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Empresário é solto 9 horas após prisão e coordenador do DHPP faz desabafo

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Fotos enviada ao Cidadeverde.com

 

O empresário João Paulo de Carvalho Gonçalves Rodrigues, 35 anos, foi preso na manhã desta terça-feira (25) suspeito de participar da morte dos adolescentes Anael Natan Colins Souza da Silva, 17 anos, e Luian Ribeiro de Oliveira, 16 anos. Os  jovens foram encontrados mortos em novembro de 2021 às margens da PI-112, na estrada de União.

Durante a prisão foi cumprido cinco mandados de busca e apreensão. 

Veja mandado de prisão do empresário

A prisão do empresário surpreendeu a todos. Ele foi levado para a sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e após 9 horas de prisão foi solto pelo delegado Luis Guilherme que preside o inquérito.

A soltura foi contestada pelo coordenador do DHPP, delegado Francisco Baretta. 

“Eu não concordo com essa soltura. O preso tinha prisão temporária, participou de ocultação dos corpos, emprestou o carro. Existia uma prisão temporária e cabia o advogado dele pedir a soltura. Se fosse um preso da Vila Apolônio não seria esse procedimento. Crime hediondo, homicídio e ocultação de cadáver”, disse Baretta.  

"O mandado de prisão temporária contra o empresário tem duração de 30 dias, por se tratar de um crime hediondo, mas ele foi liberado pela autoridade policial que investiga o caso porque estaria contribuindo com a investigação".

Pai de Anael Natan, Ailton Pereira lamentou a decisão de colocar em liberdade um dos suspeitos pelo assassinato dos dois adolescentes e pediu para que o caso não fique impune. "Para a família é uma frustração, mas vamos correr atrás da Justiça para que ela seja feita, e ela vai ser", declarou.

Foto: Renato Andrade

Atualizada às 17h

O delegado Francisco Baretta, coordenador do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) confirmou ao portal Cidadeverde.com que o empresário foi preso e confessou o crime.

“O empresário contou que os dois jovens invadiram a casa da tia dele, drogados e foram dominados e levados para às margens da estrada por duas pessoas. Ele disse que emprestou o carro. Ele confessou o crime e deu o nome das outras pessoas”, disse Baretta.

Para o delegado, o empresário é coautor do crime e que ele deveria ter detido os adolescentes e entregue para a Polícia e não participar de um assassinato. Baretta lembrou que as três pessoas envolvidas no crime ainda tentaram ocultar o corpo dos dois jovens.

Crime covarde, diz Luccy Keiko

O delegado geral Luccy Keiko disse que mais detalhes do crime só serão divulgados nesta quarta. Ele confirmou que foram cumpridos alguns mandados de busca e apreensão e revelou que o caminho é a elucidação dos fatos.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

"Foram cumpridos alguns mandados de busca e apreensão e foi cumprido um mandado de prisão temporária em desfavor de uma pessoa, cujo o veículo teria sido identificado como utilizado no crime. Essa pessoa foi presa e já foi ouvida. Ela ainda está prestando os esclarecimentos justificando o motivo desse carro estar na cena do crime. A investigação está evoluindo a partir dessa prisão e das buscas que foram realizadas. O crime está praticamente elucidado, estamos tendo apenas a cautela de checar mais  algumas informações e acredito que amanhã a gente possa dar mais detalhes sobre o caso. É um crime realmente covarde e vou fazer questão de conversar com os familiares, junto com o delegado Baretta, para explicar toda a dinâmica da situação. Não vai ficar impune”, declarou o delegado.

Família contesta versão e revela ameaças 

Familiares dos adolescentes Anael Natan e Luian Ribeiro contestam a versão do suspeito, de que os dois jovens teriam invadido sua residência para tentar realizar um assalto, e relatam ameaças.

Pai de Anael Natan, Ailton Pereira da Silva disse ao Cidadeverde.com estar satisfeito com o trabalho que a DHPP tem feito nos últimos dois meses, mas questiona as informações relatadas pelo suspeito. Ele também cobra a conclusão da investigação para “que a Justiça seja feita”.

“É uma mentira deslavada, primeiro porque meu filho não precisava disso, ele sempre teve tudo do bom e do melhor, então não tinha necessidade de estar invadindo casa. Isso é uma mentira que estão inventando e espalhando para a sociedade. Além de se matarem com requintes de crueldade, estão querendo difamar a imagem dos nossos filhos”, alegou Ailton.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com


Ailton Pereira da Silva, pai de Anael Natan

Além de discordar da versão da defesa do suspeito, Maria da Cruz, mãe de Luian, cita que a família vem recebendo ameaças desde a prisão do empresário. Ela reforçou que tanto o filho como Anael não possuem qualquer envolvimento com a criminalidade.

“Isso eu não admito, nem que eu corra risco de vida, como estamos sendo ameaçados por algumas pessoas. Estamos sendo ameaçados desde quando surgiu a notícia da prisão, nos mandando foto de arma e dizendo que os meninos estavam devendo droga. Estão tentando distorcer a situação, mas de uma coisa tenho certeza, meu filho não era bandido”, enfatizou a mãe de uma das vítimas.

Entenda o caso

Os dois jovens haviam desaparecido após uma festa, realizada no dia 12 de novembro de 2021 em um sítio próximo à Ladeira do Uruguai, na zona Leste de Teresina. Depois de dois dias de buscas, os corpos dos adolescentes foram encontrados em um matagal às margens da PI-112, rodovia que liga a capital ao município de União. 

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP) chegou a levantar a hipótese de que Luian e Anael haviam sido mortos após uma briga de trânsito na madrugada em que foram assassinados, mas também afirmava que nenhuma outra linha de investigação seria desconsiderada pela polícia.

 

Breno Moreno e Yala Sena
[email protected]

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