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Fila para se despedir de Pelé na Vila Belmiro chega a mais de 1 km

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Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

O motoboy Lucas de Oliveira dos Santos, 33, aproveitou a folga desta segunda-feira (2), colocou o filho Davi, 8, na garupa e saiu de Itanhaém, na Baixada Santista, para acompanhar o velório do ídolo Pelé, que acontece no estádio da Vila Belmiro, em Santos.

Eles entraram na fila as 11h e a 1 km da entrada no gramado, percurso marcado pela reportagem. Uma hora depois, não haviam percorrido metade do caminho até chegar no gramado da Vila, onde o corpo do Rei é velado desde as 10h. As pessoas têm segundos para olhar o caixão, pois a fila quilométrica não pode parar.

Pai e filho percorreram parte das ruas Dom Pedro 1º e Guararapes, a avenida Bernardino de Campos e a Tiradentes até entrar, enfim, nos quatro zigue-zagues em frente a Vila Belmiro. A reportagem fez o trajeto, caminhando sem parar, por 11 minutos.

"Mas vale a pena", afirma o motoboy.

O sentimento é o mesmo de Davison Souza Santos, 50, que, com dois filhos e um sobrinho adolescentes e o irmão, Dercilio, encarou duas horas no sol, com temperatura de 29ºC e quase nenhuma sombra pelo caminho.

Moradores em São Mateus, na zona leste de São Paulo, os cinco concordam que valeu a pena, tanto que os garotos "roubaram" tufos de grama para levar como recordação.

O também paulistano Luiz Carlos Rugue, que diz ter perdido as contas das vezes que viu Pelé jogar, se preparava para ir ao fim da fila de novo depois de duas horas de caminhada para ver o rosto do Rei, única parte exposta, e a dez metros de distância.

"É pouco por tudo que ele fez por nós", disse.

Madrugada A fila cresceu muito durante a manhã. Por volta da 1h, o corredor cercado por grades, por onde passariam os torcedores, tinha cerca de dez pessoas. Entre elas estava o pintor Emílio Carmo, 58, morador na Casa Verde, zona norte de São Paulo.

Ainda criança, assistiu ao um jogo do Santos no antigo estádio Palestra Itália, na Pompéia, zona oeste. E nunca mais deixou de ser santista. "O Santos empatou em 1 a 1 com o Palmeiras, com gols de Pelé e Ademir da Guia, olha que privilégio eu tive", afirmou o torcedor que chegou na fila por volta das 11h de domingo.

 

 

Foto: Agência Enquadrar/Folhapress

Atualizada às 10h20

O adeus ao Rei do Futebol necessitou paciência e protetor solar. Quatro filas em zig-zag em uma das laterais do estádio da Vila Belmiro, em Santos, marcaram o início do velório de Pelé, às 10h desta segunda-feira (2). Amigos e parentes foram os primeiros a entrar.

O corpo do ex-jogador, morto na última quinta-feira (29), chegou ao estádio que o projetou ao futebol as 4h54, após duas horas de cortejo desde o Hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo.

Integrantes de uma torcida organizada soltaram fogos na chegada do corpo em carro funerário escoltado por batedores e carros da polícia. Ao redor do estádio há várias faixas em comércios e casas em homenagem a Pelé.

Desde então, a fila foi crescendo lentamente até torcedores e fãs chegarem em peso, a partir das 8h30.

Há cerca de mil jornalistas credenciados entre brasileiros e estrangeiros, como ingleses, italianos, mexicanos e de países sul-americanos.

O caixão foi colocado em uma tenda no meio do gramado por volta das 9h30. O ex-atacante Pepe, parceiro histórico de Pelé com a camisa do Santos, foi um dos primeiros a se aproximar.
Pouco antes, o sistema de som da Vila tocou o hino do Santos e uma música cantada pelo Rei, em que ele dizia que era o Pelé e que havia vindo de Três Corações (MG).

O velório vai sem interrupção, até as 10h desta quarta (3), quando sairá o cortejo pelas ruas de Santos, passando pelo Canal 6, onde mora dona Celeste, mãe de Pelé.

