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Estudo investiga se fármaco para diabetes reduz problema cardíaco em pessoas obesas

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Foto: Freepik

 

Um novo estudo em andamento busca entender se a semaglutida, princípio ativo de um remédio com autorização no Brasil para tratamento de diabetes tipo 2, tem efeitos positivos na redução de doenças cardiovasculares em pessoas com obesidade.

No total, mais de 17 mil pessoas participaram da pesquisa ao redor do mundo -cerca de 600 são do Brasil.

A semaglutida inicialmente foi pesquisada somente para tratamento de diabetes tipo 2. Mas benefícios da substância foram observados para outras condições, como a obesidade e redução de complicações cardíacas.

O princípio ativo tem algumas ações no organismo que colaboram na perda de peso. Uma delas consiste em aumentar a sensação de saciedade e reduzir o apetite. Como resultado, o paciente emagrece. Pesquisas já observaram a redução de cerca de 15% do peso após 68 semanas de uso do remédio.

"O que nós tínhamos de medicamento até hoje para tratamento de obesidade era pouco efetivo. Quer dizer, perdiam pouco peso e tinham uma coleção de efeitos colaterais", afirma Otávio Rizzi, cardiologista e professor da Unicamp (Universidade de Campinas).

Também existem evidências de que a semaglutida tem efeitos positivos para redução de complicações cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2. A obesidade tem forte associação com o desenvolvimento de problemas cardíacos por causar o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos.

De forma parecida, o excesso de peso também influencia o aparecimento de diabetes, doença que representa risco para complicações cardíacas. "Ser diabético mais do que dobra a chance de infarto e derrame", afirma João Monteiro Ferreira, presidente do conselho administrativo da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).

Por isso, o tratamento adequado de diabetes e obesidade significa uma diminuição nas complicações cardíacas.

A relação entre essas condições já é mais bem explorada entre as especialidades médicas. Um exemplo foi o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, na sigla em inglês), que aconteceu em Barcelona, onde eventos foram organizados para abordar a associação entre diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares.

"Entre nós, cardiologistas, não nos preocupávamos com o controle da obesidade porque não sabíamos fazer isso. Era restrito a endocrinologistas, que também não tinham grandes resultados. Agora passou a ser um problema meu. Eu tenho uma imensa quantidade de pacientes que infartaram, têm insuficiência cardíaca ou hipertensão e que são obesos", diz Rizzi.

Até então, todos os estudos que investigaram os efeitos da semaglutida contaram com pacientes com diagnóstico positivo para diabetes. Agora, a nova investigação -chamada de Select (efeitos da semaglutida na doença cardíaca e acidente vascular cerebral em pacientes com sobrepeso ou obesidade)- quer observar os resultados para complicações cardíacas naqueles somente com obesidade.

Embora existam expectativas de que a semaglutida também resulte em benefícios cardíacos no caso de pacientes não diabéticos, ainda são necessárias novas evidências científicas, como os resultados do Select que deve sair no final de 2023.

Sem definição Até o momento, o medicamento com a semaglutida como princípio ativo comercializado no Brasil é o ozempic. Ele só tem indicação para tratamento da diabetes tipo 2.

Um pedido já foi protocolado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a fim de autorizar a comercialização do wegovy, versão com uma dosagem diferente da semaglutida e que tem indicação para tratamento da obesidade.

Segundo a Novo Nordisk, fabricante dos remédios e financiadora do estudo Select, a expectativa é que a análise da agência sobre o wegovy termine até o início de 2023. Atualmente, ele é comercializado somente nos Estados Unidos.

Por ainda não ter remédio autorizado para tratamento da obesidade, o uso da semaglutida para esse fim no país é considerado como off label (quando se receita um medicamento com finalidade diferente daquela vista na bula).

A Novo Nordisk afirma, em nota, que "não endossa ou apoia a promoção de informações de caráter off label".

Posicionamento parecido é apontado por Rizzi. "Só vale o que está escrito. Enquanto não estiver em bula, não vale. Mesmo que outros países já tenham aprovado, enquanto a nossa agência reguladora não falar que é, não é."

 

Fonte: Folhapress

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