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Chuvas apagam memória

A memória do brasileiro é muito curta, de uma forma geral. As coisas acontecem, às vezes se repetem, mas mesmo assim, ao perder o enlevo dado pela mídia coisas que nos afetam diretamente, sejam elas boas ou ruins, tendem a ser completamente esquecidas.

Nos últimos dias estamos sendo bombardeados em nível nacional pelo derramamento e contaminação de praias de todo o Nordeste e algumas do Sudeste com um volume considerável de petróleo, na condição de óleo cru. As praias adormecem limpas e amanhecem sujas com camadas de petróleo. Existem registros em todos os estados do Nordeste e mais em praias do litoral do Espirito Santo. A origem? Só Deus sabe e, como dizia minha avó: queira que Ele também saiba.

Do mesmo jeito é a já tradicional invasão de aguapés no rio Poty. Ano após ano, reiteradas vezes me revezo com o Professor Ribamar Rocha (UFPI) falando sobre esta esperada Eutrofização nas TVs, que começa sempre no segundo semestre, no auge do B-R-O-Bró (veja aqui a última vez que conversei sobre o assunto numa tentativa de mostrar os esgotos pluviais derramando esgoto in natura no Rio Poty).

Logo logo o problema do petróleo desaparece (fico torcendo!) e quando as férias chegarem todo mundo vai correr para praia e ninguém vai nem lembrar da quantidade de gente que trabalhou de forma incessante para proteger os manguezais, as tartarugas, os cavalos-marinhos e outras espécies que ficaram ameaçadas com este misterioso incidente que contaminou tantas paisagens.

Da mesma forma, quando as chuvas começarem a cair e o volume de águas do rio Poty aumentar, a concentração de poluentes ficará diluída e ninguém vai mais nem lembrar que o problema dos nossos rios continua.

O desperta para uma consciência dos problemas ambientais às vezes só ocorre quando problemas realmente sérios chegam a tona. Tem sido assim e vai continuar sendo. Estive lembrando estes dias de uma publicidade que sai na TV falando sobre os plásticos. Já é bastante perturbadora a imagem da quantidade de plástico que flutua nos mares. Já se formou até um continente flutuante de lixo plástico e isso tem impactado diretamente sobre os seres que habitam estes ambientes. Já falei nisso aqui umas duas vezes, mas especificamente sobre plásticos fiz questão de enfocar o prejuízo: veja!

É preciso despertamos esta consciência. De vez em quando ouço pessoas preocupadas em se criar na escola a disciplina de Educação Ambiental. Assusto as pessoas quando digo que sou contra. Sou contra porque na escola devemos aprender coisas para nos libertarmos da ignorância. Educação Ambiental não se deve aprender apenas na escola. É por uma questão de sobrevivência. E muitas vezes a culpa é nossa, porque não fazemos a nossa parte.

O plástico é considerado uma das maiores revoluções dentro do universo dos materiais. Hoje faz parte de tudo o que nos cerca. Inclusive do que não deveria. Um dos maiores absurdos é usarmos plástico para descartá-los imediatamente na natureza, como no caso dos canudinhos, por exemplo. Tomamos uma bebida e jogamos na natureza um lixo praticamente indestrutível.

Por isso, antes que você esqueça que em 2019 o rio Poty, mais uma vez se encheu de aguapés e de que as praias do Nordeste brasileiro se encheram de manchas de óleo de um possível vazamento de grandes dimensões, pare de usar plásticos sem necessidade. A natureza agradece.

Boa semana para todos (as).