Cidadeverde.com
Entretenimento

Festival de Violeiros é retomado e homenageia João Claudino

Imprimir

Foto: Renato Andrade/ Cidadeverde.com

O Festival de Violeiros Norte Nordeste chega a 47ª edição e será retomado nos dias 09 e 10, respectivamente sexta e sábado, após ser interrompido durante a pandemia. O evento acontece no Teatro de Arena, situado na Praça da Bandeira, Centro de Teresina, e reúne o melhor da cultura do repente e do cordel. Neste ano será homenageado o empresário João Claudino Fernandes, que era um dos grandes incentivadores do espetáculo e faleceu em março de 2020.

"Nunca vamos esquecer que João Claudino Fernandes, tanto o pai como o filho (João Claudino Júnior), são duas pessoas idênticas que coincidem não apenas no nome, mas nos sentimentos, nas ideias, no pensamento de não deixar morrer a literatura de cordel. Ele está capiteneando aquele sentimento do pai", disse Pedro Mendes Ribeiro, coordenador do evento.

Ele destaca a importância do Festival de Violeiros para a cultura internacional. "É uma contribuição à cultura internacional e não apenas ao Brasil e ao Piauí, pois foi o primeiro Festival de Violeiros Norte Nordeste feito em Teresina, sob a nossa direção, que resgatou no mundo a literatura de cordel que estava morrendo. É aí que ressurge o improviso, que renasce para o mundo essa cultura fantástica que haverá de continuar por séculos", disse Ribeiro.

Foto: Renato Andrade/ Cidadeverde.com

Questionado sobre a arte do repente, Pedro Mendes  diz que "só Deus explica". 

"Só Deus poderia explicar. O repente não depende de cultura. Você pode ser o homem mais culto do Brasil que não consegue fazer uma sextilha de improviso, quanto mais os mais diferentes estilos de cantoria. O martelo agalopado, que é uma estrofe de dez versos com dez sílabas, poucos repentistas podem fabricá-lo com a perfeição que a técnica e a métrica exigem. Como repentista que sou, a gente nunca sabe o que vai sair do intelecto quando está improvisando", disse Pedro Mendes que lamentou a morte de muitos amigos repentistas. 

"Morreram muitos violeiros, 15 a 20% foram para o convívio com Deus, e a outra classe envelheceu bastante e quando se chega ao limite de idade, se chega também ao limite do improviso porque o repente é a criatividade, é aquilo que se faz na hora, que vem do mais profundo dos sentimentos", disse o coordenador do festival. 

Graciane Araújo
[email protected]

Imprimir