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Redução de vagas

Depois que publiquei o texto falando sobre a Cota de Endereço (veja aqui), fui contatado por outras mães falando sobre a redução de vagas na Universidade Estadual do Piauí (UESPI), afinal de contas, duas importantes universidades públicas do nosso Estado, estabeleceram medidas que mexeram na quantidade de vagas para acesso ao Ensino Superior.

No caso específico da UFDPAR, ficou estabelecida uma pontuação melhorada para quem realizou e concluiu estudos em um conjunto de cidades do Piauí, Maranhão e Ceará. No caso da UESPI, o problema foi o cancelamento de um período, como consequência da falta de planejamento e da ausência de medidas, por parte da universidade, no início da pandemia de COVID-19.

A UESPI demorou muito para reagir no início da pandemia. Os semestres letivos de 2020 só iniciaram em 2021. A mídia não toca no assunto, mas na minha opinião foi uma mistura de inépcia com a eterna falta de investimentos na universidade. Lembro que na época fiquei bem incomodado com a falta de ação. Enquanto a pandemia rolava e as faculdades privadas iniciaram suas atividades de modo híbrido, na UESPI houve um “ano sabático coletivo”. Na educação básica, as secretarias de educação davam seu jeito. A UESPI, parada. O primeiro período de 2020, mesmo remoto, começou somente em janeiro de 2021.

Esta letargia teve consequências: um ano dentro do seguinte, de forma permanente. A medida de eliminar um período poderia ter sido mais bem planejada. O que aconteceu? Eliminou-se o período do calendário e, com ele, grande parte das vagas da Universidade.

A gestão universitária não é simples. Já estive na gestão e ganhei uma porção de desafetos que nem cheguei a conhecer pessoalmente. A universidade tem uma autonomia legal que não é exatamente a real. Na sua autonomia didática, a Universidade poderia suscitar alternativas que não implicassem em perdas tão grandes para comunidade. Para isso exige-se competência e coragem. Sinceramente, espero que a gestão atual consiga por os pés no chão e entender melhor sobre a importância da educação pública e correr atrás de qualidade. Se hoje existe uma reclamação pela supressão de vagas é porque a comunidade ainda valoriza a universidade pública. A Universidade deve clamar por novos estudantes. Há toda uma geração para ser formada e descoberta.

A gestão precisa valorizar mais o que a Universidade tem de melhor dentro do seu corpo técnico e docente. Me chamou atenção que a Universidade não deu qualquer importância para duas professoras brilhantes que se destacaram por estes dias. A Dra. Liana Chaib, professora do curso de Direito do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA-UESPI) foi nomeada Ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a Dra. Iraneide Soares da Silva, professora do curso de História do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL-UESPI) foi nomeada para Comissão de Transição do Governo Lula.

A UESPI precisa valorizar mais suas mentes brilhantes e menos suas testas brilhosas. Esta é minha opinião.

Até o próximo post...