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Macaco flagrado com faca recebe chip e será monitorado pelo Ibama após soltura

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Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com 

Após viralizar na internet amolando uma faca no município de Corrente (distante 843 km de Teresina), o macaco-prego Chico já está convivendo com outros animais da mesma espécie em um viveiro de treinamento para soltura no Parque Zoobotânico de Teresina, zona Leste da capital. Ele também recebeu um microchip para ser monitorado pelo Ibama. 

“Esse microchip é o que a gente chama de marcação e é importante porque se esse animal for capturado por alguém a gente vai lá, colocar o leitor e ver se a marcação é a mesma de algum animal que foi solto pela gente”, explica a bióloga do Bioparque Zoobotânico, Vanessa Gomes. 

O animal foi capturado na última sexta-feira, no quintal de uma residência, e chegou a Teresina no domingo, quando foi levado para a sede do Ibama. O macaco passou por uma série de exames para avaliar seu estado de saúde e autorizar a integração com outros animais.  Ele também recebeu um chip para ser monitorado pelas equipes do Ibama após ser solto na natureza. 

“Ao chegar no Ibama foi feito a parte de protocolo sanitário com a UFPI, avaliação clínica, coleta de material biológico, sangue, pelos, swabs, para verificar toda essa parte de exames que é o protocolo para colocá-lo dentro do grupo para a soltura”, explicou o veterinário Fabiano Pessoa, do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. 

Segundo Fabiano Pessoa, o comportamento do Chico será avaliado dentro do viveiro para indicar a possibilidade da soltura do animal na natureza. 

“Essa etapa agora aqui é formação de grupo. A gente tem oito animais já aqui no Cetas da Semar, com o apoio do Bioparque, então será formado um grupo de até 20 animais. A gente vai observar como vai ser o comportamento deles e possivelmente daqui a dois, três meses a gente vai fazer a soltura em áreas cadastradas do Ibama”, informa.

Convivência no Centro de Triagem

No Centro de Triagem, a bióloga do Zoobotânico, Vanessa Gomes, relatou que o Chico está convivendo muito bem com os outros animais e que o monitoramento do grupo será realizado diariamente até a soltura.

“No quesito social a gente já percebeu que tiveram efeitos positivos, o Chico já está ali bem, já estava tendo uma interação, afeto com outros animais, então receberam ele muito bem e agora a gente vai fazer um monitoramento diário. O ideal é que não se prolongue muito no cativeiro porque o animal acaba ficando habituado, a gente evita também ficar mantendo o contato com aquele animal para quando ele for solto, ele não fique acostumado com a presença humana e isso não facilite uma recaptura”, diz. 

Foto: Divulgação/Ibama

Exames médicos

O médico veterinário do Hospital Veterinário da UFPI e especialista em Clínica de Animais Silvestres, Dr. Eric Carvalho destacou que durante os exames foram coletados materiais biológicos para verificação de vírus, como coronavírus e febre amarela.

“Foi feito um check-up completo ontem e a gente também fez coleta para análise laboratorial tanto para a família dos coronavírus silvestres e também para herpesvírus e febre amarela. Todo esse material vai ser processado no laboratório da universidade tanto para fins de pesquisa, quanto para ver como está a sanidade desse animal”, explica.

O especialista acrescentou que os exames iniciais apontaram que o macaco está bem e dentro do seu peso. Além disso, também foi coletado pelos do macaco para verificar de qual região ele é oriundo, já que essa espécie é típica da caatinga.

 “No exame ontem ele está com os paramentos vitais tudo ok, está tudo certo dentro da espécie, ele está um animal bem ativo, dentro do peso, ele estava regular, mas aqui ele vai ficar melhor aqui. Fora isso, a gente fez coleta de pelo para se ter um indicativo de onde é que esse animal é, da parte geográfica, se é do Piauí, do Maranhão, porque ele é um macaco-prego da caatinga então ocorre em toda a região Nordeste e esse material vai para a Polícia Federal para ser analisado lá e servir como banco de dados, além da questão de tráfico de animais”, complementa.  

Alerta

Fabiano Pessoa ressaltou ainda que o setor de inteligência do Ibama e os órgãos de fiscalização estão trabalhando e buscando identificar o possível dono do macaco-prego Chico, já que a denúncia recebida é que ele estava sendo criado ilegalmente em cativeiro.

O veterinário e analista ambiental do Ibama reforça que criar animais silvestres em cativeiro sem procedência legal é crime.  

Relembre o caso 

O vídeo que mostra o macaco carregando uma faca chamou atenção de internautas nas redes sociais nos últimos dias. Segundo os moradores do município de Corrente, o animal estava na região há pelo menos uma semana. Durante o período, Chico, como foi batizado, invadiu residências através do teto e causou muita bagunça. 

Apesar do susto causado em muita gente, não foram registrados incidentes mais graves envolvendo o animal. 

 

 

 

 

 

Flash Rebeca Lima
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