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Vídeo vira alvo de investigação por crime ambiental contra onça no Zoobotânico

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Fotos: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Onça Tupã do Zoobotânico de Teresina

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem jogando fogos de artifício próximo ao recinto da onça-pintada conhecida como Tupã, no Bioparque Zoobotânico de Teresina. O homem postou o vídeo na quarta-feira (23) no seu Instagram. O Batalhão da Polícia Ambiental (BPA) informou que já está apurando o crime.

No vídeo, o homem se identifica como William, e afirma que é “da pior capital do Nordeste, estou aqui no Zoobotânico e por trás está a onça-pintada”.

Logo depois ele aciona os fogos de artifícios e joga próximo ao recinto da onça, fazendo bastante barulho no local. Fogos de artifício afetam aos animais, pois eles possuem maior capacidade auditiva. O Piauí possui uma lei estadual, de nº 7.643, de 26 de novembro de 2021, proibindo a queima e soltura de fogos que são barulhentos.

Recinto da onça

O vídeo postado na página do Instagram do suspeito chegou ao conhecimento do ativista Dionísio Carvalho que tem usado as redes sociais para denunciar o responsável.

“Ele postou no perfil dele, e eu gravei até para depois ele não dizer que não fez. Passei o caso para o coronel Carlos Teixeira do Batalhão Ambiental, pois ele usou um foguete no recinto da onça, ele mesmo diz isso no vídeo que está ao lado do recinto. O que ele fez afeta a fauna e a flora, é um crime. Hoje existe uma lei estadual proibindo fogos barulhentos, essa lei existe por um motivo, pois afeta os animais, também afeta algumas pessoas, por isso estou divulgando nas redes o que aconteceu. Isso não se faz. Ele agora bloqueou o perfil dele, mas já peguei o nome dele, já identifiquei que se chama William Paulo”, disse o ativista.

O caso foi repassado para Batalhão da Polícia Ambiental (BPA), que possui sua sede no Zoobotânico.

“Já estamos sabendo o que aconteceu, essa pessoa já foi identificada. Tivemos acesso ao vídeo que é bem claro em relação ao que aconteceu. Esse tipo de atitude não pode ser realizada em nenhum parque ambiental. O caso agora está sendo investigado, vamos tentar localizar ele”, afirmou o coronel Carlos Teixeira, comandante do BPA.

Lei estadual 

O Piauí possui uma lei estadual, de nº 7.643, de 26 de novembro de 2021, proíbe o manuseio, utilização, queima e soltura de fogos de estampidos e de artifícios que possuem efeito sonoro ruidoso.

O objetivo da lei é proteger pessoas idosas, doentes, bebês, crianças, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e animais, que são os mais afetados com estouros e estampidos.

“Estamos agora em uma campanha com a Associação Prisma, com o Ministério Público, para evitar a queima de fogos de artifício barulhentos, onde sabemos que hoje, por exemplo, no jogo do Brasil vai ter muito. Tem uma lei que proíbe fogos barulhentos, mas as pessoas não respeitam. Tem animais e pessoas com o autismo que são afetados pelos barulhos, e nós queremos que a lei seja respeitada, que seja a proibida a venda, estamos em campanha para isso”, destacou.

Bioparque se manifesta

Em nota a administração do Bioparque Zoobotânico informou que acionou o Batalhão da Polícia Ambiental para apurar o caso e a 24ª Promotoria de Justiça de Teresina – Meio Ambiente, que tem como titular a Promotora de Justiça Carmelina Maria Mendes de Moura, para a instauração da Notícia de Fato.

"A administração do Bioparque Zoobotânico Piauí, ao tempo em que não compactua com esse tipo de ação, repudia veementemente todas as práticas contrárias à segurança e a saúde dos animais", informou.

Confira a nota na íntegra:

Diante da circulação nas redes sociais de um vídeo, onde um suspeito solta fogos de artifício nas dependências do Bioparque, próximo ao recinto da onça Tupã na tarde de ontem (23/11), o Bioparque Zoobotânico Piauí vem informar que acionou imediatamente o Batalhão da Polícia Ambiental, que tem sua sede instalada no parque, cuja missão consiste em prevenir e reprimir ações contra a flora, a fauna e o meio ambiente. 

Por oportuno, o comandante do BPA, Tenente Coronel Carlos Henrique Texeira, informou que o ocorrido configura crime ambiental e que já tomou as devidas providências, com a instauração de procedimento administrativo para apuração de todas as condutas incompatíveis com a preservação do meio ambiente e do bem-estar animal. 

A administração do Bioparque Zoobotânico Piauí, ao tempo em que não compactua com esse tipo de ação, repudia veementemente todas as práticas contrárias à segurança e a saúde dos animais.

Informa ainda que os fatos foram comunicados à 24ª Promotoria de Justiça de Teresina – Meio Ambiente, que tem como titular a Promotora de Justiça Carmelina Maria Mendes de Moura, para a instauração da Notícia de Fato.

Dessa forma, reitera a disposição para, através da sua administração, adotar todas as providências necessárias e colaborar para a apuração da ocorrência.


Bárbara Rodrigues
[email protected]

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