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Em busca de consistência, Fluminense recebe o Inter na estreia de Mano

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Da sequência de vitórias em um passado recente a uma equipe que gera dúvidas e críticas. Após a conquista do Campeonato Carioca, o Fluminense teve atuações aquém das esperadas e aponta a necessidade de ajustes, em meio a novos testes do técnico Abel Braga.

Foto - Lucas Merçon/Fluminense F.C.

Em busca de maior consistência, o tricolor carioca recebe neste sábado (23), às 19h, no Maracanã, o Internacional, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O jogo marcará a estreia do técnico Mano Menezes no comando do clube gaúcho.

Apesar da vitória sobre o Vila Nova, na última terça-feira, pela Copa do Brasil, o Fluminense não realizou uma boa apresentação e, não à toa, chegou a ser vaiado pela torcida. O desempenho decepcionante, principalmente no primeiro tempo, não foi totalmente novidade. Contra o Junior Barranquilla, pela Sul-Americana, e Cuiabá, no Brasileiro, o desempenho foi de nível parecido.

Na competição continental, a performance custou caro e a delegação voltou ao Brasil com uma derrota por 3 a 0 na bagagem. Já em Mato Grosso, o triunfo veio apenas nos minutos finais da partida, com um gol contra do zagueiro Paulão.

Com a maratona de jogos, Abel tem feito o elenco girar para evitar lesões. O treinador realizou mudanças e busca alternativas para o time engrenar novamente, havendo, inclusive, alterações no esquema tático.

Nas duas últimas partidas, o clube tricolor, que vinha jogando no 3-5-2, adotou a linha defensiva com quatro jogadores, e tendo desenhos diferentes do meio para frente, de acordo com as peças escaladas.

Atualmente, Felipe Melo, que vinha atuando como homem central na linha de três zagueiros, se recupera de uma lesão no joelho direito.

Neste recorte, dois pontos chamam mais a atenção: a transição e a criação. Se antes o Flu era uma equipe que conseguia ter uma ligação sólida entre os setores e uma boa saída, agora aponta certa dificuldade e comete falhas diante do desentrosamento.

A criação, por outro lado, já havia sido debatida neste ano, quando a formação inicial não contava com o meia, e volta à tona no atual cenário.

"O Abel tem estratégia, passou para a gente. Nos primeiros minutos a gente acabou sofrendo, às vezes não sai do jeito que a gente quer, às vezes o adversário surpreende. O Abel está mesclando bastante, alternando situações de jogo. 

Nós estamos usando todas as estratégias para ganhar. Fora de casa, dentro, a gente tenta ganhar. Mas não dá para ganhar de qualquer jeito, futebol está muito difícil.

Prefiro enaltecer nosso segundo tempo porque foi uma virada muito boa", disse Fred, que concedeu coletiva após o duelo da última terça-feira.

Depois do triunfo sobre o Cuiabá, que aconteceu depois do confronto em Barranquilla, Abel apontou que as mudanças feitas ao longo da partida foram para não "não cometer o erro duas vezes". O cenário, porém, acabou se repetindo, desta vez contra o Vila Nova.

"Eu cobro muito meu jogador, mas eu me cobro muito. Eu devia ter feito algumas mudanças no jogo da Sul-Americana. Não que tenhamos um plantel grande, temos jogadores com qualidade e poderia ter trocado para oxigenar mais como fiz hoje.

Não vou cometer o mesmo erro duas vezes. (...) Eles tiveram uma intensidade maior. Controlamos melhor. Qual defesa que o Fábio fez? Nenhuma. Fico feliz pelos jogadores, porque eu acertei na estratégia, podia ter errado aqui e estar confessando".

DESAFIOS DE MANO

Apresentado como técnico do Inter na última quarta-feira (20), o treinador Mano Menezes chega com atribuições imediatas na equipe e precisa apressar os processos em meio a jogos decisivos.

O técnico disse, em sua entrevista coletiva de apresentação, que não é um treinador que chega com uma receita pronta de como montará sua equipe. Para tirar o melhor do grupo do Inter, o plano é, primeiro, simplificar ações.

Dando ao elenco atribuições possíveis de serem atingidas no estágio atual de comando, ele crê que poderá encurtar a distância até o melhor rendimento.

"Eu sempre penso o futebol primeiro na parte tática. Uma equipe bem organizada taticamente se faz recuperar muita coisa. E quando as coisas precisam ser recuperadas, simplificar é o caminho inicial. Colocar as coisas nos seus devidos lugares", disse Mano.

"Se tem 10 coisas complexas que devemos fazer no jogo e não conseguimos nenhuma, no jogo seguinte, se fizermos cinco delas bem, estamos avançando, a confiança já aumenta, e a parte anímica vem junto. Isso é um contexto", explicou.

Para montar o melhor Inter, Mano acredita que não basta simplificar as necessidades do time sem compreender as características de cada jogador. E isso muda muito da observação de fora para o dia a dia de treinos e jogos.

Será conhecendo melhor os atletas e seus comportamentos que o treinador irá definir um perfil de time, uma ideia de jogo que todos consigam realizar o quanto antes e com sucesso.

Todo o plano coletivo serve para catapultar individualidades e reconquistar a torcida. Se a realidade de 2022 tem sido de vaias e cobranças pelo rendimento abaixo do esperado do Inter, Mano Menezes mira alterar o cenário com crescimento e resultados.

"Se as coisas estão bem, o torcedor vem com a equipe. A parte anímica de um jogo muda completamente, principalmente se estamos jogando como mandantes", disse.

Para Mano, o crescimento coletivo pode acabar com as insistentes vaias contra alguns atletas. Casos de Moisés, Rodrigo Dourado e Wesley Moraes, que recentemente foram cobrados pela torcida no Beira-Rio.

Na manhã desta sexta (21), o treinador fez um treinamento fechado e manteve mistério sobre a escalação.

Mas é provável que o Inter entre em campo com o seguinte time: Daniel; Fabricio Bustos, Rodrigo Moledo, Gabriel Mercado e Renê; Gabriel, Liziero, Edenilson, Mauricio e Carlos de Pena (Wanderson); Wesley Moraes (David).

Já os donos da casa devem ir a campo com: Fábio; Nino, Manoel e David Braz; Calegari, André, Yago Felipe (Martinelli), Paulo Henrique Ganso e Cris Silva; Jhon Arias e Germán Cano.

Fonte: UOL/FOLHAPRESS

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