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“Ele precisa de cuidado e não de prisão”, diz pai de jovem que incendiou ônibus

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O pai do jovem preso após incendiar um ônibus da empresa Timon City na última terça-feira (27), no centro de Teresina, fez um apelo pela liberdade do seu filho para que ele continue com seu tratamento médico. Ele, que tem 24 anos e foi diagnosticado com transtorno do espectro autista, sofreu um surto psicológico no dia do fato, como foi atestado por uma equipe médica.

De acordo com Francisco Freitas, seu filho precisa do apoio da sociedade e da Justiça para que ele tenha os cuidados necessários em um local adequado. No momento, a família busca o habeas corpus do rapaz. 

“Eu tenho certeza que o desembargador vai conceder o habeas corpus para gente tratar do nosso filho, levar ele a um hospital adequado. Nesse momento ele está precisando de apoio da sociedade, de apoio dos pais, da família, do médicos, ele não está precisando ser preso não, ele está precisando da sua liberdade para tomar seu medicamento para gente tratar ele e eu apelo para toda a sociedade e todos os magistrados. Ele está precisando de cuidado e não de estar preso em uma carceragem”, desabafou. 

Preso em uma unidade de saúde da Colônia Agrícola Major César, Francisco Freitas ressalta que não tem certeza que seu filho está tomando a sua medicação e destaca que ele está com outros presos na mesma cela

“Lá o que existe é uma cela comum, é um cidadão de bem no meio de pessoas que cometeram delitos. Hoje eu creio que ele esteja sendo medicado. No momento desse, era um momento de intervenção, procurar tratar, não procurar punir dessa forma”, conta. 

Fotos: Renato Andrade/Cidadeverde.com 

Francisco relatou que desde criança o jovem já faz tratamento e toma medicação. Durante todo esse tempo nunca havia ocorrido um caso de surto psicótico. 

“Desde criança que a gente vem tratando ele muito bem, nós somos uns pais que a atenção pra ele nunca faltou. Ele nunca surtou da maneira que ele surtou ali. Nunca tinha acontecido. Mas o autista ele passa 10 anos, passa um ano convivendo bem, mas a qualquer momento ele pode surtar, e foi o caso dele”, conta. 

O pai contou ainda que o jovem estuda no Instituto Federal do Piauí (IFPI) e que passou em 2º lugar para o curso de Ciências da Computação na Universidade Federal do Piauí (UFPI). No dia do caso, o rapaz que estuda no turno da tarde havia saído mais cedo do IFPI. 

“Ele passou em 2° lugar na Universidade Federal para Ciências da Computação, mas a gente teve um problema no ato da matrícula dele e entramos com um mandado de segurança para poder fazer a matrícula. Enquanto isso, ele está no IFPI, faz curso técnico de Energias Renováveis e justamente nesse dia, ele tinha saído no IFPI, saiu sem minha permissão, porque eu ia deixar e ia buscar ele”, diz. 

Já sobre o crime, Francisco Freitas explica que não teve nenhuma relação com a jovem que foi atropelada pelo ônibus da empresa Timon City e que após acompanhar o caso pela televisão,  a intenção do seu filho era se vingar do ônibus. 

“Nós não temos nenhuma relação familiar ou conhecimento com a jovem, mas ele criou aquela ideia fixa de vingança com o ônibus que atropelou a jovem e ele disse que ia se vingar. No dia ele pediu que todo mundo saísse de dentro do ônibus, ele não queria machucar ninguém, a ideia fixa dele estava no ônibus, ele viu na televisão e passou a criar essa ideia na cabeça dele” acrescenta.

Rebeca Lima
[email protected] 

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