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Perícia encontrou sangue de Izadora no vestido da mãe da advogada

Atualizada às 13h

A perícia constatou que o vestido utilizado pela mãe de Izadora Mourão, Maria Nerci, esteve na cena do crime e que há manchas de sangue na vestimenta da mulher que teriam sido causadas durante o assassinto da advogada. 

No entanto, a perícia não encontrou elementos que comprovem a presença de João Paulo na cena do crime. 

Segundo a perita Maria Rosemary, em seu depoimento no Tribunal do Júri na Vara Criminal de Pedro II, não foi coletado material do irmão da vítima na cena do crime porque o local era o quarto de João Paulo. 

Foto: Reprodução

"Isso faria com que nós produzissemos provas frágeis. Já que aquele era o quarto dele e obviamente teriam digitais dele e material dele. Encontramos manchas de sangue na roupa usada pela mãe da vítima", destacou Maria Rosemary. 

A acusação sustenta a tese de que Izadora Mourão foi morta pelo irmão e pela mãe. A defesa de João Paulo, no entanto, tenta convencer o júri que ele não participou do crime e que o assassinato de Izadora foi cometido apenas pela mãe dela. 

Entretanto, a acusação questiona a capacidade de Maria Nerci, aos 70 anos, de conseguir matar a filha sozinha, devido à sua dificuldade de mobilidade e idade já avançada. 

De acordo com Maria Rosemary, é possível que os ferimentos encontrados no corpo de Izadora Mourão tenham sido causados por uma mulher. No entanto, a perícia não descarta a participação de João Paulo. 

Izadora tinha medo do irmão

O ex-namorado de Izadora Mourão prestou depoimento no Tribunal do Júri e relembrou os últimos momentos que teve com a advogada. Marcos Antonio dos Santos Viana afirmou ao Júri que ela tinha medo do irmão e da mãe e que Izadora já afirmou para ele que João Paulo tem o perfil de um psicopata e por isso tinha muito medo dele.

"Ela me confessava tudo que acontecia na casa dela. Namoramos por quatro meses, mas nos conhecíamos há 1 ano. Nesse tempo, toda vez que íamos dormir juntos ela escorava a porta do quarto e dos portões com cadeiras, madeiras... porque ela tinha medo do irmão fazer alguma coisa com ela", destacou Marcos Antonio. 

Foto: Reprodução

O ex de Izadora Mourão afirmou no Tribunal que a advogada era muito próxima do pai e que após a morte dele, a mãe e o irmão se voltaram contra ela.  

"Eles trocaram as fechaduras da casa de Teresina e não deram a chave para ela, impediram ela de frequentar uma chácara que era da família. Ela dirigia uma D20 e até ela eles queriam vender. Ela disse outra vez: meu irmão tem o perfil de um psicopata. Já estudei e é o perfil do meu irmão. Ele não demonstra felicidade, tristeza", relembrou o ex-namorador. 

Marcos Antonio relembrou ainda que Izadora era uma boa namorada e que passou meses sofrendo com a perda dela. 

Investigador relembra bilhete ameaçador

O investigador da Polícia Civil do Piauí, João Paulo, foi o segundo a prestar depoimento. O policial participou das investigações e afirmou no Tribunal do Júri que Izadora Mourão foi morta com nove perfurações de faca e duas armas brancas foram utilizadas no homicídio. 

Ainda segundo o agente, para a Polícia Civil, é impossível que Dona Nerci, mãe de Izadora Mourão, tenha cometido o crime sozinha, como alega a defesa do irmão da advogada. 

"É impossível ela ter cometido o crime sozinha pela dificuldade que ela tem de locomoção. Izadora tinha força, dirigia uma D20 e andava a cavalo. Para a polícia, Dona Nerci e João Paulo foram os autores do crime", destacou o agente João Paulo. 

Foto: Reprodução

A defesa questionou as afirmações do agente de segurança e o indagou os motivos que levam a crer o porquê de duas pessoas terem sido os autores do assassinato de Izadora Mourão. 

Segundo o investigador, no corpo dela foram encontradas perfurações com até 11 centímetros de profundidade e em direções diferentes, o que induziu à perícia crer que mais de uma pessoa golpeou a advogada. 

Durante seu depoimento, a advogada relembrou a frieza com que o irmão e a mãe de Izadora apresentaram durante o velório, sem esboçar tristeza pelo falecimento da advogada. 

Outra coisa que chamou atenção dos investigadores foi o fato da família ter pago o plano funerário que estava atrasado há nove meses. Eles teriam quitado a dívida uma semana antes do crime. 

