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Brasil combate doenças como há 110 anos, critica coordenador da Fiocruz

Foto: Roberta Aline/Cidade Verde

Em Teresina (PI), o coordenador da Fundação Oswaldo Cruz do Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio, reforçou o alerta quanto ao avanço da Chikungunya no interior do Nordeste e criticou a forma como o poder público trata o que evitaria as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Em entrevista ao Jornal do Piauí desta segunda-feira (17), o especialista em medicina tropical disse que o Brasil não conseguiu avançar em medidas básicas que evitariam a proliferação do mosquito, além de combater o vetor da doença como se fazia há um século. 

"O Brasil está com um modelo de controle dessas doenças que foi exitoso há 110 anos atrás. Nós estamos usando a mesma metodolofia de entrar casa a casa e colocas um inceticida", disse Venâncio, que não isentou o cidadão de fazer o seu dever de casa, mas colocou no poder público uma boa parcela de culpa em relação aos avanços da Chikungunya, Zika e outras doenças. "Há problemas individuais e também do poder público. Os dois precisam conversar melhor".

Entre os problemas relacionados a agentes públicos, o coordenador da Fiocruz sul-mato-grossense cita a coleta regular de lixo, o abastecimento de água e a implantação de esgotamento sanitário. Para Rivaldo Venâncio, o Brasil não acompanhou o crescimento da população e a mudança de famílias da área rural para a zona urbana. Os serviços necessários para que doenças como as citadas fossem evitadas são precários. 

No interior do Nordeste, cidades de médio porte com problemas de urbanização estão entre os municípios com maior risco de crescimento dos casos de Chikungunya, segundo o especialista da Fiocruz.

Cuidados com a Chikungunya
Caso a pessoa tenha sido infectada pelo mosquito transmissor, o paciente com suspeita de Chikungunya deve tomar alguns cuidados importantes. A orientação do especialista da Fiocruz é evitar se auto medicar, fazer repouso absoluto - o que na maioria dos casos impede a evolução da doença para a fase crônica -, e buscar apoio na rede de saúde para o tratamento adequado. Venâncio alerta que em boa parte dos casos, sobretudo nos pacientes mais velhos, a doença pode persistir de seis meses a até um ano, com dores nas juntas e articulações. 

 

Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com