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Mães relatam angustia de filhos após professor ser denunciado por estupro em escola

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Foto: Renato Andrade  / Cidadeverde.com 

A investigação sobre um suposto estupro ocorrido nas dependências da escola no bairro Angelim, zona Sul de Teresina, levou pais, professores e representantes da Semec (Secretaria Municipal de Educação) a se reunirem na manhã desta segunda-feira (25).  

O secretário de Educação, Nouga Cardoso esteve presente na reunião e anunciou a suspensão das atividades na escola até o esclarecimento do fato. 

Durante o encontro, mães e responsáveis por alunos da escola relataram a angústia dos estudantes após o caso de estupro envolvendo um aluno de 9 anos ter se tornado público. Cerca de 300 pessoas estiveram no local para acompanhar a reunião, que durou cerca de 3 horas no pátio da escola. 

"Meu filho está com medo. Não quer mais voltar para a escola. Para onde eu vou, ele quer ir atrás. Estou com medo por ele", disse aos prantos a dona de casa Solange Maria, que tem um filho de 10 anos que estuda na escola. 

Tainara Kellen, tia de duas crianças que estudam no local, criticou a direção da escola e acusou a diretora de omissão no caso envolvendo o professor. 

"A diretora mandou a criança calar a boca e apoiar o crime do professor. Agora fica dizendo que a escola não tem culpa. Tem culpa sim. Nós queremos justiça. Ele vai pagar é na cadeia, não é fora não para ele aprender o que ele fez. O que ele fez com uma criança de 9 anos não se faz não. Ele vai pagar", afirmou Tainara Kellen. 

Foto: Renato Andrade  / Cidadeverde.com 

Outra mãe, que prefere não se identificar, disse que o filho também de 9 anos já falou para ela que não gostava do professor de matemática dele. "E eu estranhei porque meu filho não é nem de falar. Ele fica calado e é obrigado eu ficar perguntando como foi o dia. Quando ele disse isso, fiquei com medo", afirmou a mãe da criança. 

Fabiana Sousa, moradora do Bosque Sul, também esteve na reunião e afirmou à reportagem que assim que tomou conhecimento do fato ficou receosa pelo filho que estuda na escola porque próximo do seu bairro não há uma escola municipal. 

"Uma vez ele chegou em casa reclamando de dores. Disse que tinha caído. Só depois descobri que era dengue. Mas, depois de tudo que a gente soube, não tem como não ficar com receio", acrescentou a Fabiana. 

Diretora rebate denúncia de omissão 

Um dos professores de matemática da unidade escolar passou mal durante a reunião. Isso porque, segundo relato de uma das diretoras da escola, uma mãe pegou uma foto dele e espalhou nos grupos, atribuindo a ele a acusação de estupro. 

A diretora adjunta da escola, Eliziane Gonçalves, rebateu as acusações de que a escola foi omissa no caso de estupro.

Foto: Renato Andrade  / Cidadeverde.com 

"Não aceito ninguém me responsabilizar por um crime hediondo. Porque eu não sou bandida. Eu sou uma cidadã. Eu não tenho uma passagem pela polícia. Eu tenho 19 anos de profissão. A gente não pode tentar justificar um crime cometendo outros crimes, de injúria, difamação", frisou a diretora adjunta. 

Câmeras auxiliam na investigação 

Segundo Eliziane Gonçalves, a escola não tomou nenhuma providência antes porque não sabia do caso. A diretora adjunta garante que a equipe pedagógica da unidade escolar só tomou conhecimento do caso através da polícia. 

"Nós não fomos procurados pela família da criança. Então, não tínhamos como agir se não sabíamos e as câmeras vão provar. Porque nós, como escola, desde o momento que a polícia nos visitou, nós colaboramos com a delegada", completou a diretora Gonçalves. 

A polícia já esteve na escola colhendo depoimento e imagens de câmeras de segurança que auxiliaram na elucidação do caso. 

Segundo o assessor jurídico da Semec, Antonio Meneses, a secretaria vem acompanhando desde o dia que foi notificada pela escola. Pedimos que a delegada tivesse as devidas cautelas, porque precisamos resguardar a criança. quando a delegada nos oficiou, dizendo que teríamos um nome, imediatamente afastamos o professor, e encaminhamos para o setor de acompanhamento. 

Foto: Renato Andrade  / Cidadeverde.com 

O professor suspeito é efetivo e está afastado até que o caso seja solucionado. 

Sem novas vítimas

O Conselho Tutelar da região está acompanhando o caso e diz que até o momento nenhum outro pai ou responsável chegou a procurar o conselho para denunciar algum novo caso de estupro. 

“A situação que mais me chocou o fato de ter acontecido no próprio ambiente escolar. geralmente, os relatório que falam sobre abuso são em casa e as crianças relatam na escola, um caso atípico”, relatou o conselheiro Melquisedeque Fernandes. 

 


Nataniel Lima
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