Matéria Original 

O corpo de Pelé chegou à Vila Belmiro, em Santos, na madrugada desta segunda-feira, 2, para o velório em que os fãs, amigos e convidados darão o último adeus ao Rei do Futebol. O carro com o caixão entrou por um dos portões do estádio às 3h55. A cerimônia será aberta ao público às 10h e se estende até as 10h de terça-feira.

O traslado começou às 2h, quando deixou o hospital Albert Einstein, no bairro do Morumbi, em São Paulo, e terminou às 3h55, com a chegada à Vila Belmiro em carro fechado da funerária O trajeto, de 80 km, foi percorrido via rodovia Anchieta com escolta especial feita pela tropa de choque da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal.

A chegada do corpo do Rei ao palco em que tanto brilhou foi acompanhada de perto por um grupo de fãs - alguns deles dormiram na fila - e torcedores organizados do Santos, que renderam homenagens com fogos de artifícios, bandeiras e aplausos, além de jornalistas brasileiros e estrangeiros. São mais de mil jornalistas credenciados, de todos os continentes. O Santos não faz estimativa de público. O carro preto da funerária com o corpo de Pelé entrou de ré pelo portão 4 do estádio.

Os acessos às ruas próximas ao estádio foram bloqueados para o tráfego de veículos a partir da meia-noite desta segunda, com abertura prevista para as 12h de terça.

O velório do maior jogador de futebol de todos os tempos tem início sob rígido protocolo de segurança em razão do grande fluxo de autoridades, convidados e fãs. Como no funeral da Rainha Elizabeth 2ª, no Reino Unido, não será permitido parar perto do caixão, nem fotografá-lo. O fato de o corpo ter sido embalsamado e ficado em área refrigerada no hospital permite que o caixão fique aberto durante a cerimônia.

Foram instaladas duas tendas no gramado do estádio. Uma menor, a principal, comporta aproximadamente 100 pessoas, e será destinada a familiares e ídolos eternos do Santos, como Pepe e Mengálvio.

O caixão com o corpo de Pelé ficará disposto embaixo da tenda menor, no centro do gramado, entre as cadeiras. Foram postos tablados dos dois lados de fora da tenda para a passagem de fãs, com distância de cinco metros para o caixão. A outra tenda, maior, vai receber autoridades e convidados, que poderão entrar na tenda principal caso a família libere.

A PM informou que disponibilizou estrutura "robusta" de meios e contingentes policiais para o velório e afirmou que, além do policiamento territorial de Santos, destinou equipes da Rota e do Batalhão de Choque para reforçar o patrulhamento na cidade, além de helicópteros Águia.

Também disse que destacou agentes do Comando de Policiamento da Capital, do Policiamento Metropolitano, do Policiamento do Interior-6 (Santos), do Policiamento de Choque, do Policiamento Rodoviário, do Policiamento de Trânsito, do Comando de Aviação da PM e do Corpo de Bombeiros.

Personalidades do esporte e ídolos dos Santos, como Pepe e Mengálvio, estarão presentes. Entre autoridades, Gianni Infantino, presidente da Fifa, Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, e Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol já confirmaram presença.

Outras autoridades, entre chefes de Estado e convidados, também darão presencialmente o último adeus a Pelé. É esperado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaje de Brasília a Santos para o funeral, que será o primeiro evento da agenda oficial na presidência. A tendência é de que Neymar fique em Paris e não venha ao velório.

Terminado o velório na Vila Belmiro, o corpo será levado em cortejo fúnebre até o canal 6 (Avenida Joaquim Montenegro) onde mora a mãe de Pelé, Celeste Arantes, com o trajeto feito na ida pelo canal 2 e praia e retorno pela praia até o Canal 1, até chegar ao Memorial Necrópole Ecumênica, para o sepultamento, reservado a familiares.

A previsão é de que o corpo chegue ao cemitério às 12h e a cerimônia comece às 14h. Ele será enterrado no mausoléu que fica no primeiro andar do Memorial, homologado há mais de 20 anos como o mais alto cemitério do mundo.

Pelé morreu na última quinta-feira, 29. Seu atestado de óbito apontou insuficiência renal, insuficiência cardíaca, broncopneumonia e adenocarcinoma de cólon como causas da morte. Ele lutava contra o câncer de cólon havia mais de um ano.

 

Fonte: Estadão Conteúdo e Folhapress (Fábio Pescarini) 

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