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Falsa médica é técnica de enfermagem e estava com registro suspenso

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Foto: Ascom/PF

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) confirmou nesta terça-feira (17) que a falsa médica, presa ontem (16), é técnica de enfermagem com registro suspenso desde 2020.

Ela foi identificada como Iaponyra Soares Pereira de Sousa e Silva, 35 anos.

A técnica de enfermagem foi presa em flagrante dentro da sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) quando tentava se cadastrar para ministrar palestra no seminário sobre saúde mental. Durante a ação, ela se apresentou como médica neurologista.

O presidente do Coren, enfermeiro Antônio Neto, informou ao Cidadeverde.com que foi aberto sindicância e que o conselho vai colaborar com as investigações da Polícia Federal e do Conselho Regional de Medicina (CRM).

Antônio Neto informou que ela se inscreveu no Coren durante a pandemia e recebeu um registro provisório por um ano.

“Após um ano, ela teria que apresentar novos documentos para renovar o registro e não o fez. Ela está com registro suspenso e como não renovou não pode atuar como técnica de enfermagem”, disse o presidente. 

Segundo o Conselho, a técnica de enfermagem já teria se passado por médica, advogada e até juíza.

“Estamos apurando e adotando todas as providências legais”, disse o presidente do Coren.

Técnica tentou atuar no HGV

A atuação da falsa médica foi descoberta pela direção do Hospital Getúlio Vargas (HGV), onde tentou atuar ilegalmente. Segundo a direção, a mulher apareceu há cerca de um mês, a pedido de uma família com paciente internado na unidade.

"Ela nunca atuou no HGV. Ela simplesmente veio umas quatro vezes aqui visitar esse paciente na UTI, por conta do pedido da família. No momento que ela chegou aqui no hospital ela começou a querer chegar antes da hora, alegando que era médica. Quando pedimos a comprovação de que ela realmente era médica, ela nunca apresentou a CRM, então a gente barrou a sua entrada”, explica o médico Osvaldo Mendes, diretor do hospital.

Se aproveitando do fato de estar dentro das instalações do hospital, a mulher fazia fotos e postava nas redes sociais como se integrasse a equipe do HGV. A farsa foi realmente descoberta quando a direção do hospital, ao ver o banner da palestra que seria realizada pela falsa médica na OAB, notificou os órgãos competentes.

“O que chamou a atenção é que ao mesmo tempo em que ela dizia que iria fazer um doutorado na Argentina de neurologia, ela solicitou para fazer um estágio no laboratório como biomédica. Começamos a desconfiar e proibimos a entrada dela aqui. Ela chegou uma vez alcoolizada, segundo os porteiros, querendo entrar, mas aí sumiu. Semana passada chegou o folder dessa apresentação, que parece que foi ela mesma quem construiu com a logomarca da OAB, e nós, desconfiando, encaminhamos para o CRM", finalizou o gestor.

Liberdade provisória

Após passar quase um dia presa aguardando audiência de custódia, a falsa médica teve a liberdade provisória concedida pela Justiça Federal. 

Na decisão, o juiz Bruno Christiano Carvalho Cardoso afirmou não ser necessária a prisão preventiva da mulher, uma vez que esta medida só é usada para garantir a ordem pública, econômica, a aplicação da lei penal ou, ainda, por conveniência da instrução criminal. 

"No caso em comento, não vejo a segregação como necessária para garantir a ordem pública, uma vez que a falsidade empregada deu-se para proferir palestra, não no exercício da medicina,
de modo que não pôs em risco a vida de terceiros", argumenta o magistrado na sentença.

Flash Yala Sena e Breno Moreno
[email protected]

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