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Wilson Martins confirma convite a Robert Rios para liderar PSB

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O presidente do PSB no Piauí, ex-governador Wilson Martins, confirmou que quer o ex-deputado Robert Rios no comando do partido em Teresina e à frente das eleições municipais do próximo ano. Atualmente, Robert Rios é filiado ao DEM. Em entrevista ao Jornal do Piauí desta quinta-feira (18), Wilson disse que o convite já foi feito e que as conversas estão avançadas. 

"Robert Rios é grande amigo, já dividimos vitórias de gestão, derrotas, aprendemos muito juntos. Ele tem uma marca de ter uma palavra, de ser correto, de ser decente. Então, ele é sempre convidado por nós para o PSB. As conversas estão bem avançadas e nós estamos torcendo para que dê certo, para que ele venha para o PSB para comandar o partido em Teresina e decidir os encaminhamentos para as eleições municipais da capital. Evidentemente, nos ajudar também em todo Estado do Piauí", declarou o ex-governador. 

Wilson disse que a formação de uma chapa majoritária dependerá da opinião de Robert Rios, e que eles dois, juntos, articularão a formação de uma chapa proporcional. "A candidatura própria depende de uma construção e depende do que o Robert vai imaginar, do que vamos construir e articular juntos, para uma chapa proporcional. Essa é uma eleição diferente. É a primeira eleição municipal depois da minirreforma eleitoral. Teremos uma eleição sem a possibilidade de coligação proporcional, a não ser que altere novamente a legislação. É importante que comece a se trabalhar a formatação de um grupo de candidatos que possa fortalecer o partido e o município de Teresina", pondera.

Oposição 

Wilson não confirmou se o PSB ficará na oposição. Ele disse apenas que o governador o procurou para conversar, assim como procurou Robert Rios, Firmino e Charles da Silveira - que deve ser o nome apoiado por Firmino. 

"O governador me procurou, procurou o Robert também, conversou com ele, com o Firmino e o Charles. Nós somos amigos, já estivemos juntos politicamente e também em palanques separados, mas sempre com uma relação fraterna, de respeito mútuo. Na política, você tem que combater um bom combate, você joga o jogo. Passou a política, a vida volta ao normal, com uma relação social normal", disse.

Ele reconheceu as discussões já estão acontecendo e ressaltou a diferença entre estar no poder e na oposição. "Estamos começando a discutir o processo e há uma preocupação. É compreensível que quem está no poder fique um pouco na retranca e não queira antecipar o período eleitoral, mas claro que isso angustia e tem uns que tem paciência, outros não tem. Geralmente, quem está na oposição lança os candidatos antecipadamente, não tem nada a perder, nada para dar a ninguém".

Conversa com o MDB

Wilson confirmou também que tem mantido diálogo com Themístocles Filho e que os dois estão "alinhados" nas conversas iniciais sobre o pleito de 2020.

"O Themístocles tem várias peculiaridades comigo porque nós passamos 12 anos juntos na Assembleia Legislativa e lá iniciamos a construção dessa grande liderança que ele tem no parlamento do Piauí. Tive a oportunidade de ser médico dele, num momento de adversidade, que eu vivi também e ele esteve do meu lado. Ele é de uma decência muito grande comigo, em todas as nossas disputas eleitorais. É além de um grande amigo, ele é uma pessoa que a gente sempre se encontra, não só na época em que você está no poder, mas também quando está sem mandato. Nós estamos muito bem alinhados nesses diálogos, nessas conversas iniciais", declarou.

Eleições 2018

Sobre as eleições do ano passado, Wilson Martins fez questão de ressaltar que atuou de forma legal na campanha e lembrou que até a última pesquisa estava empatado com Ciro Nogueira (PP), à frente de Marcelo Castro na disputa pelo Senado Federal. 

"As pessoas acham que não tem explicação para a derrota, mas tem. Nós fizemos uma campanha, eu e o Robert, muito bonita, pé no chão, conversando com o povo. Mas o contexto de uma campanha majoritária é de uma complexidade muito grande. Eu sempre estive entre o primeiro e o segundo colocado, ali, muito próximo a campanha toda. Na última pesquisa que foi feita, eu saí tecnicamente empatado com Ciro e o Marcelo Castro oito pontos abaixo. A pesquisa mostrava isso, mas quando a gente ia para o contexto da campanha como um todo a gente sabia do risco que corria", explicou.

Wilson destacou ainda que, após a derrota, o número de parlamentares no PSB diminuiu. Na entrevista, ele também aproveitou para alfinetar seus concorrentes. "Nós fizemos uma campanha de mídia, de conversa, de diálogo franca, sem comprar um voto, sem gastar um tostão de caixa 2, sem se envolver em um escândalo na Lava Jato, sem condição de estrutura contra o governo do Estado, contra a Prefeitura de Teresina, contra dinheiro, que sabe lá Deus de onde veio, muito dinheiro, com relação com vereadores e prefeitos, e tivemos uma votação expressiva. Diminuiu o número de parlamentares do partido porque quando você vai perdendo, você vai se enfraquecendo, pela questão importante que é a perspectiva de poder".

Sem mágoas

Wilson afirmou que não tem mágoas de Firmino Filho por não ter tido o apoio dele nas eleições de 2018, apesar de não ter gostado da situação. O prefeito de Teresina declarou apoio à reeleição do senador Ciro Nogueira. 

"Se você for atrás disso, fica doido na política. Ninguém é obrigado a votar em ninguém. Eu já votei no Firmino, algumas vezes, ele já votou em mim também. Circunstancialmente, ele não podia votar em mim agora. Claro que não fiquei feliz com isso, mas também tenho que compreender a situação dele. A política é assim. Já votei no Wellington Dias, ele já votou em mim, no João Vicente Claudino, no Marcelo...Faz parte da essência da política partidária. Se você for se zangar porque a pessoa não votou em você, você pode largar a política de mão, porque não dá pra fazer política assim", completou.

Jordana Cury
jordanacury@cidadeverde.com

 

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