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Promotora não recorrerá de decisão que liberta suspeitos de estupro

A promotora Gabriela Almeida que acompanha o caso de estupro coletivo em Bom Jesus afirmou que não recorrerá da decisão que deu liberdade aos quatro adolescentes suspeitos de estuprar a jovem de 17 anos. Segundo ela, o processo será acelerado para que a audiência de instrução e julgamento aconteça logo.

"Os menores já foram liberados. O juiz já deu a decisão, nós decidimos não recorrer e vamos agora adiantar o processo pra realizar a audiência de instrução e julgamento. Nós acreditamos que existe a prova da materialidade e a prova da autoria e vamos pedir a condenação de todos, tantos dos menores, quanto do maior", afirmou a promotora.

No início da semana a própria promotora que estava em Bom Jesus, atuando de forma interina, solicitou seu remanejamento, já que é titular de Pimenteirasalegando a distância do município.

Em entrevista exclusiva ao Cidadeverde.com a jovem afirma que eles agiram como Judas.   “Estou tentando me recuperar, deixa o vento levar... Eles agiram como Judas, fingindo ser meus amigos”.

Ela está tendo acompanhamento psicológico. Recentemente, a jovem retornou a frequentar a escola. Conta que se inscreveu no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) para o curso de medicina veterinária. Ela nasceu em Brasília e há um ano veio morar em Bom Jesus. Ela admitiu durante entrevista que um vizinho tentou lhe violentar sexualmente quando tinha 15 anos em Brasília. A vinda para o Piauí acorreu para fugir de novas investidas do agressor.   

Visivelmente abalada, ela pondera nas palavras, reflete antes de dar qualquer opinião e relata os momentos que consegue lembrar naquele fatídico dia. A entrevista é acompanhada pela sua tia, que é uma espécie de mãe para ela.

“Fui para a praça sozinha, me sentei em um banco e os meninos estavam lá, um pouco distante de mim. Três deles vieram me cumprimentar, deram boa noite e eu respondi e fiquei ali. Aí, um deles me perguntou se eu queria ir com eles para a outra praça. Não vi nenhum mal e fui, eram todos conhecidos. No meio do caminho decidiram ir para a laje (obra em construção) e fui. Ficamos conversando e um deles falou que era a última vez que íamos nos encontrar e que ninguém sabia o dia de amanhã. Eu perguntei se ele ia morrer e disse: não. Nunca veio na minha cabeça que ia ser comigo”.

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Rayldo Pereira
rayldopereira@cidadeverde.com