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Famílias desabrigadas em Teresina relatam dificuldades e completam três meses fora de casa

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A cidade de Teresina tem 775 famílias desabrigadas em decorrência das chuvas, algumas estão há três meses em escolas, que funcionam como abrigo, com apoio da Prefeitura de Teresina, sem qualquer expectativa de retornarem para seus lares.

É o caso de Maria do Socorro da Silva Carvalho, de 64 anos, que tinha uma casa em uma ocupação localizada no bairro Mafrense, na zona Norte de Teresina. A casa com apenas um cômodo e menos de 8 m², foi invadida pela água da lagoa após forte chuva na capital, e no dia 2 de janeiro deste ano teve ir para um abrigo, localizado na Escola Municipal Domingos Afonso Mafrense, no bairro Mafrense.

Vivendo com apenas R$ 400 por mês, ela afirmou que sem ajuda, não tem como fazer os devidos reparos na sua casa e por isso precisa permanecer no abrigo.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Maria do Socorro da Silva Carvalho, de 64 anos, está morando com o filho em um abrigo

"Já faz três meses que estamos aqui, são cerca de 16 famílias e até agora a Prefeitura não falou nada para a gente. Nunca disseram quando vamos sair daqui. Eu não trabalho, só recebo R$ 400 do auxílio Brasil, então eu não tenho como ajeitar a minha casinha. E é apenas eu e meu filho, pois ele não tem emprego, faz apenas uns bicos como ajudante de pedreiro", informou.

Ela explicou que todos os meses a Prefeitura de Teresina entrega uma cesta básica e um kit de limpeza. Cada família está vivendo em uma sala de aula da escola. Muitos perderam o pouco que tinham.

"Quando a água entrou, eu perdi muita coisa. Meu fogão praticamente não presta mais, molhou tudo. Estamos em uma situação muito difícil, sem qualquer ajuda financeira e agora vamos ter que ficar aqui, até que alguém nos ajude, porque não recebemos ajuda da prefeitura. Só queremos uma casa para morar", afirmou.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Casa onde morava a idosa é de taipa e ficou destruída

Agora as famílias que estão na escola Afonso Mafrense vivem uma nova preocupação. Eles podem ser transferidos para um clube localizado na zona Norte, para que a escola retorne com as atividades.

"Recebemos essa informação que podemos ser transferidos para um clube, o que não aceitamos. Aqui pelo menos temos um pouco de privacidade, pois ficamos nas salas de aula, agora em um clube, ficaríamos todos juntos e não queremos isso. Nossa situação só iria piorar e só queremos que tirem a gente dessa situação", relatou.

Sem perspectiva de ajuda

Para algumas famílias, não existe nenhuma perspectiva de ajuda ou de um futuro melhor. É o caso de Ingrid Tainara Ventura Passos, de 25 anos, que está morando desde o dia 5 de janeiro na Escola Municipal Nova Brasília, após a sua casa no Residencial Lindalma Soares ter sido invadida pela água da chuva.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Ingrid e os filhos moram em uma sala de aula

Ela trabalhava fazendo e vendendo bolos e dindin. Com a chuva, ela ficou desabrigada com um filho de 1 ano e a filha de 3 anos. Agora ela não consegue ver como vai sair dessa situação.

"Perdi o meu forno, ele não presta mais, então não tenho como fazer bolos para vender. Para fazer dindin, é um gasto de R$ 180 a R$ 200 por mês, e eu não tenho nenhum dinheiro agora. Só tenho ajuda do auxílio emergencial, e do pai dos meus filhos, que quando pode, ajuda, mas só mesmo isso. Então no momento eu não estou conseguindo trabalhar, só cuidar dos meus dois filhos”, relatou.

Ingrid explicou que até o momento a prefeitura não deu qualquer posicionamento sobre como vai ficar a situação dessas famílias, que estão há 3 meses no local.

