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Fragmentação e espera marcam disputa pelo Senado em São Paulo

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Foto: Agência Senado

O cenário para a disputa ao Senado em São Paulo é marcado por indefinição e congestionamento de nomes no momento em que os partidos buscam costurar alianças e federações. A vaga de candidato a senador é estratégica para a barganha de apoio entre as siglas na formação de suas chapas.

Os principais candidatos à Presidência da República têm aliados que almejam o Senado sob sua órbita em São Paulo, o principal colégio eleitoral do país. Em 2022, cada estado elege apenas um senador.

Enquanto a direita se divide entre pré-candidatos diversos, a esquerda guarda um posto a ser ocupado por um partido aliado –uma espécie de plano B para a sigla que eventualmente concordar em retirar sua candidatura própria ao Governo de São Paulo.

O candidato com a chapa mais avançada em São Paulo é o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), que filiou o deputado estadual Arthur do Val, na semana passada, para concorrer a governador pelo seu partido.

Eles têm um acordo com o deputado estadual Heni Ozi Cukier, que deve deixar o Novo na janela de troca partidária, entre março e abril, e ingressar no Podemos para ser candidato ao Senado.

"A eleição para o Senado é esquecida, minha missão é chamar atenção das pessoas para as opções de candidatos. Acho que tenho a melhor proposta. Olho para o Senado e vejo uma lacuna, um abandono, um desinteresse, uma baixa representatividade", afirma Cukier à Folha.
O candidato ao Senado que irá receber o apoio do ex-presidente Lula (PT) segue indefinido. PT e PSB buscam acertar uma federação, que contaria ainda com PC do B e PV, mas que esbarra em acordos estaduais e na eleição de 2024.

Um dos impasses se dá exatamente em São Paulo, onde o PT faz questão de lançar o ex-prefeito Fernando Haddad para o governo e o PSB pleiteia a manutenção da candidatura do ex-governador Márcio França para o mesmo posto. A federação exige que haja um só postulante.

Sendo assim, petistas consultados pela Folha afirmam, nos bastidores, esperar que França recue e aceite ser candidato ao Senado. No lado do PSB, a conversa é justo o oposto ""a vaga na chapa para o Senado estaria reservada a uma indicação do PT.

Outro uso da vaga ao Senado, além da acomodação de partidos aliados, é o de conferir diversidade à chapa. Nesse sentido, caso a aliança fracasse e o PT lance um candidato próprio, o partido estuda dar a vaga a uma mulher negra.

O campo progressista em São Paulo tem ainda o líder sem-teto Guilherme Boulos (PSOL) como pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes. O PSOL tende a apoiar Lula para a Presidência.
Como mostrou a Folha, parte dos petistas e psolistas trabalha para unificar as candidaturas de Boulos e Haddad, enquanto as cúpulas dos partidos admitem ser possível manter os dois nomes com apoio no segundo turno.

Aliados de ambos os lados ponderam que o preferível, no entanto, é evitar a fragmentação do eleitorado de esquerda. Por isso, o PSOL afirma que a vaga ao Senado ainda depende das conversas com os demais partidos e de eventual federação com a Rede.

A Rede não tem nomes em vista para o Senado no estado. "Estamos apelando a todas nossas lideranças para disponibilizarem seus nomes para disputarem a Câmara Federal", afirma a ex-senadora Heloísa Helena, porta-voz da Rede.

A estratégia da legenda é superar a cláusula de barreira, a votação mínima exigida para que partidos tenham acesso a recursos. A regra só leva em conta os votos que o partido obtém na Câmara.

O PDT do presidenciável Ciro Gomes se aproximou da candidatura de Boulos em São Paulo. Para a vaga ao Senado, o partido estuda lançar o ex-comandante da Rota e sacerdote de terreiro de umbanda, tenente-coronel Mario Filho, que se filiou em dezembro.

Mario diz à Folha que a confirmação de sua candidatura depende de eventuais alianças do PDT. "Eu me filiei por concordar com as premissas do partido e por ser o primeiro a dar voz ao 'povo de axé'. Não me filiei para concorrer, mas para colaborar. Estou à disposição do partido para concorrer a qualquer cargo", afirma.

Do outro lado do tabuleiro, na direita ligada ao presidente Jair Bolsonaro (PL), a situação é de divisão –vários nomes se apresentaram ao Senado e querem o apoio do mandatário.

Bolsonaro indicou que seu candidato a governador em São Paulo deve ser o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que se filiaria ao PP ou ao PL, e seu nome ao Senado seria a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

O aceno de Bolsonaro provocou reação imediata da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL), que há pelo menos dois anos planeja sua candidatura ao Senado. Recordista de votos em 2018, com mais de 2 milhões de eleitores, Janaina negocia filiação com o PRTB.

"Com a habilidade que Bolsonaro tem para re(unir) a direita, em [20]23, teremos um Senado vermelho, para dar sustentação a Lula", tuitou Janaina no último dia 20.
À coluna Mônica Bergamo ela afirmou: "Sigo pré-candidata. Quem vier vai ter que concorrer comigo".

Apesar de ter feito uma série de críticas ao presidente, Janaina voltou a se aproximar do bolsonarismo e pretende apoiar a campanha de Tarcísio em São Paulo.

A deputada demonstra publicamente sua preocupação com a divisão de votos conservadores e prega a unidade da direita paulista para evitar o avanço do PT.

Aliados do presidente definiram eleger mais nomes ao Senado como prioridade para 2022. Isso porque a Casa é a responsável por temas caros à direita bolsonarista, como aprovar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), e representou um campo de oposição ao governo, sobretudo com a CPI da Covid.

Outra opção para a direita paulista é o ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf (MDB), que também ensaia uma candidatura ao Senado e é aliado de Bolsonaro. Para seguir esse plano, Skaf teria que deixar o MDB.

O MDB lançou a senadora Simone Tebet (MS) para o Planalto e, em São Paulo, deve apoiar o candidato do PSDB ao governo, o vice-governador Rodrigo Garcia. A União Brasil, fusão de DEM e PSL, também formou aliança com o tucano.

Para compor a chapa do presidenciável João Doria (PSDB) e de Garcia, ambas as legendas cogitam o nome do apresentador José Luiz Datena como postulante ao Senado. Indicar um nome para a vice do tucano também é do interesse dos dois partidos.

Tucanos consultados pela Folha defendem nomes do partido para o Senado. Atualmente, o PSDB paulista tem dois representantes na Casa –Mara Gabrilli e José Aníbal, que substitui José Serra durante licença médica.

Gabrilli está na metade do mandato de oito anos, mas tanto Serra quanto Aníbal podem concorrer. Além deles, o presidente do PSDB da capital paulista, Fernando Alfredo, afirma manter sua pré-candidatura ao Senado.

Dirigentes do PSDB e dos partidos que apoiam Garcia afirmam que a questão do Senado permanece aberta.

O partido Novo planeja ter chapa completa. Seu candidato a presidente é o cientista político Luiz Felipe d'Avila e, em São Paulo, o candidato ao governo é o deputado federal Vinicius Poit. O processo seletivo para a candidatura ao Senado está aberto para inscrições até 15 de março ""há dois nomes concorrendo até agora.

"O candidato ao Senado tem que ser um nome conhecido para ser competitivo. Vamos ter um nome competente. São Paulo é a cara do Novo", afirma o presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, que estima definir o candidato em abril.

Além de Gabrilli e Aníbal, a terceira vaga de São Paulo no Senado atualmente é ocupada por Alexandre Luiz Giordano (MDB), suplente do senador Major Olímpio, morto em 2021 por Covid-19.

Fonte: Folhapress

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