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Sobre a escolha de Reitor e Vice-Reitor na UESPI

Neste período em que a Universidade Estadual do Piauí (UESPI) passa pela escolha de seu próximo Reitor é muito importante que o Blog Ciência Viva se volte para ajudar a comunidade universitária a escolher seu próximo gestor. Apesar de ter o meu lado, pois já deixei muito clara minha posição alguns dias atrás (veja aqui), hoje prestarei um serviço importante para a comunidade universitária. Vou elencar alguns pontos relativos ao processo:

1) Sobre o processo de escolha.

A UESPI tem três segmentos de eleitores: Professores, Técnicos e Estudantes. Qualquer professor ou técnico que esteja no exercício de suas funções está apto a votar, o que inclui professores afastados para cursos de pós-graduação (apesar de não estarem dando aula, estão em efetivo exercício porque foram autorizados a se afastar). Só não votam aposentados, professores e servidores cedidos para outros órgãos e estudantes que estejam com o curso trancado ou que tenham sido desligados por desistência ou por terem se formado.

A eleição será virtual. Os eleitores receberão em seus e-mails institucionais o acesso à urna virtual. O ato de votar é protegido, portanto o direito de escolha deve ser exercido sem qualquer tipo de possibilidade de verificação ou identificação. Particularmente acredito na lisura dos membros da Comissão Eleitoral Central formada por representantes dos três segmentos e fiscalizada por representantes das duas chapas concorrentes.

2) Os escolhidos comporão uma lista tríplice que será submetida ao Governador do Estado para livre escolha a partir dos indicados pelo processo de consulta.

3) Atenção às propostas e aos procedimentos dos candidatos!

O Conselho Universitário determinou, através de Edital, o conjunto de regras eleitorais, que vão desde o processo de inscrição homologação das chapas concorrentes, passando pelo processo de conquista do eleitorado, observando-se normas para propagandas, doações de campanha, gastos comprovados, debates entre candidatos etc.

A UESPI possui unidades em Teresina e mais dez municípios de Norte a Sul do Piauí: Parnaíba, Piripiri, Campo Maior, Floriano, Oeiras, Picos, São Raimundo Nonato, Uruçuí, Bom Jesus e Corrente, sendo uma das instituições com maior capilaridade no Estado e com unidades em praticamente todos os territórios de desenvolvimento. Com a pandemia a escolha será por mecanismos virtuais e parte das campanhas também, pois a ausência de aulas presenciais coloca a estudantes e professores distantes das instalações da Universidade. [Aqui pondero aos estudantes ingressantes dos anos de 2020 e 2021, que não tiveram a oportunidade de sentir a UESPI real, que se informem com professores e colegas veteranos como é a universidade que vocês estudam de fato. Logo o período de aulas retornará e vocês serão impulsionados a conhecer melhor o lugar onde vão estudar. Todo cuidado é pouco na hora de decidir para quem vocês darão o voto!].

Dentre as propostas que estão sendo divulgadas pelos dois lados – situação e oposição – destaco com maior veemência a questão da Autonomia. Por que falo nisso de modo insistente (já escrevi sobre isso em outro momento, veja aqui)? A Autonomia Universitária foi definida pela Constituição de 1988 e ratificada pela Constituição do Piauí em 1989. Até 2014, a UESPI tinha uma autonomia parcial, porque conseguia conduzir pelo menos a parte administrativa do processo. De 2015 para cá, a administração superior deixou a desejar e até uma simples progressão ou promoção de um professor ou de um servidor, embora feita observando-se todas as regras vigentes, precisa passar pelo crivo de outros entes da gestão pública estadual. Cito como exemplo o meu próprio caso: em 2019 fui promovido de Professor Associado I para Professor Associado II. A implementação ocorreu 14 meses após o ato de mudança executado pela Universidade, pela mera falta de autonomia da mesma em efetivar seu próprio ato.

A Autonomia pode ser uma faca de dois gumes: quando a gestão é fraca ou incapaz é até melhor mesmo não ser autônoma, para evitar que erros graves ocorram no processo. Mas para UESPI crescer, atender melhor aos seus estudantes, conferindo melhores condições de trabalho aos professores e servidores, é preciso ser autônoma. Um estudo que fiz com mais dois colegas, encomendado pela Reitoria da UESPI em 2015, revelou que toda vez que parte do orçamento não é executado, o prejuízo vai para as chamadas despesas de Capital, que são os investimentos como construção de salas de aula, bibliotecas, laboratórios etc.

Para que o grande público compreenda isso em ações basta lembrar que a última grande obra executada pela UESPI começou em 2013 e foi inaugurada em 2014. Estamos em 2021. Se a Universidade levar uma média de 7 anos para edificar algo, multiplicado pelo número de unidades que a universidade tem, só lá pela segunda década do século XXII a UESPI terá todas as suas unidades edificadas.

Até lá tendo a desejar boa sorte para os que precisarem desta portentosa instituição, um dos maiores patrimônios do nosso Estado. Sinceramente, espero que passe a ser gerida de forma melhor, seja por quem quer que assuma sua próxima gestão.

Espero que tenha deixado alguns pontos mais claros para os eleitores.

Boa semana para todos (as).