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Escola: mãe é barrada por causa de vestido

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A comerciante Rosângela Florencio, 33 anos, que foi impedida de entrar na antiga escola do filho por causa do vestido que usava, procurou o Ministério Público (MP) na manhã desta quinta-feira (22), em Palmas. Ela diz que não aceita o tratamento que recebeu na escola e denunciou a instituição. "Eu me senti pior que lixo, me senti humilhada. Chorei muito ontem na porta do colégio", conta.

Rosângela afirma que buscou o MP porque foi informada de que essa não é a primeira vez que esse fato acontece na escola. "Se as pessoas têm medo de falar, pois eu não tenho. Fui discriminada por causa da minha roupa e isso eu não aceito", desabafa.

Segundo a comerciante, ela também vai fazer uma denúncia na corregedoria da Polícia Militar (PM). "Quando chamei a PM, os policiais se recusaram a registrar a ocorrência. Disseram que ali não houve violência, crime, e que por isso não precisava registrar. Ao invés de me atender eles pediram para que eu arrumasse uma roupa emprestada ou que fosse em casa trocar de roupa."

Rosângela diz que mora em Brejinho de Nazaré, a 115km da capital, há cerca de oito meses e foi até a escola porque precisava do documento de transferência para que o filho voltasse a estudar em uma escola pública do município. "Cheguei na casa da minha mãe e de lá fui para o banco pagar as contas. Vesti uma roupa qualquer na volta, roupa de ficar em casa mesmo nem pensei em me arrumar para sair", conta a comerciante. Ela completa dizendo que quer justiça, porque quatro pessoas foram na porta da escola avaliar a roupa dela e que nenhuma permitiu que ela entrasse.

MP investiga o caso

De acordo com o procurador responsável pela ouvidoria, Alcir Raineri Filho, o MP irá investigar o caso. "Vamos procurar saber se houve de fato um crime ou alguma violação dos direitos do cidadão. Se houve eventualmente alguma discriminação, algum abuso, coisas dessa natureza", explica o procurador.

Segundo as informações, o caso já foi encaminhado para o promotor da cidadania, Miguel Batista de Siqueira, que cuidará das investigações.

Resposta

A  diretora da escola São José, Janice Kissner Ferreira, diz que o fato foi isolado e que em nenhum momento o porteiro da instituição proibiu Rosângela de entrar no prédio. “Ela estava próximo a uma aluna, o guarda fez a observação das roupas dos alunos que não eram adequadas. Ela se sentiu ofendida porque entraria na escola daquela forma." Segundo a diretora tudo foi um equívoco porque o guarda não se dirigiu a ela.

Janice fala que Rosângela queria fazer tumulto, mesmo após a secretária da escola pedir para ela entrar e pegar o documento. “Ficou até de noite aqui, era umas cinco e meia quando chegou e à noite permaneceu, querendo fazer tumulto. É uma pessoa de fora, não é nada da escola, quis fazer sensacionalismo em cima de uma norma de conduta para alunos.”

Entenda

Rosângela alega que foi impedida de entrar na antiga escola do filho nesta quarta-feira (21), por causa de um vestido que estava usando. A confusão aconteceu na escola estadual São José, localizada na quadra 1106 Sul, em Palmas.

Segundo Rosângela, após discutir com os funcionários, a diretora da escola foi atendê-la do lado de fora. "A diretora veio com um papel para me mostrar dizendo que era uma lei. Eu disse que não era estudante da escola. Sou mãe de um aluno e fui pegar uma declaração", conta. "Falar que eu não posso entrar porque minha roupa é inadequada eu não aceito."

A comerciante chegou a chamar a polícia, mas, segundo ela, nem os policiais resolveram o problema. Ela foi embora sem conseguir a declaração de transferência do filho.

Fonte: G1
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