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O futuro da Educação

Desde muito cedo aprendi com meus pais que precisava estudar para chegar onde quisesse. A cantilena sempre começava assim: “o que temos para deixar para vocês é o que aproveitarem da escola”. Esta lição fiz questão de passar para meus filhos e acho que o discurso deu certo. Vivendo em um país com poucas oportunidades e nascidos em um estado onde estas oportunidades são ainda menores, a saída termina sendo de fato a formação escolar. Como dizia Nelson Mandela: a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”.

O mundo, em constante evolução, vai mudando e alguns paradigmas descrevem alterações o que vale para educação em uma conjuntura de transformação do mundo do trabalho. Já falei aqui antes sobre a Educação 4.0, na perspectiva de que as carreiras profissionais estão em mudança constante para atender ao mundo contemporâneo.

Nesta toada, precisamos preparar nossos filhos para um mundo que sequer conhecemos, e aí é imperativo que os preparemos para adquirirem habilidades. Estas serão imprescindíveis para as ocupações do futuro, como já alertou o historiador israelense Yuval Harari. Mas será que esta mudança provocará alterações nos cursos oferecidos pelas universidades? Na minha opinião as mudanças já estão acontecendo.

A Google criou um programa chamado Google Career Certificates (Certificados de Carreiras do Google, em tradução livre). Trata-se de um conjunto de cursos para carreiras específicas no Google. Atualmente a plataforma oferece cursos na área de Gestão de Projetos, Analista de Informações e UX Designer, áreas altamente demandadas pelo próprio Google. São cursos com apenas seis meses de duração, mas que prometem formar pessoas para atuarem no mercado, segundo o site de “alta demanda”, como salários anuais entre US$ 54 mil e 75 mil, ou seja, valores entre R$ 22 mil e R$ 31 mil mensais. Aí vem a pergunta: quem trocaria um curso destes, rápido e voltado para formar uma clientela específica, por um curso superior numa faculdade ou universidade, com todas as deficiências que existem, sem qualquer garantia de empregabilidade e com ganhos projetados infinitamente menores? Confira aqui.

O certo é que as demandas que estão surgindo, para uma sociedade imersa na Quarta Revolução Industrial e a velocidade com que surgem novas funções, notadamente forçam o aparecimento de novos aprendizados. Quando uma grande corporação como o Google oportuniza de forma tão objetiva novos aprendizados, mostrando que logo adiante existem boas oportunidades de trabalho, é preciso e necessário que as corporações com compõem as velhas estruturas ponham suas barbas de molho. Quem precisará de uma carreira universitária dentro desta perspectiva? O que hoje seria classificado como um curso livre (aqueles que dispensam determinadas requisitos e não passam pelo crivo de uma oficialização por uma instituição normativa, como um conselho de educação) pode se tornar algo muito mais precioso do que uma carreira acadêmica, como ponto central para ingresso no mercado de trabalho e com um custo benefício infinitamente maior.

No futuro, muito provavelmente, as habilidades adquiridas serão muito mais importantes do que os títulos acadêmicos. Reflitamos. Boa semana para todos (as)