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O último a sair que apague a luz...

Ontem recebi uma ligação de um banco do qual sou cliente. Do outro lado da linha uma assistente do gerente da minha conta. Ela me informou que eu podia me comunicar a qualquer momento com o gerente da minha conta através de um chat do aplicativo do Banco. E caso eu não o encontrasse no chat, sempre teria alguém, sendo ela ou outro assistente. No final ela disse: não seria ótimo poder resolver todos os seus problemas do Banco sem sair de casa? Respondi que sim. Não satisfeita com minha concordância ela tornou a perguntar, mais especificamente: o que o senhor achou desta vantagem? Aí não me contive e respondi: fiquei bastante preocupado. Sou adepto das tecnologias, mas a medida que o banco me disponibiliza esta “vantagem” o seu emprego está em risco. Você parou para pensar nisso? Alguns segundos de silêncio e a voz da moça voltou dizendo: tomara que isso não aconteça.

Notei que minha fala, talvez tenha imprimido um tom meio lacônico, mas às vezes as pessoas não se dão conta de que determinadas ofertas das empresas, especialmente as que visam muito mais o lucro do que qualquer outra coisa, como os bancos no Brasil, são ciladas para o futuro.

Um estudo realizado pelo Fórum Mundial Econômico, publicado em 2016, com o título The Future of Jobs (O futuro do trabalho, em tradução livre), deixou o mundo de orelha em pé com os milhões de postos de trabalho que desaparecerão até 2020, substituídos pela tecnologia.

Estamos vivendo a época da Educação 4.0, inclusive já abordei aqui a preocupação que os pais devem ter com a educação de suas crianças para um mundo que exige habilidades. A formação é imprescindível, mas o desenvolvimento de habilidades já é pré-requisito para ocupações em alguma das maiores empresas do mundo.

A situação se torna mais preocupante no Brasil em razão de uma série de fatores, dentre eles a desvalorização dos professores, representada pela baixa valorização profissional, com um dos piores salários do mundo, assunto que também já tratamos aqui. Um crescente desmonte da educação superior também é fator de preocupação, uma vez que há precariedade no financiamento do segmento público e um processo que tem deteriorado as instituições privadas. Muitas instituições de ensino superior privadas passaram a fazer parte de grupos empresariais que, visando principalmente o lucro, tem deteriorado suas estruturas, optando pelo barateamento do processo com a inclusão cada vez mais comum de disciplinas pela modalidade à distância, precarizando a formação de seus estudantes.

Estudos tem apontado para profissões de formação superior que já podem ser totalmente substituídas pela evolução tecnológica. Segundo informações publicadas na imprensa nacional, importantes áreas, até bem pouco tempo concorridas para formação universitária, já estão sendo, gradativamente, substituídas por tecnologias como a Inteligência Artificial.

Diante deste quadro desolador, o último a sair que apague a luz. Ops... Não precisa. Existem sensores que farão este trabalho.

Desculpem-me pelo tom pessimista, mas precisava deste desabafo... Até a próxima...