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Habilidade para matemática pode estar ligada a dois neurotransmissores, sugere estudo

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Foto: Ilustrativa Pixabay/fotos gratis

Cientistas da Universidade de Oxford demonstraram que as quantidades de dois neurotransmissores no cérebro podem estar relacionadas a uma maior ou menor habilidade para resolver problemas matemáticos.

Os pesquisadores sabiam que o glutamato e outro neurotransmissor chamado Gaba estão ligados ao aprendizado; mas, ao medir os níveis dessas substâncias no cérebro de 255 pessoas - de crianças de seis anos até jovens em idade universitária - e confrontar os resultados com testes de matemática, os cientistas descobriram que os neurotransmissores têm papéis complementares para promover a habilidade com os números.

No experimento, as maiores quantidades do neurotransmissor Gaba no cérebro dos mais jovens foram relacionadas à maior habilidade matemática, enquanto menores porções de glutamato indicavam o maior sucesso com os números.

Nos jovens adultos, os resultados foram inversos - quanto mais glutamato e menos Gaba, melhores os resultados na hora de fazer cálculos. Ou seja, o papel dos neurotransmissores muda com o tempo.

A medição foi feita com exames de ressonância magnética. Os testes para avaliar a habilidade matemática contaram com provas de operações matemáticas e de lógica, entre outras.

O estudo ajuda a entender um pouco mais o papel das substâncias na aquisição de um tipo de conhecimento tão complexo - e necessário. "Enquanto algumas pessoas consideram a matemática intuitiva e têm sucesso nesse tópico, é estimado que uma em cada cinco pessoas tem dificuldades com essa área", escrevem os cientistas no artigo que trouxe os resultados, publicado em 22 de julho na revista científica Plos Biology.

"Êxito em matemática está associado ao bem-estar de toda a sociedade, incluindo o progresso educacional, a situação socioeconômica, emprego, salário, saúde física e mental e dificuldades financeiras. Assim, o sucesso nesta área é a base para uma sociedade próspera e uma importante ferramenta de mobilidade social", completam os autores.

Segundo Roi Cohen Kadosh, professor de neurociência cognitiva na Universidade de Oxford e coordenador do estudo, os resultados pode ajudar a desenvolver intervenções diretamente no cérebro para melhorar a capacidade de fazer contas. Mas, até lá, o jeito é virar amigo dos números estudando do jeito antigo - fazendo muito cálculo.

 

Folhapress

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