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Em Teresina, Aílton Krenak fala sobre a nova relação com a vida e o mundo

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Em Teresina, onde participa da programação do projeto “Eu, Oca” promovido pelo Sesc, o escritor Aílton Krenak falou, na abertura do evento nesta sexta-feira (20), sobre a necessidade da humanidade “ter consciência" de  que tem se relacionado de forma errada com a natureza e consigo mesma para uma, para começar a mudar esta realidade.

“Se a gente não sabe que estamos fazendo errado, como vamos fazer o certo? Então tem que saber que estamos fazendo errado. Transformar tudo em mercadoria é um erro grave, porque a vida não é mercadoria [...] O fogão é utilitário, a geladeira, o carro, a vida não. A vida é um dom, ela é para todos, não é mercadoria e não é utilitária”, explicou o ativista.

Krenak permanece na capital até este sábado (21), participando de debates sobre os filmes “Chuva é cantoria na Aldeia dos Mortos” e “Ex-Pajé”, obras que exibem a maneira como as populações tradicionais se relacionam com o sagrado. Na avaliação do artista, o cinema é uma importante ferramenta para mostrar a realidade das aldeias. 

“Mostrar a cosmovisão desses filmes é mostrar o que não estamos acostumados a ver. Tem um acervo hoje feito por autores indígenas, direitos indígenas, personagens indígenas, contando histórias sobre sua própria tradição, que dá para ser feito uma mostra grande de cinema”, afirmou o escritor.

Sobre Aílton Krenak

Aílton Krenak é um dos mais proeminentes intelectuais brasileiros da atualidade e uma liderança histórica do movimento nacional indígena. Nascido em 1953, em Itabirinha (MG), Krenak ganhou notoriedade nacional na década de 1980, no processo de luta pela redemocratização do país, que culminou com a aprovação de uma nova Constituição Federal, em 1988, que assegurou os direitos originários dos povos indígenas brasileiros.

Fundou em 1988 a União das Nações Indígenas e em 1989 o Movimento Aliança dos Povos da Floresta. Dirige o Núcleo de Cultura Indígena (Reserva Indígena Krenak), na região do Médio Rio Doce, MG.

Em 2016 recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde leciona as disciplinas “Cultura e História dos Povos Indígenas” e “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”, em curso de especialização. É também roteirista e apresentador de séries com temáticas indígenas, comendador da Ordem de Mérito Cultural da Presidência da República (2021) e pesquisador convidado da Cátedra Calas-IEAT-UFMG, questionando a lógica urbana e o especismo humano, com a pesquisa “A vida é selvagem”.

Na semana passada, Aílton recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília (UnB). Ele é o primeiro indígena a receber o título pela universidade. O reconhecimento, um dos mais importantes da instituição, é concedido a personalidades que tenham se destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos

Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real

Sobre o projeto “Eu, Oca”

O projeto “Eu, Oca” tem como objetivo valorizar e fomentar a cultura dos povos indígenas, oferecendo à população conhecimento, apreciação e troca de saberes com artistas e pesquisadores originários. A ideia é democratizar espaços com apresentações artísticas, exibição de filmes, debates, exposições, contações de histórias e oficinas envolvendo a temática de povos originários.

O “Eu,Oca” terá a participação de ativistas nacionais, como Aílton Krenak, Daniel Munduruku, Alexandra Krenak e Márcia Kambeba, além de grupos e artistas piauienses, como a cantora Monise Borges, o grupo Caju Pinga Fogo, o grupo de boi Riso da Mocidade, a pesquisadora Aliã Wamiri e o artista visual Jabuh.

Breno Moreno
[email protected]

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