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Manifestantes fecham avenida Frei Serafim e picham ônibus

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Desde 10h desta terça-feira (30), estudantes ocupam ruas e avenidas do Centro de Teresina, em especial a avenida Frei Serafim, no segundo dia de protesto contra o aumento da passagem de ônibus. A tarifa foi majorada de R$ 1,90 para R$ 2,10 em decreto da última sexta-feira que passou a vigorar já no sábado. No final da tarde, manifestantes começaram a pichar ônibus e a polícia teve de intervir. 

Fotos: Thiago Amaral/Cidadeverde.com

Entre as pichações, estão ofensas ao prefeito Elmano Férrer (PTB), mensagens em defesa do passe livre, tags usadas em redes sociais da internet para convocar manifestantes, como #contraoaumento e #contraoaumentodapassagem e a frase "fogo nos ônibus". Esta última fez os policiais reclamarem dos estudantes por supostamente incitarem a queima de algum dos veículos - são três parados na avenida Frei Serafim e desde 16h cercados por PMs.

Os gritos de guerra também contam com ofensas ao prefeito, chamado de "ladrão". Em outro momento, alguns gritaram "Prefeito, mas que vergonha. A passagem tá mais cara que a maconha". 


Os manifestantes já fecharam o cruzamento da Frei Serafim com a rua Pires de Castro, foram ao Colégio Sagrado Coração de Jesus, retornaram para a Coelho de Rezende e passaram a obstruir esta e a Pires de Castro novamente. Os veículos andam na contramão para desviarem do protesto e seguirem seus destinos. 

"Eles estão atrapalhando as pessoas que querem ir trabalhar. Isso aí é porque eles não foram educados da forma correta, como deveriam, porque filho meu não participa dessa palhaçada", disse em seu carro a gerente administrativa Maria Isabel, que reclama por desde ontem chegar atrasada no trabalho por conta de jovens "badernando" na rua".

Também parada em seu veículo, a funcionária pública Lúcia Costa discorda. "Eu acho que é certo, porque eu sei que esse valor não é justo. Eu tenho três filhos e pago um absurdo para que eles possam ir para o colégio. Não tenho condições de levá-los todos os dias. Some aí três meias passagens para ir e três para voltar só para poder frequentar a escola".


No protesto de hoje, o clima de irritação é menor com os policiais. O embate ocorre mesmo com veículos que tentam romper o bloqueio dos manifestantes. Em um caso, um policial civil a paisana chegou a ser preso por jogar spray de pimenta em quem estava a sua frente, entre elas a tenente-coronel Júlia Beatriz Pires de Almeida, que intermediava a negociação com os estudantes. Duas motos e uma F250 prata passaram em alta velocidade e foram alvo de perseguição a pé e de objetos arremessados até por pessoas nos pontos de ônibus. 

A polícia tenta intervir para evitar confrontos e garantir a passagem dos veículos, mesmo que lentamente. Mas, alguns casos tem sido resolvidos pelos próprios motoristas. Um carro de uma empresa de segurança tentou furar o bloqueio e os estudantes sentaram no meio da avenida. depois de uma breve conversa, o veículo seguiu seu trajeto.


No final da tarde, um médico plantonista do Hospital Getúlio Vargas provou sua função e pediu para furar o bloqueio. Ele informou que precisava chegar ao trabalho para realizar duas cirurgias. Os estudantes fizeram uma assembleia para decidir se ele poderia seguir seu caminho. 

Por volta de 18h, manifestantes atearam fogo em um pneu no cruzamento da Frei Serafim com a rua Pires de Castro. Um carro de som havia anunciado o fim do protesto e retomada do movimento na manhã de quarta-feira, mas estudantes continuam no local. 


Última atualização - 18h08

Jordana Cury (especial para o Cidadeverde.com)
Fábio Lima (da Redação)
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