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Movimentos protestam contra peça que tem ex-BBB Gyselle Soares como Esperança Garcia

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Foto: Thiago Amaral/Cidadeverde.com/Arquivo

A escolha da ex-BBB Gyselle Soares para interpretar Esperança Garcia, mulher, negra, revolucionária, que denunciou a escravidão, causou reação do movimento negro do Piauí. 

A peça teatral estreia hoje (12) no Teatro 4 de Setembro, em Teresina, intitulada "Uma escrava chamada Esperança”, causa polêmica na rede social e entre os integrantes do movimento no estado.  

Nas redes sociais, movimentos e entidades se posicionaram contra a escolha da ex-BBB para interpretar a primeira advogada piauiense. Entre as principais críticas feitas pelos mais diversos movimentos sociais está a do embranquecimento de Esperança Garcia. 

"Temos poucas referências de luta pela questão negra no Piauí. É grandioso demais ter Esperança Garcia, uma mulher escravizada que se tornou advogada através da coragem que teve de reclamar de todos os maus-tratos, sendo interpretada por uma atriz de pele clara, para não dizer branca", frisou ao Cidadeverde.com Halda Regina, presidente do Instituto Ayabás.

Halda Regina destacou à nossa reportagem que os movimentos não estão questionando a peça em si e nem tentando censurar a arte ou a cultura no teatro. A presidente do Instituto Ayabás entende que o teatro tem um papel pedagógico e de formação educativa e que o protesto não é contra isso. 
  
"Nosso protesto contesta que não tem sentido, de uma forma pedagógica e política, uma mulher da pela clara repassar nossa história. Uma mulher que sofre menos violação do que corpo político de uma mulher negra. Existem várias atrizes negras no nossa estado que são atrizes muito boas e que vivenciam nossa história, o racismo estrutural", afirmou Halda Regina. 

Para a presidente do Instituto Ayabás, a ex-BBB Gyselle Soares interpretar Esperança Garcia é um retrocesso ao que aconteceu  na década de 30, quando surgiu o Teatro Experimental do Negro. Isso porque naquela época personagens negros eram interpretados por brancos que pintavam o rosto. E surgiu a ideia do TEN, idealizado por Abdias Nascimento (1914-2011), com a proposta de valorização social do negro e da cultura afro-brasileira. 

Movimentos e algumas entidades estarão em frente ao Teatro 4 de Setembro durante a estreia da peça para protestar e conscientizar aos que forem assistir ao espetáculo sobre a questão de respeitarem a história da mulher negra, segundo destacou Halda à nossa reportagem. 

"Não vamos dizer que vamos barrar a peça. Queremos chamar a atenção [dos expectadores] para que eles assistam a peça com um cunho crítico. A Esperança Garcia Representa as mulheres negras!", completou Halda Regina. 

O QUE DIZ A PRODUÇÃO DA PEÇA

O Cidadeverde.com entrou em contato com Valdsom Braga, diretor e escritor da peça, para saber o que a produção da peça tem a dizer quanto às críticas dos movimentos sociais quanto ao embranquecimento de Esperança Garcia. 

À nossa reportagem, Valdson Braga lamentou a repercussão negativa por conta da escolha de Gyselle Soares para interpretar a primeira advogada piauiense e rebateu as acusações com a justificativa de que todo artista tem liberdade de expressão e a arte tem a possibilidade de transitar em todos os espaços. 

"Toda arte que uso dá voz aos excluídos. Quando chega no fator discussão as pessoas estão muito ligadas ao olhar, julgam o livro pela capa. Acho uma maldade o que estão fazendo: agredindo o outro", frisou o diretor da peça. 

Valdsom Braga afirmou ainda que após a repercussão negativa do caso procurou os movimentos através de mensagem nas redes sociais e que quis inseri-los no espetáculo. "Visualizaram as mensagens e não deram resposta", alegou Braga ao Cidadeverde.com. 

O diretor da peça, que também está atuando no espetáculo, afirmou que ficou impressionada com a repercussão do caso. Segundo Braga, a visão que as pessoas estão tendo da peça fora do Piauí é impressionante. 

"As pessoas que se denomina negras quando se manifestam a favor são torturadas com palavras agressivas. A peça só fomentou a possibilidade de falarmos de inclusão e direitos humanos, o que não representa um grupo seleto. E quem quer saber de fato o que está de fato acontecendo, o espaço está aberto ", completou Valdsom Braga. 

 

Flash Nataniel Lima
[email protected]

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