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Maria Rita estreia como compositora em novo álbum

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Foto: Fabricio Pioyani / AgNews

Foi em meio ao tédio do isolamento social que Maria Rita sentiu despontar um interesse que até então não tinha aparecido em seus 20 anos de carreira. Pela primeira vez, a paulistana resolveu se arriscar como compositora. O desejo, ela conta, brotou quase que de maneira despretensiosa -e no fim das contas, ela não só gostou, como também decidiu repetir a dose.

Com lançamento nesta sexta (19), o EP "Desse Jeito" chega quatro anos após "Amor e Música" -álbum que firmou de vez a cantora no samba- e marca a estreia da artista como compositora, algo que ela diz ter rejeitado durante anos já que, "como uma virginiana nata", se cobrava demais.

A"Compor é uma responsabilidade muito grande. Sempre disse, que se for para ser uma compositora mediana, prefiro, então, nem começar", diz a cantora, que apresenta duas músicas autorais em seu novo disco.

Em "Por Vezes", a filha de Elis Regina canta ao lado de Thiaguinho, numa letra repleta de referências a uma sensualidade romântica e que é embalada num amor platônico. Já em "Canção da Erê Dela", a cantora convida Teresa Cristina para dividir o microfone e celebrar elementos do candomblé.

Maria Rita conta que "Canção da Erê Dela" surgiu de maneira tão orgânica que chegou a pensar que a música já existia. Foi então que ligou para o arranjador Pretinho da Serrinha para perguntar qual era aquela canção, que não saía da cabeça dela.

O músico sugeriu que a obra fosse de autoria da própria cantora, mas ela continuou em dúvida e, novamente, foi tentar buscar respostas. Logo percebeu que a suposição do amigo estava correta.

"Quando fui ver, era minha mesmo. Não sei como apareceu, mas veio com um pedaço de melodia e de letra", afirma a sambista. "Depois de um tempo, fui para a casa do Pretinho [da Serra], e eu, ele e a Rachell Luz compomos o resto."

Já em "Por Vezes" Maria Rita estava, digamos, mais calejada. Ainda que não tenha composto o arranjo, foi ela sozinha quem escreveu a letra e, dessa vez, sem pausas. "Veio tudo de uma vez só."

"Não tenho como negar que essa vontade de compor esteja crescendo", diz, ao afirmar que pretende continuar compondo em seus próximos projetos.

Ela conta ainda que, pouco tempo atrás, depois de o EP ser produzido, veio outra ideia de música, o que a forçou a estacionar o carro que dirigia para anotar tudo o que vinha à mente. "Está acontecendo e vai acontecer. É como uma paixão, algo inevitável", diz.

Não foi só o hábito de compor que floresceu na artista durante o confinamento da pandemia. Ela diz que, embora estivesse "desmiolada" no período, sem ânimo para pensar muito em novos projetos, passou a ouvir músicas ao vivo de sua discografia.

"Eu realmente não tenho o costume de me ouvir, mas comecei a revisitar bastante meus álbuns ao vivo -e só os ao vivo, talvez pela saudade do palco."

Fora as composições da artista, o novo disco traz também os sambas "E Eu?", "Desse Jeito", "De Bem Com a Vida" e "Correria". Segundo Maria Rita, o EP não só é reflexo de sua nova fase, como também um aceno a discussões latentes no Brasil atual.

"Há conversas difíceis, mas que precisam ser feitas. Por exemplo: o que é, afinal, uma mulher branca cantando sobre axé num disco de samba?", questiona.

A cantora diz ainda que "Desse Jeito" vai na direção oposta da ideia de que samba é sinônimo de alegria e festividade. E em vez disso, evoca também o lado doloroso do gênero, como na canção "Correria", em que ela traça dificuldades vividas por sambistas ao longo da carreira.

"Sinto muito que existe uma narrativa generalizada de que o samba é, necessariamente, alegria. Mas o samba tem uma história de apagamento e de resistência. Tem muita letra triste. O samba não é só um copo de cerveja no domingo à tarde."

Fonte: Folhapress

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