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Viver Bem

Ser magro não é o mesmo que ter felicidade. Psicóloga explica o por quê!

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Escrito por Raquel Baldo
Psicologia - CRP 79518/SP

 

Outro dia conversando com minha filha caçula, ela disse: - Mamãe, eu gosto dessas novas bonecas que surgiram, onde não tem só boneca magra e eu gosto muito dessas aqui que são mais...mais...(ela pensou e continuou) cheinhas. Eu percebi sua questão e disse: - Você gosta das mais gordinhas, é isso? Tem boneca magra e agora tem boneca gorda e isso é muito bom, pois todas essas pessoas existem no mundo e são lindas.

Ela: - Não gosto de falar gorda, parece errado e não quero ofender.

Expliquei que isso não era ofensa era só característica de uma pessoa, assim como tem gente alta e baixa, tem também gorda e magra. E que ela achava errado ou ofensivo porque nos ensinam que usar essa palavra gorda é para ofender, ouvimos muitas vezes dessa forma. E é para ofender, porque pessoas gordas são cobradas em mudar quem são como se estivessem erradas e as magras certas, mas isso é um triste erro cultural e social e que as bonecas estão vindo para mostrar isso também. Faço um paralelo com um momento atual. Na novela Deus Salve o Rei, a personagem Glória, interpretada pela atriz Monique Alfradique, sofre de baixa auto-estima. Na trama, esse sentimento é muito ligado ao fato de ela ser gorda. Ao longo dos capítulos, ela buscará emagrecer para superar essa angústia. A auto-estima, porém, não deveria ser legitimada a partir do peso.

Convido no texto de hoje, todos vocês, a pensarem comigo na angústia de uma criança, em dizer uma palavra, porque tem medo de ser interpretada como ofensiva. Da mesma forma, uma personagem de novela nos faz acreditar que para que uma mulher tenha sua beleza e seu valor reconhecidos precisará emagrecer. Prestem atenção em como esses pensamentos nos mostram e servem muito bem para refletirmos sobre o que uma pessoa gorda sente ou vive em sua vida. Ser gordo/a é ofensivo!

 

Saúde emocional
Ser uma pessoa gorda em nossa sociedade chega a ser por vezes um grande teste de saúde emocional. Isso porque ser gordo está associado a uma pessoa feia, preguiçosa, desleixada, que não se preocupa com sua saúde, alguém compulsivo, isto é, sinônimo de uma pessoa errada. Quem assiste à novela "Deus Salve o Rei" pode perceber que a personagem Glória é constantemente julgada pelos outros personagens devido à sua forma física. Não é de hoje que essa imagem em torno de pessoas gordas acontece, essa questão já se tornou cultural e é repassada/herdada a cada geração, dando falsos direitos a algumas pessoas em julgar, apontar, palpitar e cobrar os gordos por não seguirem o tal padrão ditado pela sociedade. É muito comum pessoas gordas sentirem uma forte angústia e culpa por serem quem são.

Já expliquei outras vezes que apesar de sermos cada um, um Eu, e da necessidade de trabalhar e fortalecer esse Eu, somos todos também, ao mesmo tempo e antes de tudo, um alguém que é reflexo do meio de onde nasce, cresce e vive. As formações de nossas estruturas emocionais dependem e muito do aprendizado e estímulos que recebemos e essas mensagens podem nos determinar na vida, gerando uma pessoa confiante ou insegura, com amor próprio ou culpada por ser quem é, e inclusive nos ensinando a julgar, cobrar, apontar e ofender outras pessoas. Não me refiro somente ao meio concreto como família e escola, mas também o meio absorvido por ficção como filmes, festinhas e novelas como é o caso da personagem Glória de "Deus Salve o Rei".

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