Cidadeverde.com
Entretenimento

Pitty lança documentário e selo musical para lançar novos artistas

Imprimir

Lucas Ramos / AgNews

Nos últimos dois anos de pandemia que impediram a realização de shows, a cantora e compositora Pitty, 44, buscou ficar "na ativa" criando e experimentando muito na internet e musicalmente. O resultado é o lançamento do EP "Casulo", do seu próprio selo musical batizado com o mesmo nome e um documentário que mostra os bastidores da gravação.

O EP e o selo foram batizados com o mesmo nome de um quadro, o "Casulo Musical", dentro da programação de seu canal na plataforma de transmissões ao vivo Twitch , em 2021. No programa, ela recebeu artistas convidados, ao vivo, e criou coletivamente com eles músicas inéditas, que foram reunidas no EP. "O processo de criação foi tão diferente, liberto, fora do comum, para mim e para a geral que participou."

Desses encontros, nasceram as quatro faixas do EP: "Diamante", parceria com a rapper Drik Barbosa e Weks, marido de Pitty; "Busca Implacável" com Badsista e Jup do Bairro. A faixa "Diário" foi feita com Monkey Jhayam, Mau, Bruno Buarque e o músico Cris Scabello. Já a música "Simplesmente Fluir" ela compôs com Pupillo, produtor musical e ex-integrante da banda Nação Zumbi.

Ela conta que os artistas que participaram do EP são pessoas diferentes que ela admira o trabalho e, antes da gravação, tinha vontade de fazer algo junto. "Esse convite veio por isso e também pela conspiração do universo de que eles já estavam a fim de fazer algo comigo também", diz rindo.

Pitty fala que foi uma mediadora do encontro com esses artistas, captando os diferentes estilos de cada um. Segundo ela, foi uma experiência inédita e desafiadora criar uma canção do nada, em livrestreaming. "Foi surpreendente ver o quanto foi fácil, fluido, a criatividade rolando lindamente. Com cada pessoa e a cada session eu aprendia uma coisa nova. Muito, muito aprendizado nesse processo."

Mas Pitty revela que não fazia sentido apenas "botar o EP no mundo", ela queria mostrar para as pessoas todo o processo de como as músicas nasceram. No documentário "Casulo Musical", que estreou dia 19 em seu canal no YouTube, dividido em quatro episódios, disponibilizados semanalmente, ela consegue "levar" os fãs para dentro do estúdio de gravação.

"Quis fazer um documentário para ilustrar e registrar esse processo criativo tão diferente. Eu adoro documentários de música e produção musical, então queria trazer as pessoas para o estúdio com a gente, para elas verem como foi que aquela música surgiu, passo a passo. Para quem ama música, é muito interessante ver essa parte artesanal, de como se cria cada som e cada detalhe."
No documentário, ela afirma que fez questão de aparecer operando uma mesa de som para mostrar os detalhes e também que uma mulher pode ocupar esse espaço de produzir e criar o som. "É uma referência que eu não tive, que eu nunca vi, e sempre pensei em mais mulheres ocupando esse espaço na criação e produção musical."

Sobre a criação do selo musical Casulo, Pitty diz que não é uma resposta ao atual mercado fonográfico calcado em números e likes, que ela já criticou em entrevistas. "Não necessariamente, porque as coisas são o que são. Os tempos mudam e, em todas as épocas, têm as coisas que são mais orgânicas e o que é mais enlatado. Sempre teve."

No entanto, Pitty admite que se basear apenas em números é complicado e restringe o objetivo a um determinado comportamento para seguir a manada, como fazer uma música com determinado tempo de duração ou gênero porque agora está na moda. "Mas e aí? É tipo um surfista que nunca pega a onda dele porque está sempre de olho na dos outros, mas quando ele tenta pegar a onda do outro, ela já passou. Isso é o oposto de vanguarda, de descoberta."

Por isso, Pitty acredita que a arte sempre vai ter seu lugar para o que é sincero, resiste ao tempo e toca o coração das pessoas com letras profundas que marcam histórias e vidas. "Eu tenho vontade de descobrir novos artistas, novos sons, sempre fui ligada nisso. Nunca parei de pesquisar e me atualizar, inclusive nos meus discos. 'Matriz', o último [2019], é para mim um marco nesse sentido: nunca fui tão longe e tão na essência ao mesmo tempo."

Ela diz que novos lançamentos pelo selo Casulo ainda não estão programados devido a pandemia e as incertezas que fazem com que todos sejam flexíveis nessa fase. "Os planos se reorganizam o tempo todo. Tenho algumas coisas em mente, principalmente projetos audiovisuais, mas por ora, o EP 'Casulo' tá no mundo."

 

Fonte: Folhapress

Imprimir