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Projeto social do sertão do Piauí constrói o maior monumento de sanfona do mundo

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  • sanfona.jpg Marcelo Damasceno/Prefeitura de Dom Inocêncio
  • sanfona-08.jpg Arquivo pessoal Sandrinho do Acordeon
  • sanfona-07.jpg Arquivo pessoal Sandrinho do Acordeon
  • sanfona-06.jpg Arquivo pessoal Sandrinho do Acordeon

Dom Inocêncio, município que fica a 615 km de Teresina, no sertão do Piauí, tem uma característica interessante. A cada 35 habitantes, pelo menos 1 é sanfoneiro, parece que está no sangue. Tanto talento, até então desconhecido, agora ganha visibilidade, com a criação do Monumento Sanfona e do Dia Municipal da Sanfona, que será comemorado, todos os anos, em 20 de setembro.

O idealizador de tudo isso é Sandro Dias de Sousa, o Sandrinho do Acordeon, o sanfoneiro que está mudando a realidade da região. Ele coordena a Associação Cultural Acordes do Campestre, que ensina, gratuitamente, mais de 200 crianças a tocarem instrumentos musicais em Dom Inocêncio e a vizinha cidade de São Raimundo Nonato. 

Foto: Arquivo pessoal / Sandrinho

Sandrinho nasceu na Bahia, mas foi em Dom Inocêncio que aprendeu seus primeiros acordes na sanfona, incentivado pelo pai, Salvador Nunes, que tinha uma banda com os irmãos. O pai inclusive foi taxado de louco na cidade quando vendeu sua única casa e sua caminhonete para comprar uma sanfona e realizar o sonho do filho.

Tudo valeu a pena. Aos 25 anos, é tri-campeão no Concurso de Sanfona de Petrolina (PE), participou de festivais em vários estados do país e fechou parcerias com cantores nacionalmente famosos como Zezé di Camargo e Luciano, Waldonys, Dorgival Dantas. Hoje a família vive da música.

Foto: Arquivo pessoal / Sandrinho

Mas sua maior vitória mesmo é o projeto social que montou no bairro Campestre, onde mora. "As crianças tocam sanfona, zabumba, triângulo, flauta doce, violão, tudo de graça, não recebemos nada, todo o trabalho é voluntário. A sanfona é muito cara, não teria como eles terem. Então nós conseguimos os instrumentos por meio de doações, como no Programa do Luciano Hulk e damos as aulas voluntariamente. Temos vários alunos que já tocam em bandas e vivem da música, alunos premiados em festivais. Isso é gratificante", diz Sandrinho.

A Associação foi criada em 2011 e  foi a partir dela que foi construída a maior sanfona do mundo, na Praça Monumento Sanfona, a 3 km de Dom Inocêncio. São 5 metros e 10 centímetros de altura construídos com recursos arrecadados pela associação, Sandrinho e amigos. "Não tivemos ajuda das autoridades", afirma.

A obra foi iniciada em julho deste ano e já está na fase de pintura. Foi arquitetada por Wanderson Moura e construída pelo artesão João Dias.

A maior sanfona do mundo não deve ser apenas um título, mas o marco de visibilidade para a cidade e região. "A sanfona é algo natural em Dom Inocêncio. Com esse monumento, fortalecer nossa tradição, colocar o município no calendário nacional, talvez até internacional, de eventos culturais", declara Sandrinho, confiante.

Além do monumento, a Associação conseguiu aprovar na Câmara Municipal o Dia Mundial da Sanfona. A cidade também terá o Selo da Terra do Sanfoneiro e, para garantir a atração do público, será realizado um festival anual de sanfona. 

"A sanfona deve gerar uma economia forte, atrair turistas. A ideia é que isso traga mais visibilidade e também mais recursos para a cidade, divulgando nossa região para todo o Brasil", finaliza.

Foto: Arquivo pessoal / Sandrinho

Jordana Cury
jordanacury@cidadeverde.com

 

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