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Peça "Raimunda Pinto" é destaque em festival de Angra dos Reis

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A última quarta-feira de dedicação exclusiva ao teatro na cidade de Angra trouxe temas divertidos do universo feminino e muita diversidade cultural, recebendo aqui, direto da cidade de Teresina, o renomado grupo Harém de Teatro Piauí.


Mil e quinhentas pessoas estiveram presentes à sessão das 20 horas da peça "Mulheres Alteradas", em cartaz em São Paulo, com Luiza Tomé, Daniele Valente, Mel Lisboa, que em Angra foi substituída com louvor pela atriz Tânia Paes, e André Bankoff, o bendito fruto entre as alteradas, que abalou as estruturas do festival, com seu belo par de olhos azuis.


O texto é bem moderninho e busca revelar um pouco da vida estressante da mulher contemporânea. Conflitos pessoais, cobranças profissionais, a questão dos filhos e a eterna luta contra a balança estão lá, lembrando a todo mundo o quanto é difícil ser mulher nos dias de hoje.


Aquelas que se recompensam gastando tudo em comprinhas ou se entupindo de chocolates quando estão tristes, e ainda aquelas cujas filhas mais parecem irmãs, enfim, o retrato das grandes cidades, que pode ser facilmente identificado e relacionados imediatamente a alguma história pessoal.


Além disso, conta muito a favor ter um trio feminino, tocando violoncelo, piano e bateria, ao vivo, acompanhando suavemente o desenrolar das histórias.


Ao final do espetáculo, a atriz Daniele Valente, grávida de dois meses de uma menina chamada Valentina, comentou a emoção que foi saber que os ingressos haviam se esgotado e que nunca tinha recebido tanto carinho assim, de uma só vez.


"Foi uma felicidade só e agradeço muito a Deus por isso. Nossa peça está indo muito bem em São Paulo, onde fazemos apresentação para 700 pessoas. Agora, com esse público que vi aqui, vou achar o teatro de lá pequeno", disse.


Muito simpática, a se deixou fotografar com a mão na barriguinha, já visível apesar do pouco tempo de gestação.


No mesmo clima de descontração, a agradável surpresa vinda do Piauí, "Raimunda Pinto, Sim Senhor", espetáculo que já está em cartaz há 18 anos e que foi aplaudido de pé pelas quinhentas pessoas que assistiram à montagem.


A peça trouxe a linguagem típica das montagens teatrais dos grupos amadores do Nordeste, onde o teatro é feito sem requintes de cenário ou figurinos luxuosos, e o ator mostra a que veio, enfrentando no peito e na raça o público, de frente e sem medo. Pra cabra macho, sim senhor.


Mas o grupo Harém de Teatro Piauí não tem nada de amador, pelo contrário. Apenas busca uma versão mais purista para contar a inusitada história de Raimunda Pinto, uma jovem sonhadora que nasceu com lábio leporino e começa a juntar dinheiro para a cirurgia plástica que mudaria sua vida.


Depois de ir para cidade grande em busca de uma vida melhor, Raimunda descobre outro universo nunca antes sonhado, proporcionando gostosas risadas, e momentos de descontração.


Em cena apenas homens, vestidos de mulher e interpretando papéis femininos dão o tom de deboche do espetáculo. A trilha sonora composta por xotes e xaxados é um capítulo à parte, mais uma peculiaridade que explica a vida longa desse espetáculo, único representante da região Nordeste nessa Festa Internacional de Angra.


Fonte: O Globo

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