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Economia

Com Nova York, Ibovespa fecha em alta de 9,69%, aos 69.729,30 pontos

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Em linha com o exterior, com os ganhos no índice blue chip de Nova York (Dow Jones) acima de 11%, o Ibovespa teve um dia de recuperação, com os investidores encontrando algum ânimo para compras em meio aos sinais, aqui, de que a assistência a Estados e municípios, o plano Mansueto, será aprovada com celeridade pelo Congresso e, fora do Brasil, a bem-vinda progressão de estímulos à economia global. Nos EUA, o presidente Donald Trump reiterou nesta terça-feira, 24, que a economia americana não deve ficar paralisada por muito tempo, no seu entender, ruína pior do que a propagação do coronavírus.

Ontem, na Casa Branca, Trump já havia sinalizado a possibilidade de rever as medidas de isolamento social ao final dos primeiros 15 dias de quarentena imposta a grande parte da população. Tendo atingido alta na casa de 12,53% na máxima do dia, o Ibovespa fechou nesta terça-feira com ganho de 9,69%, aos 69.729,30 pontos, tendo oscilado entre mínima de 63.604,42 pontos e máxima de 71.535,44 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 25,6 bilhões, assim como ontem mais próximo à normalidade após ter se intensificado depois do carnaval, quando vinha oscilando habitualmente entre R$ 30 bi e R$ 40 bilhões. No mês, o Ibovespa cede agora 33,06% e, no ano, 39,70%.

Para dar fôlego extra à recuperação observada na sessão, a B3 expandiu, a partir das 12h50, os limites de oscilação diária para os contratos futuros de Ibovespa e Mini de Ibovespa, de 10% para 15%. Mas o índice à vista acabou se afastando um pouco das máximas do dia. Na ponta positiva do Ibovespa, BTG fechou em alta de 24,82%, seguido por Magazine Luiza (+21,42%), B2W (+20,86%) e CCR (+19,76%). Do lado negativo, destaque para RaiaDrogasil (-5,81%). Favorecidas por avanço do petróleo e do minério de ferro na sessão, Petrobras PN subiu 15,22% e a ON, 15,92%, enquanto Vale ON fechou em alta de 10,38%.

"Tivemos hoje um repique, um respiro após uma correção muito profunda, com os governos levando adiante pacotes bilionários para amenizar o efeito da crise e, no limite, evitar quebradeira de empresas. Os governos terão que continuar monitorando de perto até que a economia volte. Não dá pra dizer que já chegamos ao fundo do poço", diz Pedro Galdi, analista da Mirae, que considera mais provável uma retomada em forma de U do que de V.

Um ponto destacado por analistas é o de que, enquanto na Itália, assim como observado anteriormente na China, a curva do coronavírus dá sinais iniciais de que o pior momento pode estar ficando para trás, no Brasil a evolução da doença ainda não ganhou a aceleração vista no exterior. "É preciso achatar a curva da doença, para que o problema não seja ainda pior, mas em algum momento, ao final desses primeiros 15 dias, a economia precisará começar a voltar, senão será o caos", diz Galdi.

Contudo, a experiência mostra que conter a doença não é tarefa fácil: o número de mortes na Itália em decorrência do Covid-19 voltou a crescer, a 743 nas últimas 24 horas, após dois dias seguidos de queda nos números. Agora, são 6.820 vítimas fatais no país europeu.

Nesse contexto, a margem de recuperação do Ibovespa segue bem limitada, tendo mostrado hesitação hoje após ter tocado a marca de 71,5 mil na máxima do dia, reconquistando então nível do início da semana passada - na segunda-feira, dia 16, o índice fechou aos 71.168,05 pontos, em queda de 13,92%, avançando no dia seguinte para 74.617,24 pontos (+4,85%).

"Na parte da tarde, os day traders (operadores de volatilidade) entraram um pouco mais cedo do que de costume e colocaram um pixuleco (pequeno ganho) no bolso, enquanto Nova York também perdia força naquele momento", diz um operador. "Aqui, o mercado continua a ser movido pelo que acontece lá fora, nossas feridas ainda estão abertas", acrescenta. "O Trump indicou que a preferência dele é pela economia. Tanto nos EUA como na Europa, estão testando bem mais (para o coronavírus) do que aqui: a curva da doença lá está mais avançada e, daqui a pouco, eles vão para o verão, enquanto estamos indo para o inverno", observa o operador.

Dessa forma, a preocupação maior dos investidores é quanto à capacidade de sobrevivência das empresas, a resiliência do caixa a um período prolongado de exceção, no qual a atividade econômica tem sido praticamente cancelada. "A volatilidade vai persistir, não tenha dúvida, estamos ainda muito longe de alguma clareza sobre o que vem por aí", acrescenta a fonte.

Com a recuperação observada hoje, o Ibovespa passa a acumular, em duas sessões, ganho de 3,97% na semana, após ter colhido perdas nas cinco semanas anteriores, refletindo a escalada de temores em torno de coronavírus que se impôs com especial intensidade a partir da Quarta-Feira de Cinzas (26 de fevereiro), quando o Ibovespa cedeu 7%, iniciando uma espiral negativa.

Por Luís Eduardo Leal, com Gregory Prudenciano
Estadão Conteúdo

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