“Eles nunca disseram se vão nos ajudar, ou quando isso vai acontecer, porque a minha casa não presta mais. Entrou água em toda a casa, por vários lugares, ela não presta mais. Ficou destruída. Ou eles ajeitam essa casa ou vou para outro lugar. Sinceramente, se fosse só eu, não estaria mais aqui nessa escola, ficaria em qualquer lugarzinho, mas eu tenho dois filhos, que precisam de um local mais seguro. Além disso, me preocupo, dividimos aqui o espaço com várias famílias, é um convívio que temos que ter, tem a questão da segurança, os muros são baixos, aqui é apenas uma porta, sempre tem alguém que sai e deixa a porta aberta, então são várias as preocupações”, destacou.

Prefeitura se manifesta

De acordo com a Prefeitura de Teresina, já está sendo realizado um levantamento sobre a situação das casas das famílias desabrigadas, para saber se vão ser demolidas, realizados reparos ou uma nova construção.

"Todas as moradias abaixo da cota de inundação serão demolidas por apresentarem risco absoluto. As casas que estão acima da cota de inundação serão avaliadas para saber se há condições de receber as famílias de volta. Certamente, algumas delas passarão por reparos", informou.

A prefeitura disse ainda que a demora acontece porque após o levantamento, deve ser realizada uma licitação, com o cumprimento dos prazos legais.

Segundo a prefeitura, com o retorno das aulas presenciais, 36 famílias que estão acolhidas em três escolas deverão sair desses locais e serão encaminhadas para outros prédios.

"Tais mudanças de prédios são formas emergenciais de enfrentamento as situações de desabrigamento, causado pelas chuvas este ano e medidas efetivas estão sendo estudadas", informou a prefeitura.

Nota da Semduh

Atualmente, estamos com 775 famílias acolhidas. Apenas 10% estão nas escolas. O restante está no Programa Cidade Solidária.

As escolas precisam ser liberadas para as aulas presenciais. Para que isso aconteça, a Prefeitura de Teresina está fazendo um levantamento das moradias deixadas no período das enchentes. 

Todas as moradias abaixo da cota de inundação serão demolidas por apresentarem risco absoluto. As casas que estão acima da cota de inundação serão avaliadas para saber se há condições de receber as famílias de volta. 

Certamente, algumas delas passarão por reparos. 

As famílias que não podem retornar para suas casas receberão moradias definitivas. A PMT está dando andamento a projetos habitacionais nas zonas Norte e Sul para a construção das moradias.

Porém, a construção passa por licitação e os prazos legais devem ser cumpridos, por isso existe demora. 

Mas o processo é contínuo e o Prefeito Dr. Pessoa está garante que entregará essas moradias o mais breve possível.

 

Nota da Semcaspi

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) reforça que, atualmente, a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) tem acolhido em seis espaços as 56 famílias, que moravam em áreas de risco. 

No entanto, devido a necessidade de acontecer aulas presenciais, as 36 famílias que estão acolhidas em três escolas deverão mudar de prédio. A previsão é que até a próxima semana as famílias sejam acolhidas em outros prédios.


Na segunda-feira (4), iniciou a conscientização e conversação com as 36 famílias. As que estão acolhidas: Escola Municipal Minha Casa; Escola Municipal Nova Brasília e Escola Municipal Domingos Afonso Mafrense. Como sugestão, foram apontados dois espaços: O CEU Norte e o Centro de Convivência NAI Wall Ferraz, que ficam também na zona Norte. Um terceiro lugar, no caso a sede do Clube Comunitário, está sendo negociado como uma outra proposta. 


A Semcaspi afirma que tais mudanças de prédios são formas emergenciais de enfrentamento as situações de desabrigamento, causado pelas chuvas este ano e medidas efetivas estão sendo estudadas pela Prefeitura Municipal de Teresina e pela Secretaria Municipal de Habitação (Semduh).

 

Bárbara Rodrigues
[email protected]

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