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Câncer de Cristina Kirchner é o mais comum na tireoide

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O carcinoma papilífero – e não papilar – da tireoide, que atinge a presidente argentina Cristina Kirchner, de 58 anos, é o tipo mais comum de tumor nessa glândula, respondendo por cerca de 80% dos casos, segundo a endocrinologista Ana Rossi, do Hospital Sírio-Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

A tireoide está localizada no pescoço, tem formato de borboleta e é responsável por diversas funções no organismo, que vão do crescimento à regulação da temperatura corporal.

A origem do câncer está nas células foliculares que produzem o hormônio tireoidiano, e o prognóstico em geral é muito bom: as chances de cura chegam a 98%, dependendo do tamanho do tumor, de uma identificação precoce, da idade do paciente e se há extensões para fora da região, como gânglios linfáticos ou metástases – o que não é o caso de Cristina.

A faixa mais atingida é a das mulheres, em torno de três casos para cada homem. Mas a doença no sexo masculino costuma ser mais agressiva. Apesar disso, de acordo com a médica, a mortalidade do carcinoma papilífero é baixa.

"O tratamento inclui cirurgia e/ou ingestão de iodo radioativo, que é a matéria-prima para o hormônio da tireoide e age na destruição das células normais e também cancerígenas", explica Ana Rossi. Quimioterapia e radioterapia não são indicadas, e quem cuida do paciente é um endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço – oncologistas só tratam os casos mais graves.

De acordo com a médica, a cirurgia envolve um pequeno corte horizontal nas pregas do pescoço, e já há estudos envolvendo procedimentos minimamente invasivos.

Detecção e diagnóstico
O carcinoma papilífero da tireoide não tem sintomas clínicos visíveis e geralmente é detectado em ultrassonografias de rotina, como foi o caso da presidente argentina. E as mulheres são mais diagnosticadas de forma precoce justamente por isso: porque vão mais ao médico de forma preventiva.

Segundo Ana Rossi, esse tipo de câncer pode levar muito tempo para evoluir para um quadro mais grave, e a hipotensão (pressão arterial baixa) de Cristina nada tinha a ver com a doença.

Sobre os fatores de risco, o único conhecido pelos médicos é a exposição à radiação nuclear, como no caso de Chernobyl, e pode incluir fatores genéticos, mas é raro. De acordo com a endocrinologista, a única forma de prevenção é realmente fazer check-ups periódicos.

Cirurgia de Cristina
A presidente argentina vai se submeter a uma operação para remoção do tumor no lobo direito da tireoide no dia 4 de janeiro, no Hospital Universitário Austral, em Buenos Aires. Ela ficará internada por 72 horas e terá 20 dias de recuperação.

Cristina se licenciará do cargo por  20 dias, até 24 de janeiro, período em que o vice Amado Boudou vai exercer a Presidência do país.

Fonte: G1
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