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Economia

Dólar sobe 0,8% e fecha a R$ 4,32 pela primeira vez

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Foto: Roberta Aline / Cidadeverde.com

A cotação do dólar teve alta de 0,83% nesta sexta-feira (7) e chegou ao patamar inédito de R$ 4,322. Na máxima do dia, a moeda tocou os R$ 4,325, outro recorde. O dólar turismo está a R$ 4,50, alta de 1,53%. Em casas de câmbio, o preço varia conforme a cidade. Na compra, a cotação está a partir de R$ 4,51. Já o dólar do cartão pré-pago está, em média, a R$ 4,75.

Na semana, a moeda americana acumula alta de 0,8%. No ano, há valorização de 7,6% (mais de R$ 0,30), superando 2019, quando a moeda subiu 4%. O movimento reflete a combinação do corte de juros no Brasil com a melhora da economia americana, o que fortalece o dólar ante o real, em meio ao temor de investidores com o efeito econômico do coronavírus.

Nesta sexta, foi divulgada a criação de 225 mil vagas de emprego nos Estados Unidos em janeiro, bem acima da estimativa da economistas ouvidos pela Bloomberg, que esperavam 165 mil novas vagas. "A alta do dólar de hoje é um movimento global, totalmente externo. A economia americana está forte e, apesar da taxa de desemprego ter subido um pouquinho, os EUA continuam com pleno emprego", diz Cristiane Quartaroli, economista Ourinvest.

O desemprego nos Estados Unidos subiu de 3,5% em dezembro para 3,6% em janeiro, ainda no menor nível desde 1969. O recorde do dólar, porém, é nominal. Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

Enquanto a economia americana acelera, a inflação brasileira registrou a menor variação para janeiro desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta, a inflação de janeiro registrou alta de 0,21%, abaixo da expectativa do mercado. Para Cristiane, sem um cenário positivo da economia brasileira, estrangeiros retiram recursos do país, o que eleva a cotação. "Tínhamos perspectiva de maior crescimento esse ano e, agora, o mercado sente que não vai ser tudo isso. A confiança do empresariado não melhorou", afirma.

Nesta sexta, o Banco Central (BC) ofereceu 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril de 2020. Segundo analistas, uma intervenção do banco no mercado à vista do dólar está descartada no momento. "O BC está esperando para ver qual vai ser o impacto do coronavírus", diz Cristiane. De acordo com Cleber Alessie Machado, operador da Commcor, o movimento cambial desta sessão reflete uma "reação limitada" à fraca inflação brasileira, já que o arrefecimento dos preços -que pode gerar redução do diferencial de juros entre Brasil e concorrentes- foi compensado pela sinalização do BC de uma interrupção no seu ciclo de cortes de juros.

Na quarta (5), o BC reduziu a Selic para 4,25% ao ano, nova mínima histórica. A queda na taxa básica de juros contribui para a depreciação do real por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros, pois o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com juros baixos no Brasil, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação da moeda.

No exterior, o dólar se valoriza contra boa parte das principais moedas, especialmente emergentes. "É um movimento global: o dólar sobe lá fora, e, ao mesmo tempo, há uma dinâmica ruim no cenário doméstico para o real. Nosso diferencial de juros é muito ruim em relação a nossos pares, não há fluxo estrangeiro -na verdade, há saídas- e não temos grau de investimento", diz Machado.
No ano, há saída de R$ 24 bilhões de investimento estrangeiro da Bolsa de Valores brasileira.

Além da melhora da economia americana, Cristiane, da Ourinvest, aponta que a preocupação com os impactos econômicos do coronavírus também provoca uma aversão a risco no mercado. Em relatório, o banco central americano Fed destaca que os principais riscos para a economia recuaram e a probabilidade de recessão diminuiu, mas, dentre os riscos existentes estão as consequências do surto crescente de coronavírus na China, valores elevados de ativos e níveis quase recordes de dívida corporativa de baixo grau que o Fed teme que possa se tornar um problema em uma crise econômica.

"O recente surgimento do coronavírus, no entanto, pode levar a rupturas na China que se espalhariam para o resto da economia global", diz o relatório do Fed para o Congresso dos EUA sobre o estado da economia e da política monetária. Nesta sessão, as principais Bolsas globais operam em queda. Nos Estados Unidos, Dow Jones recua 0,9%, S&P 500, 0,5% e Nasdaq, 0,6%. A Bolsa brasileira caiu 1,2%, a 113.770 pontos. O volume foi de R$ 24,6 bilhões, acima da média diária para o ano. Na semana, o Ibovespa terminou no zero a zero, ou seja, no mesmo patamar de sexta passada (31). No ano, há queda de 1,6%.

No pregão, o risco-país brasileiro medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos subiu 2,4%, a 99 pontos. Na quarta (5), o índice foi a mínima em quase uma década, a 96,6 pontos. Também contribui para o viés negativo o forte declínio da produção industrial na Alemanha. Em dezembro, a indústria no país caiu 3,5%, maior queda em uma década. Economistas previam um leve declínio de 0,2%. O dado reforça a percepção do mercado de que a economia alemã possa entrar em recessão.

Fonte: FolhaPress

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