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Simepi: paralisação dos médicos suspende 10 mil atendimentos

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Em pouco mais de um mês, hoje é a quarta paralisação dos médicos servidores públicos em Teresina. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí, Samuel Rego, cerca de 10 mil atendimentos foram suspensos nesta quarta-feira (6). Rego afirma que a população já está sendo prejudicada com a falta de atendimento há anos devido a precariedade dos hospitais e a falta de condições adequadas de trabalho para os profissionais da Medicina. A paralisação também ocorre amanhã (07). As consultas deverão ser todas remarcadas.

O sindicato ressalta que a paralisação ocorre por causa da falta de diálogo com a categoria, que pede, além da questão estrutural do trabalho, melhores salários e logística de horários, locais de trabalho e segurança nos hospitais. 

“Os pacientes estão morrendo por falta de estrutura nos hospitais e a sobrecarga de atendimento; tem médico fazendo 150 atendimentos. Precisamos urgentemente de um concurso público (para ampliar o quadro). As negativas da FMS (Fundação Municipal de Saúde) estão querendo proibir a troca de plantões e obrigando o médico a trabalhar em dois lugares ao mesmo tempo. Ano passado a categoria teve zero por cento de reajuste, esse ano teve apenas 3%. Isso é um deboche com os médicos. Não suportamos mais esta situação, além da falta de segurança para trabalharmos”, declarou o presidente. 

Remarcações

A servidora pública Fernanda Castro levou a mãe de 82 anos para uma consulta marcada para hoje. Ela precisou remarcar a consulta pela segunda vez devido a paralisação dos médicos.

“A primeira vez eu precisei remarcar por causa da paralisação e hoje novamente vou remarcar. Minha mãe está com um tumor no bumbum, anda de cadeira de rodas. Eu entendo é muito difícil a situação deles, mas aqui no Brasil é assim mesmo porque é legítimo eles defenderem os direitos deles, mas a gente é muito penalizado. O direito deles terminam quando interfere no direito do outro. Eu lamento profundamente que nesse país as pessoas só olham pro seu próprio eu”.

Dois dias de paralisação

A paralisação deve durar dois dias: hoje e amanhã em todos os serviços de saúde do município, ficando em atendimento apenas os casos de urgência e emergência. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que o plano de cargos, carreira e salários dos médicos, elaborado com aprovação do sindicato, está sendo cumprido. 

E ressalta quatro motivos para não conceder reajustes a categoria. Veja a seguir:

1) Teresina dispende aproximadamente 36% das suas receitas correntes líquidas com saúde, sendo que a legislação determina que as despesas com saúde pelos municípios sejam de 15%;

2) Somente na área de saúde, Teresina conta atualmente com 11.300 servidores, quase 10 mil a mais do que na época em que o município assumiu a gestão do SUS. 

3) Os salários pagos são maiores que os do Ministério da Saúde, EBSERH e Secretaria de Estado da Saúde ; 

4) Mesmo com a crise financeira que o país passa, o município conseguiu reajustar o salário de todos os seus servidores em 3%, compensando a inflação.

Em relação às outras demandas do sindicato, a FMS informa que a relação de 35 médicos enviada pelo Simepi que não foram contemplados com a promoção/progressão foi entregue à Diretoria de Recursos Humanos, que informou não terem adquirido esses direitos em abril de 2016. 

Já os hospitais relacionados como em "situação precária" já se encontram em reforma. Os locais com demanda excessiva de atendimento estão autorizados a contratar temporariamente mais profissionais, sendo que a FMS já realizou dois concursos públicos para médicos em 2017 e está em negociação para fazer um terceiro. 

O Hospital e Maternidade do Buenos Aires faz uma média de cinco partos ao dia e o neonatologista é exclusivo da maternidade, tendo os leitos de UCINCO atendidos por outro pediatra. Essa média diária de partos também justifica os dois obstetras.

Sobre a questão da segurança, estão sendo procuradas soluções junto à Secretaria de Segurança do Estado, Polícia Militar, além da presença de 341 policiais militares pagos pela FMS para colaborar com esta segurança.

A FMS ressalta ainda que sempre recebeu o Simepi quando solicitado e todas as demandas enviadas via ofício foram respondidas e justificadas por escrito diretamente ao sindicato.

 


Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com

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