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SARS-CoV2 da discórdia

A revista Science desta semana levanta uma questão polêmica em torno da pesquisa sobre o SARS-CoV2, o vírus causador da COVID-19. Uma pesquisadora da Universidade de Santa Cruz na Califórnia (EUA) chamada Angie Hinrichs, desenvolvedora de software que trabalha na pesquisa sobre a Evolução do vírus da maior pandemia deste século, reclamou que a empresa GISAID (que significa Global Initiative on Sharing All Influenza Data) havia bloqueado o seu acesso aos dados gratuitos sobre o SARS-CoV2. A GISAID mantêm um conjunto portentoso de informações genéticas com 700 mil amostras genômicas oriundas de 160 países do vírus da COVID-19 e de forma inexplicável vem bloqueando o acesso de alguns pesquisadores, como fez com Hinrichs em dezembro de 2020.

De acordo com nota emitida pela empresa, a GISAID alega ter a confiança de vários pesquisadores que depositaram seus dados junto à empresa. Segundo a nota, a GISAID suspende usuários quando percebe que as informações podem sair da segurança e se perder, sendo usadas para outras finalidades. O grande problema é que Hinrichs estuda o rápido mecanismo evolutivo do SARS-CoV2. O vírus já tem algumas variantes que podem comprometer a eficácia das vacinas desenvolvidas até aqui. Assim a contribuição da GISAID na pesquisa de Angie Hinrichs seria fundamental. Mas a briga aí pode ter em jogo milhões de dólares na possibilidade de descobertas que levem ao aperfeiçoamento de drogas e de novas vacinas. O grande problema é que deveriam brigar depois, porque a humanidade está precisando da descoberta agora.

 

Discórdia lá, discórdia cá...

Enquanto pesquisadores e grandes instituições disputam dados para trabalhar na solução para COVID-19, aqui no Brasil a onda de negacionismo patrocinado pelo Poder Executivo deu uma arrefecida (creio, sinceramente, que partiu de uma ação do judiciário... Mas o Ciência Viva não entra no lado político), fazendo com que já se trabalhe a ideia da Vacina como uma arma! A bem da verdade a vacina age como uma defesa para o organismo: os antígenos do vírus modificado fazem o organismo desenvolver defesas contra o vírus. Termina sendo uma arma (não seria bem um Zé Gotinha segurando uma seringa em forma de metralhadora...).

 

Uma notícia boa de verdade!

Uma outra novidade é que SourceTech Química fechou parceria com o pesquisador da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) / Universidade Federal do Piauí (UFPI), Dr. Francisco das Chagas Alves Lima, e vai bancar um aprofundamento na exploração dos alcaloides do jaborandi como falamos aqui há algumas semanas atrás. Veja aqui.

O SARS-CoV2 tem levado muitas pessoas queridas, mas tem muita gente lutando e trabalhando para ele parar de levar vantagem. Viva a Ciência! Ciência Viva!

Até o próximo post...