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Estudos sugerem relação entre alta de casos de dengue em Teresina e aumento da temperatura

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Foto: Arquivo Cidadeverde.com

Por Roberto Araujo

Estudos que basearam a formação do Plano de Ação Climática de Teresina sugerem relação entre o aumento da temperatura na capital piauiense à alta de casos de dengue e outras doenças transmissíveis por mosquitos

A gerente de biodiversidade da I Care Brasil, Débora Luiza, que participa da programação do ClimaTHE, fez parte da elaboração do plano e citou que o aumento da temperatura tem favorecido a uma diminuição do tempo de maturação dos ovos, que posteriormente viram as larvas que originam o mosquito Aedes Aegypty, o vetor da dengue.

"Do ovo até o indivíduo adulto, esse mosquito precisa de uma temperatura ambiente da água de mais ou menos 25º Célsius, e o tempo ali para esse ciclo demora em torno de nove dias. Quando a gente aumenta, a cada dois graus Celsius daquele corpo d'água que fica no resíduo sólido que está com água, a gente reduz esse tempo de maturação do indivíduo. A cada dois graus, a gente consegue reduzir aí para uns sete dias (...) Águas mais quentes, a gente tem uma proliferação maior e mais rápida desses vetores", disse ao Cidadeverde.com.

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Teresina registrou duas mortes por dengue em 2024, de mãe e filho que faleceram em um intervalo de uma semana. As mortes pela doença foram confirmadas pelo Laboratório Central do Piauí (Lacen). No Piauí, já são 11 mortes confirmadas pela doença, sendo que outros cinco estão em investigação.

O coordenador da Agenda 2030 em Teresina, Leonardo Madeira, cita que as mudanças climáticas afetam a biodiversidade de uma maneira geral, e isso tem relação com doenças diversas. Ele cita que, além da dengue, outras arboviroses têm surgido e afetado de uma maneira mais ampla as pessoas.

"Esses estudos vêm avançando e mostrando para a gente que, de fato, as condições climáticas alteram o comportamento desses organismos e dos micro-organismos também. Então, nós temos aí vírus que se utilizam de hospedeiros, temos alguns mosquitos, nós conhecemos bem em Teresina, são iguais ao aedes aegypty, seja o pernilongo, o famoso maruim, vetor da febre Oropouche. A nossa preocupação é que essa alteração piore as condições de arboviroses, ou melhor, na infestação ainda mais de arboviroses pelo nosso território", citou.

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Segundo Leonardo Madeira, o Plano de Ação Climática de Teresina identificou a situação e acionou a Fundação Municipal de Saúde (FMS) para que se possa fazer um planejamento que articule a identificação da proliferação das doenças a outras condições, como falta de saneamento básico, para o enfrentamento adequado à alta de casos.

"Nosso plano de ação climática foi enviado pra Fundação Municipal de Saúde de Teresina para que eles possam compreender todo esse resultado e, juntos, possamos encontrar soluções para o enfrentamento desse cenário atual. (...) Eles [mosquitos] precisam de uma condição ambiente que envolve calor e umidade para que possam se desenvolver e possam se espalhar. Isso associado à ausência de saneamento, piora bastante o quadro. Então, uma das formas da gente tentar reverter esse quadro para além das ações climáticas, é pensar em ações do saneamento. Nós precisamos do saneamento da capital prestando uma melhor gestão de resíduos sólidos, evidentemente, e precisamos deixar nossa capital com uma temperatura um pouco mais adequada pra que a gente não tenha aí o alastramento dessas doenças", citou.

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Dentre as soluções apontadas para diminuir os impactos dos efeitos climáticos e do alastramento das doenças estão adaptações como a coleta seletiva, recolhimento adequado de resíduos sólidos e arborização.

"Conseguir implementar o mais rápido possível coleta seletiva, disposição adequada de resíduos, fiscalização por parte da prefeitura, dos chamados lixões, mini lixõezinhos a céu aberto que a gente tem infelizmente acumulando água em toda cidade e, paralelamente a isso, investir em ações de adaptação pra tornar a cidade mais resiliente. Então investir no saneamento básico, numa coleta apropriada das águas pluviais pra que essa água tenda a acumular menos, e desacelerar o aumento da temperatura da cidade, que eu acho que a arborização tem um papel fundamental nisso", disse.

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