Cidadeverde.com
Geral

Morre segunda pessoa baleada em discussão familiar no bairro São Pedro

Imprimir

Atualizada às 10h40

Morreu na madrugada deste domingo (31), Daniel Flauberth Gomes Nunes Leal. Ele é mais uma vítima fatal da discussão familiar que terminou com três pessoas baleadas no bairro São Pedro, zona Sul de Teresina, na manhã de sábado.  Ele estava internado em estado gravíssimo no Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

Daniel morreu horas depois que o servidor do Tribunal de Justiça do Piauí, Felipe Guimarães Martins Holanda, 37 anos, que também estava internado no HUT. Permanece em estado grave no hospital a babá identificada como Juliana, baleada na cabeça.

"A equipe médica declarou a morte dele (Daniel) na madrugada de hoje. O Felipe faleceu ontem por volta das 18h e continua internada em estado grave a Juliana com um tiro na cabeça", disse o delegado Francisco Costa, o Baretta, coordenador do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). 

O próximo passo, de acordo com o delegado, é a instauração do inquérito. " O Delegado Geral determinou que o DHPP assuma as investigações. O delegado do plantão colheu todas as informações e aprendeu na casa três armas, inclusive uma delas foi utilizada, além da faca que era utilizada por um deles", afirmou.

"Amanhã pela manhã nós estaremos dando um despacho para a equipe encarregada da investigação instaurar o competente inquérito para apurar os fatos em toda a sua extensão. Concluída a investigação nós vamos relatar e enviar ao Judiciário para que o Ministério Público possa avaliar e se manifestar", acrescentou.

Baretta ressaltou que foi feita uma perícia minuciosa no local e revelou que houve luta corporal entre Daniel e Felipe.

"Nós requisitamos todas as perícias. O perito analisou minuciosamente o local do crime, inclusive a posição de cada uma das pessoas que estavam lá. São três residências no mesmo terreno com pessoas diferentes morando. Teve uma luta corporal entre o Daniel e o Felipe. Houve anteriormente o disparo de arma de fogo que acertou a cabeça da Juliana. O Felipe pegou um disparo na altura da virilha e o Daniel um disparo na cabeça", destacou.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

O delegado informou que há muitas perguntas a serem respondidas sobre o caso. "Mesmo os dois estando em óbito nós temos que verificar a trajetória do disparo. Quem recebeu primeiro, quem efetuou primeiro. Será que as respostas estão tão claras? A gente tem que ir em busca da verdade. Havia outras pessoas na residência e todas serão ouvidas para dizer a verdade", afirma.

Sobre a possível motivação, o choro de uma criança, o delegado disse que só as investigações vão mostrar o que ocorreu.

"Dizem que começou pelo choro de uma criança à noite, que é filho do Felipe, e que seria autista, e que o Daniel teria ficado incomodado, e aí começou uma discussão. Quando foi pela manhã, o Felipe se armou com a faca e teria ficado esperando Daniel, onde gerou toda essa confusão. Mas a gente imagina: será que o choro de uma criança é o suficiente ou se isso já não vinha sendo alimentado? Todo homicídio doloso, pois foi homicídio doloso, tem uma motivação necessária. Foram requisitados todos os exames e o inquérito será feito minunciosamente", garantiu.

Arma não é brincadeira

O coordenador do DHPP chamou atenção para o uso de armas. No local do crime foram aprendidas duas pistolas e um revólver. Para o delegado, o porte de arma não pode ser banalizado em razão da prática do tiro esportivo.

"Foram aprendidas três armas, sendo duas pistolas 9 milímetros e uma 380 e um revólver magnum 357. Segundo consta, o Daniel é filiado a clube de atiradores, tiro esportivo. Agora eu quero dizer que a gente não pode banalizar o porte de arma em prol de tiro esportivo. Arma de fogo não é brincadeira. Não podemos banalizar o uso de arma de fogo em prol de prática desportiva. Arma de fogo a coisa séria", finalizou.

O caso 

A versão que a Polícia Civil apura, é que os dois cunhados iniciaram uma discussão após um deles, identificado como Daniel, se irritar com o choro do sobrinho. O pai da criança, identificado como Felipe, não gostou das reclamações e os dois iniciaram uma discussão.

“Foi um desentendimento familiar, e parece que era recorrente, ontem à noite teve outro desentendimento e teve o clímax na manhã de hoje em Teresina. Na verdade, lá é um terreno que moram três famílias. O Daniel é atirador esportivo e reclamava do choro do filho do Felipe, que tem espectro autista de alto grau. O Felipe foi tirar satisfações com o cunhado, pois estava tendo muitos xingamentos, o Daniel parece que teve um surto e foi pegar a arma e fez disparos, sendo que atingiu primeiro a empregada doméstica [Juliana], depois o Felipe reagiu, mas foi atingido, na confusão as esposas tentaram separar, conseguiram tomar a arma do Daniel e ele também acabou sendo baleado”, explicou o major Tales, subcomandante do 1º BPM.

Foto: Polícia Militar

Após a confusão todos foram socorridos e encaminhados para o Hospital de Urgência de Teresina. No local ainda foram apreendidas mais duas armas de fogos e muitas munições que pertencem a Daniel, que é atirador esportivo.

O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

Hérlon Moraes 
[email protected]

Imprimir