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Registros inéditos de Baden mostram que violonista já era mestre em 1959

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Baden Powell (1937 - 2000) sintetizou os sons da negritude nas cordas do violão que começou a dedilhar ainda criança, com curiosidade de gente grande. Quando se profissionalizou, na década de 1950, o compositor e violonista fluminense já pareceu pronto para ocupar o lugar de um dos maiores mestres do instrumento no Brasil. A descoberta de cinco gravações inéditas de Baden - oriundas de sarau feito em 1959 na casa da pianista e compositora fluminense Neusa França (1920 - 2016), falecida em março - confirmam tal impressão. Clique aqui para ouvir no YouTube as gravações inéditas do violonista.

Descobertos pelo Instituto Piano Brasileiro e divulgados ontem pelo Acervo Digital do Violão Brasileiro, os registros informais de Baden no sarau flagram o violonista tocando cinco músicas. Conservada em fita de rolo, a gravação se inicia com Baden tocando a então recém-lançada Serenata do adeus (Vinicius de Moraes, 1958) e evidenciando a técnica que também abarcava conhecimentos de música erudita e uma sensibilidade que jamais tornou frio o toque do violão do músico.

Dos nobres salões de evocação europeia, Baden migra para o terreiro quando começa a tocar Na baixa do sapateiro (Ary Barroso, 1938), mostrando o poder de síntese da herança musical negra nas cordas do violão. Na sequência, o músico apresenta - então em primeira mão - o tema Insônia, valsa de autoria do próprio Baden que o artista somente iria registrar no segundo álbum, Um violão na madrugada (1960).

A quarta música da gravação permanece sem identificação. Já a quinta música é a Valsa op.8, nº4, um dos temas mais populares da obra do violonista e compositor paraguaio de música clássica Agustín Pío Barrios (1885 - 1944).
 
 Assim era Baden. Do universo erudito, o violonista migrava com maestria para uma roda de choro ou para um terreiro de samba. Um mestre que, a julgar pelas gravações ora descobertas, já entrou em cena com talento e técnica suficientes para marcar o nome na história do violão brasileiro. O que, de fato, Baden Powell fez até sair de cena em 2000.

 

Fonte:G1

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