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Sem bola e com 3 pontos, Mourinho tenta voltar ao topo no Tottenham

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Foto: Oil Scarff / AFP

Um dos momentos mais memoráveis do documentário "All or Nothing - Tottenham Hotspur", sobre a temporada 2019/2020 da equipe inglesa e disponível no Amazon Prime, é quando José Mourinho, 57, vai para sua primeira entrevista.

Um jornalista lhe pergunta sobre a declaração dada pelo português quando era treinador do Chelsea, de que jamais trabalharia no clube rival de Londres. "O que mudou?", o repórter quis saber. "Eles [do Chelsea] me demitiram", respondeu o técnico.

Há dois anos, quando deixou o Manchester United, as análises predominantes no Reino Unido eram de que Mourinho estaria em decadência, a imagem de um estilo de jogo ultrapassado.

Treze meses após ter sido contratado pelo Tottenham, ele está novamente em condições de brigar pelo título da Premier League.

Nesta quarta (16), às 17h (transmissão da ESPN Brasil), sua equipe entra em campo para enfrentar o Liverpool como líder do Inglês. Os dois times estão com 25 pontos, mas os londrinos levam vantagem no saldo de gols (14 a 9). Com 10 sofridos em 12 rodadas, o Tottenham tem a melhor defesa da competição.

Ver Mourinho no primeiro lugar do Campeonato Inglês não era algo esperado no início da temporada. Em uma liga com Pep Guardiola, Jurgen Klopp (seu adversário desta quarta) e Marcelo Bielsa, três treinadores que fazem da posse de bola um dogma, o português vai na contramão.

"Eles podem levar a bola para casa, se quiserem. Eu fico com os três pontos", disse depois de derrotar o Manchester City por 2 a 0.

O time dirigido por Guardiola teve 64% de posse durante os 90 minutos. O Tottenham venceu com o esquema que o fez líder até agora e que resume o credo de Mourinho: proteção à defesa, marcação forte e velocidade no contra-ataque.

"Meu time tem menos a bola, mas o importante é o que fazer quando estiver com ela", resume.

Dos 20 integrantes da Premier League, o Tottenham é o 11º no ranking de posse de bola. Tem 50,4%, em média, por partida. O líder é o Manchester City, com 62,9%.

No maior clássico de Londres, o Arsenal chegou a ter 76% de controle no segundo tempo. A equipe de Mourinho ganhou por 2 a 0 e, no fim, não perdeu a chance de alfinetar os que pensam de forma diferente dele.

"Isso é mais para os filósofos do futebol do que para mim. Ninguém nunca me ouviu dizer 'eu perdi o jogo, mas tive mais posse'. O que importa é o que faz quando está com a bola. Quando a tivemos, nunca a perdemos em condições que o adversário poderia nos machucar", analisou em entrevista ao Esporte Interativo após a vitória sobre o Arsenal na Premier League.

Um triunfo contra o atual campeão serviria para Mourinho mostrar que ainda pode ser o "Special One" (aquele especial, em inglês), como qualificou a si mesmo assim que chegou ao Chelsea pela primeira vez, em 2004.

Antes de assumir o comando do Tottenham, ele passou quase um ano desempregado, algo antes inimaginável. Quando saiu da Internazionale (ITA) para assumir o Real Madrid (ESP) em 2010, era o mais cobiçado técnico do planeta, considerado garantia de títulos.

O casamento com os Spurs é de necessidade mútua. Mourinho não é campeão inglês desde 2015, quando venceu o troféu pela terceira vez no Chelsea. É um título que seu novo time não ganha desde 1961. A última conquista de expressão do clube foi a Copa da Liga de 2008.

Mourinho já venceu duas Champions League por duas equipes diferentes (Porto-POR e Internazionale), mas a última foi há dez anos.

Na última década, ele alternou alguns momentos de brilho (a Premier League de 2015 pelo Chelsea e a Liga Europa de 2017 pelo Manchester United) com vários conflitos com seus próprios jogadores, técnicos rivais e a imprensa. Também teve disputa com diretores por causa de reforços não contratados, como aconteceu no United.

O sucesso da união atual é surpreendente porque ele agora trabalha com Daniel Levy, CEO do Tottenham e conhecido como um dos cartolas mais relutantes em gastar na Premier League. Ao mesmo tempo, o dirigente já disse publicamente que sua prioridade é conquistar títulos. Mourinho foi contratado para isso.

Um eventual título inglês seria uma mudança de patamar para o Tottenham. Em abril do ano passado, o clube abriu seu novo estádio, com capacidade para 62 mil pessoas e ao custo de 1 bilhão de libras (cerca de R$ 6,8 bilhões). Dois meses depois, chegou à final da Champions League, mas perdeu para Liverpool.

"Nós precisamos encontrar um jeito de começar a ganhar títulos. É o que falta", definiu Daniel Levy.

Fonte: Alex Sabino / Folhapress

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