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Bastidores do Circo Tihany: um show Espectacular por trás das cortinas

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Vestido com um enorme roupão vermelho, onde havia escrito: King of the clowns (Rei dos Palhaços), com uma mão ele passava um pó cor-de-rosa no rosto, com a outra, desenhava espirais na bochecha que, à primeira vista, não faziam o menor sentido. Henry Zambrano, o enigmático palhaço do circo Tihany, se preparava para o show.
 
Fotos: Thiago Amaral/Cidadeverde.com

Faltavam exatos 5 minutos para o espetáculo quando a equipe do Cidadeverde.com flagrou tal cena. Atrás do palco, o palhaço corria contra o tempo para preparar o rosto que em alguns segundos estaria fazendo a alegria do respeitável público. Enquanto isso, em espanhol, decifrava interessantes detalhes dos bastidores das suas apresentações.
 
Chales Claplin, Hank Mann, Charlie Chase, Chaste Conklin e outros artistas da comédia muda, são a inspiração do Rei dos Palhaços, que se explica: “Eles não falam, assim todos podem entender, em qualquer lugar do mundo. Então, estudo estes artistas, porque assim agrado a todos, sem precisar me fazer ouvir. Emito apenas alguns sons universais, como risadas, e expressões facilmente compreensíveis”.

 
Henry é venezuelano e praticamente nasceu dentro da comunidade circense. Ele é o único palhaço do espetáculo Abrakdabra e entra e sai várias vezes do palco, sempre interagindo com a plateia, que reage à gargalhadas. Para garantir o sucesso dos shows, o palhaço diz que estuda a personalidade do público, expressa no rosto de cada um.
 
“Quando eu desço é para sentir de perto o humor do público. Quando eu olho nos olhos de alguém, eu já identifico se aquela pessoa reagiria bem às brincadeiras ou se traria algum problema. Nunca sofri nenhum ato negativo, exatamente porque sei com quem eu posso brincar”, revelou.

 
E respondendo a uma última pergunta antes da troca do roupão pela conhecida roupa de palhaço, o venezuelano afirmou que para montar uma única cena, é necessária a bagagem de toda uma vida. “Um show é uma colcha de retalhos. Eu pego ideias de todos os momentos que já vivi, de tudo que já vi na vida e faço comédia com eles. Uma apresentação é na verdade uma costura de lembranças”.
 
Dançando com os pincéis


Antes da entrevista de Henry, no camarim em frente, meia dúzia de bailarinas se maquiava entre conversas altas em francês, espanhol e risos. Elas são as primeiras a entrar em cena, mas nem por isso pareciam apressadas. O rosto bem produzido que aparece nas apresentações leva em média 10 minutos para ser concluído, quando se tem a prática do circo.
 
“São 10, no máximo 15 minutos para se fazer uma maquiagem completa, com tudo, sombra, pó, cílios postiços, blush... Só tem que pegar o ritmo, a prática. No começo a gente sempre leva mais tempo”, explicou Cecília Delgado.
 

Cecília é de origem colombiana e uma das que mais aparece nas coreografias de dança do Circo Tihany. Ela já faz parte da turma há 10 anos e contou detalhes da rigorosidade das regras circenses. “A gente se pesa a cada duas semanas, religiosamente. Nem todas temos problemas com peso, mas temos que nos manter nem tão magra, nem tão gorda”.
 
As 24 bailarinas dão o tom de glamour ao circo. Lindas e super em forma, há quem imagine duros exercícios diários. Mas, a realidade é mais leve. “Aqui nós escolhemos como vamos nos exercitar, como vamos manter um peso. Não há muitas regras quanto a isso, você pode fazer academia, caminhar, na rua, qualquer coisa. O importante é manter o peso e a saúde. Aí cada uma segue seu próprio ritmo de atividades”, revelou.
 
 
Equilíbrio e malabarismo
 

No camarim ao lado, só homens. Equilibristas, malabaristas e dançarinos dividem uma salinha com inúmeros figurinos e artefatos do espetáculo. Musculosos e bem mais calados que as mulheres, eles comentavam entre si, num dialeto quase incompreensível, que a plateia estava lotando. “Vamos, vamos, 10 minutos. Está entrando muita gente lá fora”, comunicou o equilibrista Angel Hernandes.
 
Angel, de 24 anos, está no Tihany há 1 ano, mas trabalhou em outros circos desde pequeno, pois vem de uma família tradicionalmente circense. Para ele, já não é difícil se equilibrar em uma corda ou ser lançado pelos ares há 9 metros de altura. Mas, mesmo alguém com tanta prática leva um susto de vez em quando.

 
“Já levei três grandes sustos, enquanto ensaiava o espetáculo. Mas, isso faz parte, é o que eu faço. Uma vez quase caio da corda, por um descuido, e me segurei só com uma mão. Coração disparou. Nunca esqueci esse dia”, relatou, em risos desconcertados.
 
Compõem o Abrakdabra 76 artistas, de 25 nacionalidades diferentes. São venezuelanos, coreanos, americanos, bolivianos, colombianos, brasileiros, etc., que foram selecionados das melhores escolas de circo do mundo. A agitação dos camarins minutos antes de entrarem em cena é um espetáculo a parte. A equipe de reportagem do Cidadeverde.com fez então seu último registro do momento, a primeira bailarina já posicionada atrás das cortinas. É hora do show.



 
Jordana Cury (Especial para o Cidadeverde.com)
redacao@cidadeverde.com
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