O policial João Paulo relembrou ainda o bilhete com teor ameaçador que o irmão de Izadora enviou a ela antes do crime. “Ele dizia que ela para ela cuidar da vida dela e deixar eles em paz. O tom do bilhete foi ameaçador”, destacou o investigador. 

Prima diz que Izadora não era ambiciosa

Vanessa da Conceição Fabrício, prima de Izadora Mourão, foi a primeira a prestar depoimento no julgamento do irmão e da mãe da advogada que foi morta a facadas em Pedro II. Durante os questionamentos da defesa e acusação, Vanessa relembrou a boa relação que tinha com a prima e o quão desapegada Izadora era de bens materiais. 

Foto: Reprodução

"Ela era muito desapegada. Se eu elogiasse uma sandália dela, ela falava: 'Leva para ti. Pega'. Não era uma pessoa ambiciosa. Eu fazia unha, às vezes dava 10 reais e ela me pagava 15, 20 reais. Era uma pessoa boa e que tinha muitos amigos", destacou Vanessa da Conceição. 

A prima relembrou o dia do crime e disse que a tia, mãe de Izadora, foi até sua casa para deixar a faca que supostamente teria sido utilizada para manter a advogada. E que, a princípio, não desconfiou. Porém, após a notícia do homicídio de Izadora ela e os pais começaram a ligar os pontos. 

"Meus pais ficaram se perguntando por que ela foi deixar uma faca e pedir para guardar em cima de um guarda-roupa. Após o velório, mamãe pediu para a tia Nerci ir pegar a faca porque não queriam ela lá. Eu cheguei a pegar na faca e fiquei com medo de ser relacionada porque minhas digitais iriam aparecer na faca", afirmou Vanessa. 

Matéria

Foto: Reprodução/redes sociais

Teve início nesta quarta-feira (16) o julgamento do irmão e da mãe da advogada Izadora Santos Mourão, que foi morta com sete facadas em fevereiro do ano passado, no município de Pedro II, distante 206 km de Teresina. O jornalista João Paulo Santos Mourão e a mãe Maria Nerci dos Santos Mourão são acusados pelo crime que chocou o município.

O julgamento deveria ter ocorrido no dia 22 de fevereiro, mas foi adiado para hoje e será realizado pelo Tribunal do Júri, na 2ª Vara da Comarca de Pedro II.

O Ministério Público defende a tese de que o crime foi cometido por João Paulo e Maria Nerci, e que a motivação estaria relacionada a uma herança de cerca de R$ 4 milhões, deixada pelo pai da advogada. 

"Desde o primeiro momento, o Ministério Público trabalha com as provas que foram produzidas pela perícia e pela  Polícia Civil do Piaui. O Ministério Público trabalha com a participação da dona Maria Nerci e do João Paulo, em razão de uma divisão de bens, de uma herança", destacou o promotor de Justiça, Márcio Carcará. 

Durante o julgamento, devem ser ouvidos o delegado que investigou o caso, agentes, e outras pessoas que tiveram contato com Izadora. Uma perícia que demonstrará a dinâmica do crime também será apresentada pela acusação. 

A defesa constesta a versão defendida pelo Ministério Público e defende a tese de que o crime foi cometido apenas por Maria Nerci, mão de Izadora Mourão. 

Foto: Reprodução/redes sociais

Izadora Mourão

A advogada Izadora Mourão foi encontrada morta, com ferimentos de faca, dentro do próprio quarto em uma residência localizada no município de Pedro II, no dia 13 de fevereiro de 2021. A história inicial divulgada foi que uma mulher que visitou a vítima, teria sido a autora do crime.

Segundo denúncia do Ministério Público, a investigação realizada pela polícia civil apontou que na verdade o crime teria sido realizado pelo jornalista e irmão da vítima João Paulo Mourão, que após o crime teve a ajuda da mãe para acobertar o que aconteceu. Todos moravam na mesma casa.

Ambos apareceram no velório da vítima, mas no dia 15 de fevereiro daquele ano, João Paulo foi preso. Em junho de 2021, Maria Nerci chegou a assumir sozinha o assassinato da filha, mas a Polícia Civil negou essa possibilidade e afirmou que a perícia atestou que no dia do crime, João Paulo executou e a mãe assistiu ao assassinato.

Foto: Reprodução/Polícia Civil

Polícia divulgou simulação de como o crime aconteceu

A perícia convenceu a polícia de que a posição dos golpes de faca feitos em Izadora favorece o lançamento de sangue encontrado no vestido da mãe dela, Maria Nerci.

O crime teria ocorrido porque existia um conflito familiar intenso entre as partes em razão da possível tentativa de exclusão de Izadora da partilha dos bens componentes do espólio deixado pelo falecido pai da vítima.

 


Bárbara Rodrigues, Natanael Souza e Nataniel Lima
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