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A segunda onda

Desde o início da pandemia da COVID-19 já existia o risco de uma retração de casos e uma expansão posterior, porque como toda doença infecciosa onde não existe um controle seguro e nem solução de resolução próxima, há a possibilidade dos casos se ampliarem e novos booms ocorrerem, especialmente onde as medidas mais restritivas demoraram a ser tomadas.

Falamos aqui no início sobre a necessidade de achatar a curva de casos da doença e o que vem ocorrendo é que este achatamento é lento e vai provocar outras levas de doentes. Ou seja, a curva vai crescer e diminuir várias vezes até chegarmos a uma estabilidade. Em várias partes do mundo a segunda onda está acontecendo e especialistas já se preocupam com o resultado das festas de final do ano que pode levar a novos pequenos picos mundo afora. Aqui no Brasil a segunda onda está fortemente relacionada às medidas não tomadas. Interrompeu-se o ciclo educacional de milhões de estudantes alegando a insegurança e a possibilidade de aglomerações nas escolas, por exemplo, e, em nenhum momento, se tomou qualquer providência relativa às campanhas eleitorais, inclusive chamadas cinicamente de “aglomerações do bem”. Sim: a segunda onda está relacionada às campanhas eleitorais. E o pior de tudo: governadores e prefeitos, como se a pandemia tivesse encerrado, desativaram os hospitais de campanha, demonstrando mais uma vez o despreparo na lida com o problema.

Estamos diante de um desafio imenso. Gestores, creio que na intenção de acertar, cometeram falhas absurdas. Cito por exemplo o fechamento dos supermercados nos finais de semana, o que acarretava aglomerações dos dias que antecediam o final de semana. A suspensão de aulas é outro ponto que merece ser discutido, pois as escolas seguiram todos os protocolos determinados, até os que não fazem o menor sentido, como estabelecimento de uma barreira de acrílico na frente da carteira que não evita de forma alguma a proliferação dos vírus.

Apostar no retorno a parte das atividades baseados apenas no surgimento de uma vacina minimamente eficaz também não é inteligente. Quem conhece o funcionamento de uma vacina sabe que as respostas não são imediatas. Quem não conhece acha que o problema estará resolvido. Isto não é tão simples!

Por cabeças melhores que consigam planejar um retorno com o máximo de segurança possível às atividades, o que inclui as escolas. Os efeitos desta doença não devem ser multiplicados por decisões equivocadas.

Boa semana para todos e todas!