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Mães de crianças afogadas lembram momentos que antecederam tragédia no Rio Parnaíba

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A TV Cidade Verde voltou ao local da tragédia que vitimou cinco crianças e adolescentes da mesma família no Rio Parnaíba, no município de Nazária, a 35 quilômetros de Teresina.A rotina da comunidade se transformou com as lembranças de um domingo de tristeza e desespero.  

O jornalista Joelson Giordani conversou com Francisca Danielle, mãe de Eduarda Kemylly da Conceição Silva (9 anos) e Ana Ketlelly da Conceição Silva (8 anos), que se afogaram no rio. Ainda muito abalada, ela relembrou os momentos de angústia no local.

“A gente estava brincando, correndo, os meninos se divertindo e eu escutei os gritos das minhas meninas, a outra gritando ‘mãe, mãe, mãe’ aí eu olhei e já estava as três. Eu pulei e agarrei com elas dentro da água”, contou.

Na tentativa de salvar as filhas, Francisca Danielle entrou no rio rapidamente e agarrou as irmãs, mas por conta da força da água, ela também quase se afogou. Após soltar as filhas, a mãe ainda permaneceu no rio à procura das crianças.

“Quando eu pulei, demorou, aí ele pulou, a Kemylly pulou, pulou no meu pescoço, me agarrou, aí veio o Pedro pulou junto comigo e teve o Marcos que pulou e todos nós ficamos se debatendo dentro da água. Eu andei com elas agarrada, uma no meu pescoço e as duas no braço aí foi só afundando e com muito tempo afundando, eu não conseguia mais me mexer, cansada, não tive o que fazer e soltei. Fiquei um tempo em cima da água boiando, tentando voltar, aí chegou uma pessoa com colete, me deu e foi me pegar”, disse.

Foto: Arquivo Pessoal

Marcos Vinicius Santos e a irmã Vitória Emanuelle, José da Cruz Alves, e as irmãs Eduarda Kemylly e Ana Ketlelly

Além das irmãs, outras três pessoas também se afogaram no rio, Marcos Vinícius, de 8 anos, Vitória Emanuelle, de 13 anos e o adolescente José Cruz, de 16 anos, que sonhava em ser veterinário e adorava tirar fotos. A alegria e diversão da família antes da tragédia foram registrados por José.

A mãe de José Cruz, Ildirene Alves, lembrou o último diálogo que teve com o filho e o pedido que ele fez para ir ao local com os primos. 

"Eu olhei para ele, ele ficou assim olhando para mim e eu disse ‘vá meu filho, tenha cuidado’, contou. 

A cidade de 8 mil habitantes tem o Velho Monge como parte de sua fonte de renda e lazer. Os banhos são frequentes e, para chegar ao local do encontro, as 11 pessoas da família percorreram uma estrada de terra que liga a PI-130, o mesmo local usado por pescadores para ter acesso ao rio.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

No local onde a família estava passa um canal que tem a correnteza mais forte e a profundidade chega até três metros. Bombeiro há 28 anos,o coronel Egídio Leite explicou que em locais assim, em que as águas formam um movimento circular, é onde os afogamentos acontecem.  

“Quando um começa a entrar no processo de afogamento, outros tentam ajudar e terminamos como essa tragédia que vitimou cinco vítimas. O rio aqui se comporta da seguinte maneira, a água vem rasa, temos a coroa, mas há um corte e temos uma maior profundidade”, explica.

Ainda em comoção, Francisca Danielle conta que não conseguiu realizar o desejo de suas filhas.

“Eu sempre falava que ia realizar o desejo delas. ‘A senhora vai salvar vida, a senhora vai aprender a salvar vidas e quando a senhora aprender a salvar vidas no dia que eu precisar a senhora vai me salvar’. No dia que ela precisou eu não consegui salvar ela aí eu fiquei assim porque eu não consegui”, desabafa.

 

 

Rebeca Lima
[email protected]

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