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Dez governadores vão à Escócia para a COP-26 discutirem crise climática

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Foto: Ascom/ Consórcio Nordeste

O governador Wellington Dias (PT) viaja na próxima semana para Glasgow, na Escócia, para participar da 26º Conferência do Clima (COP-26). No total, embarcarão 10 dos 22 governadores do Consórcio Brasil Verde, grupo criado para ser um contraponto internacional às ações do governo federal em relação ao meio ambiente.

O presidente do Consórcio Brasil Verde, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande participa do evento.

"Pela primeira vez, o Brasil tem uma organização desse tipo com ações que têm objetivo de reduzir as emissões, como obras de adaptações às mudanças climáticas e ações mais contundentes na área de prevenção", destacou ele, que é engenheiro florestal.

Casagrande também dirá na COP-26 que os Estados, por meio do consórcio, serão grandes articuladores para que alcancem as metas assumidas pelo País. "Vamos fazer muitos contatos e trocar experiências que irão ajudar nas nossas ações daqui para frente". 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, avisou que não participará do evento e o chefe da comitiva brasileira será o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

Também participarão da COP-26 pelo consórcio que será oficializado no mês que vem os governadores João Doria (SP), Eduardo Leite (RS), Carlos Moisés (SC), Mauro Mendes (MT), Paulo Câmara (PE), Hélder Barbalho (PA), Camilo Santana (CE), Romeu Zema (MG) e Renato Casagrande, governador do Espírito Santo. 

No evento, governadores vão apresentar o consórcio, argumentando que é a primeira vez que os entes subnacionais criam um grupo nacional na área ambiental. Na próxima quarta-feira (03), os dez chefes de executivo estadual participam do Governadores pelo Clima. 

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Entenda o que são as COPs

De 196 países virão mais de 25 mil pessoas no final deste mês, para uma única cidade: Glasgow, na Escócia. Lá, de 31 de outubro a 12 de novembro, elas terão a tarefa de encontrar caminhos para combater a crise climática, numa reunião chamada COP26.
Geralmente anual, o encontro deste ano acontece depois de um hiato provocado pela pandemia de Covid. A conferência ocorre sob pressão para oferecer metas mais ambiciosas e maior esforço para cumpri-las.

Isso porque o relatório mais recente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima), divulgado há poucas semanas, mostrou que a janela para segurar o aquecimento global como prometido por seus participantes está praticamente fechada.
O evento promete atrair a atenção, a presença e manifestações de grupos de ativistas ambientalistas, nos quais se destacam correntes mais jovens, como a Fridays For Future, liderada pela sueca Greta Thunberg.

Mas o que é, afinal, uma COP? Quando começou? Quais os principais conflitos? Que resultados já produziu? Tire aqui algumas dessas dúvidas.

O que é uma COP?

É uma conferência de 156 países, mais a União Europeia, para discutir as regras práticas da Convenção do Clima, um acordo firmado no âmbito das Nações Unidas para combater a mudança climática.

A sigla significa Conferência das Partes da Convenção do Clima, e ela acontece anualmente. Em 2020, por causa da pandemia de coronavírus, foi adiada.

Desde quando acontecem as COPs?

Desde 1995, ano seguinte à entrada em vigor da Convenção do Clima. O objetivo é acertar regras para implementar o combate à crise climática e atualizar os resultados desses esforços.

Nessa primeira COP os signatários concordaram em negociar um instrumento legal –um protocolo– para implementar a convenção.

Como funcionam as COPs?

Negociadores discutem em grupos temas específicos, como transparência, finanças ou adaptação, com o objetivo de entregar uma proposta de texto consensual. Essa etapa costuma durar uma semana ou se estender mais alguns dias.

Na metade da segunda semana, ministros, que têm mandatos dos governos, se reúnem para tentar resolver pontos em que não houve consenso e concluir negociações.

No último dia da reunião, é apresentado o texto de consenso, ou acordo, além de outras decisões que tenham surgido ao longo da COP.

Quais decisões marcantes já foram tomadas em COPs?

A mais importante até hoje foi a de 2015, na França, que produziu o Acordo de Paris: um projeto para reformar a estrutura da economia mundial, para sustar as mudanças climáticas e evitar as catástrofes que elas podem produzir.

Outras COPs, porém, produziram avanços antes de Paris.

Na de Bali (Indonésia), em 2007, a China concordou em negociar metas voluntárias que fossem mensuráveis, e na de Cancún (México), em 2010, foi criado o Fundo Verde do Clima e definido o objetivo de manter o aquecimento global em no máximo 2ºC acima da temperatura da era pré-industrial.

A COP de Durban (África do Sul), em 2011, foi o evento em que se formalizou a necessidade de metas obrigatórias para todos os países, e na de Lima, em 2014, se acertaram vários dos pontos aprovados depois em Paris.

A COP26 pode entrar para a história como marcante?

O principal resultado prático desta COP será acertar as regras do mercado de carbono, para colocá-lo em funcionamento.
Outro objetivo político é obter dos países metas mais ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa e planos mais concretos de como acelerar a transição para uma economia mais verde, incluindo condições de financiamento.

 

Graciane Sousa
[email protected]
Com informações Folhapress e Estadão Conteúdo

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