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Explosão de aquário em Berlim fez chão tremer como em um terremoto

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A explosão de um gigantesco aquário em um hotel no centro de Berlim na última sexta-feira (16) causou tremores sísmicos equivalentes aos de um terremoto de magnitude 1,2, afirmou o site Erdbeben News, que mapeia fenômenos do tipo.

Uma postagem da plataforma nas redes sociais mostra os registros de dois sismógrafos, localizados a 8 e a 14 quilômetros do hotel Radisson Blu, palco do incidente, no horário em que o aquário se rompeu. Ambos mostram um pico dos registros às 5h43 do horário local alemão, exatamente o momento em que um grande estrondo acordou os hóspedes do hotel e vizinhos dos arredores.

À frente do site, o geofísico Jens Skapski afirmou que os tremores foram causados pelo fato de que as quase mil toneladas de água do aquário foram lançadas de uma grande distância do chão –a estrutura media quase 16 metros de altura, e era considerada uma das maiores cilíndricas independentes do mundo.

A percepção casa com a de pessoas que estavam próximas do hotel no instante do incidente. Marielle Tierney, 46, contou à Folha que na hora achou que uma bomba tivesse caído perto de seu apartamento, vizinho ao hotel. A americana, que atua como voluntária recebendo refugiados ucranianos na estação central de trem de Berlim, comparou os danos causados pela explosão aos de um tsunami.

 

 

Duas pessoas foram feridas por estilhaços do vidro do aquário, incluindo um funcionário do Radisson Blu. Cerca de 350 hóspedes do hotel deixaram o local a pedido das equipes de emergência, e o estabelecimento interrompeu as atividades indefinidamente.

Chamado de AquaDom, o aquário ainda se tornou alvo de críticas de ativistas ambientais, que organizaram uma vigília pelos cerca de 1.500 peixes exóticos que habitavam o local no início da tarde de sábado (17). 

Cerca de dez manifestantes se posicionaram na calçada em frente ao Radisson Blu –localizado perto de outros pontos turísticos, como a Catedral de Berlim, a Alexanderplatz e o Portão de Brandemburgo– com cartazes que diziam: "Peixes são amigos, não decoração" e "Descanse em paz, família de peixes-borboleta". Os participantes ainda puseram velas acesas na calçada.

Embora a prefeitura tivesse a princípio alegado que nenhum dos animais sobreviveu à explosão, a equipe municipal de bombeiros afirmou ter conseguido salvar o equivalente a três baldes cheios de peixes que haviam resistido em poças espalhadas pelo local.

Além disso, o jornal local Berliner Zeitung reportou que cerca de 630 animais marinhos foram resgatados de tanques de procriação localizados sob o saguão do hotel. Sua sobrevivência não era certa, uma vez que a explosão afetou a energia do edifício, e a falta de eletricidade interrompeu o fornecimento do oxigênio de que eles necessitavam.

Segundo a DW, as espécies de água doce foram levadas para o Zoológico de Belim, enquanto as de água salgada foram transferidas para a Sea Life. Embora esteja localizada no mesmo complexo de lazer do hotel em que ocorreu a explosão, onde havia ainda um museu, lojas e restaurantes, a sede berlinense da rede de aquários não sofreu danos.

A causa da explosão ainda é desconhecida, mas uma das suspeitas das autoridades é de que as baixas temperaturas tenham provocado rachaduras na estrutura, que acabou cedendo à pressão das mil toneladas de água. Há suspeitas ainda de que tenha havido fadiga de material. A Reynolds Polymer Technology, empresa americana responsável por construir e instalar a janela de acrílico do aquário, enviou uma equipe de especialistas ao país para investigar as causas do incidente.

O AquaDom foi fechado para reformas em outubro de 2019. Devido à pandemia de Covid-19, seguiu fechado por quase três anos, até junho deste ano. Segundo a empresa que o administra, o aquário abrigava espécies que vão de peixes-palhaços, como o do filme "Procurando Nemo", a cavalos-marinhos, águas-vivas e arraias.

Fonte: Folhapress

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