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Frota não está preparada para o passe livre anunciado pelo prefeito, diz Setut

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Fotos: Renato Andrade/Cidadeverde.com

 

Em coletiva na manhã desta quinta-feira (12), o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) anunciou que foi pego de surpresa com a decisão da Prefeitura de Teresina em implantar a tarifa zero na cidade para pessoas de baixa renda. 

Marcelino Lopes, vice-presidente do Setut, garantiu que os empresários são favoráveis a proposta, mas questiona como o programa pode ser pago. Marcelino disse que a frota não está preparada para o novo sistema, caso venha ser implantado pela prefeitura. 

“Tem dinheiro para manter? Porque nem os R$ 5 milhões mensais a Prefeitura consegue pagar para os consórcios. Recebemos a notícia de forma surpresa. Um passo importante para tentar melhorar o transporte público. E está sendo discutido no governo federal”, destacou Marcelino Lopes. 

O vice-presidente afirmou ainda que os consórcios não sentaram com a Prefeitura para discutir o tema. Mas acreditam que até a próxima semana sejam convocados.

Ainda segundo Marcelino, no Brasil existem cerca de quatro cidades onde a tarifa zero é aplicada. Entre elas ele citou a cidade de Caucaia, no Ceará. Apesar disso, o vice-presidente do Setut disse que não dá para discutir isso em poucas semanas e colocar em prática em poucos dias. 

“Para se ter uma ideia, o prefeito de Fortaleza disse que vai passar 2023 fazendo um estudo para implantar em 2024 a tarifa zero. Como Teresina tem um sistema inferior em tudo, qualidade, operação vai conseguir implantar isso em 20 dias?”, questionou Marcelino Lopes. 

O representante do Setut afirmou também que com a gratuidade a frota de ônibus, atualmente com 220 veículos, precisará crescer. O estudo inicial aponta que sejam necessários pelo menos 400 ônibus circulando para colocar a ideia em prática.

Terá dinheiro? 

Marcelino Lopes questionou ainda se a Prefeitura terá condições de manter essa tarifa zero. Porque, segundo o representante do Setut, o município tem mensalmente um déficit de R$ 5 milhões e com a tarifa zero esse valor deve triplicar. 

“Com a tarifa zero esse custo mensal com o transporte coletivo passa para R$ 15 milhões. Hoje, o custo é de R$ 10 milhões e vai subir para R$ 15 milhões. Como se paga?, se nem os R$ 5 milhões estão sendo pagos. Além disso, quando a tarifa for zero devemos ter uns 12 mil carros piratas”, lamentou Marcelino Lopes.

Empresário fala em fechar as portas

O empresário Júlio Pereira, do consórcio que atende a zona Sudeste da cidade, alegou na coletiva que ficou com “as pernas bambas quando soube da tarifa zero”. No entanto, o empresário garante que é favorável à iniciativa, porém questiona as garantias para as empresas. 

“Não podemos dizer que está tudo bem. O transporte em Teresina passa por uma situação muito delicada e difícil. Quanto mais carros, mais despesas. Se não sentarmos para ver a parte técnica, jurídica e prática dessa operação, infelizmente corremos o risco de fechar as portas em 90 dias”, lamentou Júlio Pereira. 

O empresário destacou também que é preciso que a Prefeitura de Teresina responda uma série de perguntas antes de que o programa seja colocado em prática. Júlio não vê, por enquanto, condições para a tarifa zero iniciar. 

“Continuo com frio na barriga. Eu fiquei com as pernas bambas e se for de goela abaixo vai ser pior”, completou o empresário Júlio Pereira. 

Passe livre para baixa renda 

Ontem (11), o prefeito Dr Pessoa confirmou que o município ampliará o número de pessoas contempladas com a gratuidade no transporte público de Teresina. A medida será feita através da instituição de um “Programa Municipal de Passe Livre” e tem expectativa de ser implanta até o mês de março.

Saiba mais: Dr. Pessoa anuncia passe livre para pessoas de baixa renda em Teresina 

O atual sistema banca mais de 250 mil gratuidades, de acordo com um levantamento feito pelos consórcios.   

 

Flash Nataniel Lima
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