e a Òxàlá (Oxalá), consagrados todas as sextas-feiras pelas casas de Candomblé e de Umbanda.

Breno Moreno
[email protected]

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