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“Sabíamos que eram nossos filhos”, diz mãe que adotou gêmeos após visitar abrigo

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Fotos: Arquivo Pessoal

A adoção chegou como uma surpresa na vida da psicóloga Laís de Meneses Carvalho Arilo, de 34 anos, e o marido Osvaldo Alexandrino, de 34 anos, após eles conhecerem os gêmeos Maria Gabriele e o Gabriel Pedro, quando eles tinham apenas 3 anos. Hoje eles estão com 12 anos e ganharam uma irmã, a Maria Amélia, de 1 ano e 10 meses. Nesta quarta-feira (25) é comemorado o Dia Nacional da Adoção.

“Adotamos porque descobrimos que tínhamos dois filhos no mundo, que não foram gerados por nós, mas que chegaram na nossa vida e a gente acolheu. Eu costumo brincar que tem a gravidez não planejada, mas nesse caso foi a adoção não planejada. Não planejamos, mas quando foi possível, começamos a nos organizar e deu certo, sabíamos que eles eram nossos filhos”, disse a psicóloga Laís.

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Em 2014, Laís e Osvaldo já ajudam uma instituição realizando o apadrinhamento de crianças atendidas em abrigos. Foi quando eles conheceram os gêmeos, que só tinham 3 anos. Na ocasião, eles ainda estavam noivos. O casal começou a apadrinhar as crianças, se casaram e nesse processo estabeleceram uma ligação com os gêmeos.

“Eles chegaram no abrigo em uma quarta-feira e no sábado a gente se conheceu, e começamos a fazer o apadrinhamento afetivo com eles. Devido a relação de afinidade, a convivência, pois ficávamos com eles todo final e semana, férias e feriado, então o vínculo acabou sendo criado, de pai  filho, de mãe e filho, então fomos formando uma família realmente. Depois de um ano e meio decidimos que iríamos adotar”, explicou.

Antes da adoção, as equipes do abrigo tentam reintegrar as crianças aos seus lares, mas quando isso não acontece, elas então podem ser acolhidas por outras famílias. Sabendo que os gêmeos iriam para a adoção, o casal decidiu então colocar seus nomes no cadastro nacional para adoção.

“Acompanhamos o processo e vimos que a família não tinha condição, que não tinha uma perspectiva de retorno deles para a família, e aí ficamos pensando né, se eles não retornassem para a família, o que aconteceria. Como eram irmãos, na fila do cadastro de adoção não tinha ninguém esperando por eles, crianças na idade deles, que já estavam com 4 anos, e eram irmãos. Como nós tínhamos interesse em ficar com os dois, teve uma prioridade [na fila] para não quebrar essa relação deles”, disse a psicóloga.

Ainda em 2015 as crianças começaram a morar com o casal, e em 2017 eles entraram com o pedido da guarda definitiva. Ela afirmou que a ligação e amor que sentiu pelas crianças foi fundamental para iniciar o processo de adoção.

“Eu e meu esposo, quando a gente namorava, já pensava em adotar, mas era uma coisa mais para frente, mas como as nossas crianças apareceram antes do que imaginávamos, fizemos processo, pois a gente já sabia que eram os nossos filhos, já tínhamos uma relação estabelecida, a gente só precisava formalizar”, destacou Laís.

Hoje os gêmeos já estão com 12 anos e o casal acabou aumentando a família com a chegada de Maria Amélia, de 1 ano, que foi concebida de forma biológica. Ela explicou que na sua casa a adoção não é um tabu e que o assunto é discutido com os filhos.

“Um processo de adoção não é tão tranquilo, pois tem as questões jurídicas, mas tem a questão de identidade da crianças, pois é uma nova família que ela está se inserindo, então não é uma coisa que a gente faz tão simples, mas aconteceu de forma natural, a gente sempre tratou isso com muita honestidade e amor. Sempre que perguntavam qualquer coisa sobre a família de origem, o que a gente sabia, a gente falava, porque não temos  muita informação, mas o que a gente sabe, falamos. Deixamos livre para escolher o que eles querem, se um dia quiserem saber quem são os genitores, tudo bem. Isso porque temos uma segurança nossa de que nós somos os pais deles”, destacou.

Ela afirmou que a ligação que eles construíram não pode ser quebrada. “No primeiro dia que o Gabriel viu meu esposo, já foi chamando de pai, então essa relação foi construída naturalmente, nunca pedimos para nos chamarem assim. Foram eles que chamaram e a relação foi se construindo assim de forma natural”, pontuou.

Para Laís, quem tem desejo de ser pai ou mãe, a adoção é uma alternativa e que é importante conhecer as crianças que estão nos abrigos.

“Quem tem o desejo de ser mãe ou pai, isso vai muito além de querer adotar. Se você quer ser mãe ou pai, a via para isso não importa, se é uma via biológica ou por adoção. Quando a gente vivencia isso, a gente sente quando a criança é nosso filho. Quem tem esse desejo e já está na fila de adoção, que participe na vida dessas crianças antes do processo, que visite abrigo, que possa colaborar com as instituições e a partir disso encontrar o seu filho. Não ficar na fila esperando chegar, mas de conhecer mesmo a realidade, sabemos que tem a lei, as regras e as normas, mas é possível estreitar laços e ajudar as crianças de alguma forma”, afirmou.

 

Bárbara Rodrigues
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